Episódios de Comentaristas

Mais um plano de combate ao crime organizado: o que muda?

12 de maio de 202610min
0:00 / 10:42
Maria Cristina Fernandes, colunista do Jornal Valor Econômico, apresenta o novo plano de combate ao crime organizado. A especialista explica o que há de novo na medida. Ouça.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio3
F

Fernando

HostJornalista
T

Tati

HostApresentadora
M

Maria Cristina Fernandes

ConvidadoEspecialista
Assuntos4
  • Crime OrganizadoInvestimento de quase um bilhão de reais · Foco em quatro eixos · Transformação de 138 presídios em segurança máxima · Acesso a recursos do BNDES para estados · Força integrada de combate ao crime organizado nacional (FICO) · PEC da Segurança Pública · Sistema Único de Segurança Pública (SUSP)
  • Operação Carbono Oculto e crime organizadoCombate às máfias do combustível · Lavagem de dinheiro por meio de atividades econômicas lícitas · Simbiose entre empresários do setor de combustível e crime organizado · Colaboração entre polícias locais e Polícia Federal · Ministério Público Estadual e Federal atuando conjuntamente · Receita Federal e COAF atuando · Delação premiada negociada com líderes da máfia dos combustíveis · Lavagem de dinheiro em paraísos fiscais americanos · Ricardo Magro
  • Segurança Pública e Governo FederalEstados rejeitam condicionalidades para acesso a recursos · Resistência dos estados à força integrada (FICO) · Governadores resistem e se consideram reféns de suas políticas · Falta de colaboração das polícias locais · Conselho Nacional de Segurança Pública com pouco funcionamento · Investigações sobre Davi Alcolumbre · Mastra (máfia dos combustíveis)
  • Acordo de cooperação Brasil-Bolívia contra crime organizadoLavagem de dinheiro em paraísos fiscais americanos · Colaboração dos órgãos de investigação nos Estados Unidos · Identificação de lavagem de dinheiro pelo sistema financeiro americano · Apreensão de armas exportadas pelos EUA · Ricardo Magro · Delaware
Transcrição24 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Tudo é Política, com Maria Cristina Fernandes.

Oi, Maria Cristina, boa tarde. Boa tarde, Tati. Fernando, boa tarde. Bom, o governo lançou mais um programa, um plano de combate ao crime organizado. Os investimentos previstos são de quase um bilhão de reais e há ali, pelo que o governo anunciou, a pretensão de focar as ações em quatro eixos. Conta tudo, Maria Cristina.

Pois é, Tati, como você disse, é mais um, né? Mais um plano de combate ao crime organizado. E a gente fica se perguntando o que há de novo. O governo precisa endereçar esse tema. Diversas pesquisas apontam que a segurança é o principal problema, identificado pelos eleitores. Mas por que não sai do papel? Por que é preciso ficar relançando? Bem, o que tem...

O que há de concreto que ainda não foi endereçado? Tem pouca coisa. Tem a transformação de 138 presídios em presídios de segurança máxima, país afora. Mas o fato é que tem facção que nasceu em presídio e funciona até hoje em presídio. Então, tem um limite aí para isso funcionar. Tem muito dinheiro para os estados acessarem no BNDES para...

equipar esses presídios, para equipar a sua polícia, para dotar essas polícias de aparato de inteligência, mas esses estados têm que cumprir condicionalidades que muitos rejeitam, não aceitam o cumprimento. Então, o acesso a esses recursos, o acesso a esses programas também fica limitado.

A intenção é reprisar operações como a Carbono Oculto, aquela operação que aconteceu em São Paulo, de combate às máfias.

do combustível, máfias que lavavam dinheiro por meio de muitas atividades aqui na Faria Lima, por meio de atividades econômicas lícitas, lavavam dinheiro e com isso, e lavavam dinheiro do crime organizado também. A Via Lívia Carbono Oculto revelou essa simbiose aí dos empresários do setor de combustível com o crime organizado.

A Cabo Noculto aconteceu e foi bem sucedida porque teve colaboração das polícias locais e da Polícia Federal. E a ideia deste pacote é lançar uma força integrada de combate ao crime organizado nacional. É FICO, como eles entendem, essa força integrada. Mas há muita resistência dos estados. Para que esse plano saia do papel de fato,

seria importante que essa PEC da Segurança Pública fosse aprovada. Essa PEC é que dá os instrumentos para o SUSP, que é o Sistema Único de Segurança Pública, efetivamente funcionar. Que foi criado esse SUSP, foi lançado lá no governo Michel Temer, para o ouvinte ter uma ideia, lá em 2016, quando a Dilma caiu e aí o Raul Júnior assumiu como...

