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'Química com Trump está rendendo para Lula'

13 de maio de 202610min
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A pesquisa Genial/Quaest divulgada, nesta quarta-feira (13), mostra que o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro estão tecnicamente empatados, em um eventual segundo turno, mas com o petista numericamente à frente. Lula aparece com 42% das intenções de voto, contra 41% de Flávio. Ouça a análise de Vera Magalhães.

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Participantes neste episódio3
S

Sardemberg

Host
C

Cássia

Co-hostJornalista
V

Vera Magalhães

ConvidadoJornalista
Assuntos7
  • Relação Lula-SupremoLula · Trump · Assembleia Geral da ONU · Sanções ao