O ministro lançou esse SUSP, só que os instrumentos para esse SUSP sair do papel estão nessa PEC. A PEC foi aprovada pela Câmara, o Senado não aprovou. E um sinal de que talvez não aprove é que o presidente do Senado não estava na cerimônia que lançou este.

Pacote, né? E se seria importante essa OPT ser aprovada, essa SUSP ser aprovada, é porque daria um mecanismo de coordenação para essas políticas. Só que os governadores resistem e dão a entender que são reféns de suas políticas. São eles que comandam suas políticas, mas o inverso.

A falta de colaboração das polícias locais está exemplificada nesse Conselho Nacional de Segurança Pública que mal se reúne. É um conselho federativo, é um conselho que envolve várias instâncias e não tem funcionamento porque não tem colaboração. Com essa resistência do Davi Alcolumbre, ele vai acabar dando razão a investigações que apontam para o entrelaçamento entre o Master, a máfia dos combustíveis.

que aliás deu as canetas emagrecedoras que o Alcolomba distribuiu no Senado, para os senadores, a famosa matéria da Piauí. Foi a feira dos combustíveis que entregou essas canetas para ele. Então...

Esse entrelaçamento do Mastra com o crime organizado e com esse escândalo do Mastra e muitos envolvidos na política, a gente tende a imaginar que essa perda da segurança está enfrentando também a resistência desses agentes políticos. Muito bem. Qual é a participação dos estados, Maria Cristina, nesse plano?

Tati, as operações de combate ao crime organizado teriam que acontecer conjuntamente entre a Polícia Federal e as polícias locais, a Polícia Civil e a Polícia Militar. No caso da Cabona Oculto, aconteceu, funcionou. O Ministério Público Estadual, o Ministério Público Federal atuaram conjuntamente nas denúncias e articularam suas polícias e houve integração. A Receita Federal entrou.

O COAF entrou e tudo isso foi articulado e resultou numa operação bem sucedida que está dando frutos ainda. As investigações, os achados desta operação ainda hoje estão levando a profundamente dessas investigações. Tem uma delação premiada que está sendo negociada ali com dois líderes da máfia dos combustíveis. Aliás, tiveram a toposta de delação rejeitada.

Não avançaram naquilo que a polícia já tinha. Mas foi um tipo de operação que foi o fruto dessa coordenação. Para tornar isso, para automatizar esse tipo de articulação, é que você precisaria colocar esse frico em pé, esse combate nacional em pé e essa articulação um pouco automática. Ou que...

que uma instância precisar da outra, isso está automatizado. Mas não é isso que a gente vê. O que a gente vê são instâncias estaduais que existiam muito a qualquer coordenação federal. E só mais uma questão, porque de novo o presidente Lula citou uma possível cooperação entre Brasil e Estados Unidos, citou mais uma vez aquele maior sonegador do país, não falou o nome, mas é Ricardo Magro.

E o quanto acha que a gente depende dessa colaboração, Maria Cristina? E como é que funcionaria com base nesse plano? Bem, Fernando, o que o Lula insiste no caso do Ricardo Magro é que na Cabo Noculto foi identificada a lavagem de dinheiro em paraísos fiscais americanos.

Particularmente no estado de Delaware, que tem um paraíso fiscal importante. Este investigado em particular, ele tem domicílio nos Estados Unidos, ele tem negócios nos Estados Unidos. Ele precisaria da colaboração dos órgãos de investigação nos Estados Unidos para que ele fosse...

também investigado lá e pudesse colaborar com os órgãos locais aqui na identificação dessa lavagem de dinheiro que também passa pelo...

pelo sistema financeiro americano. Então, é disso que o presidente está reclamando a colaboração. Essa colaboração já existe, mas, aparentemente, ela não está acontecendo na velocidade que o presidente deseja. Ela está acontecendo principalmente nas aduanas, na apreensão de armas. Armas que são exportadas pelos Estados Unidos e estão sendo apreendidas aqui nos portos brasileiros e nos aeroportos.

são armas que não estão declaradas ou estão declaradas por um valor aquém do valor legal. Então, é principalmente aí que está funcionando. São armas exportadas nos Estados Unidos para o Brasil. O Brasil está conseguindo evitar a entrada dessas armas ilegais. Agora, na lavagem de dinheiro nos Estados Unidos, isso está um pouco, digamos, poderia estar mais sério e poderia estar mais... Música

operante e a reclamação, pelo menos das autoridades brasileiras, é que não está. Muito bem. Maria Cristina Fernandes, conosco diariamente em Tudo É Política. Obrigada, Maria Cristina. Até amanhã. Eu que agradeço, Tati, Fernanda. Até amanhã. Voltar dos ouvintes.

Anunciantes1

megaphone.fm

ad choices
external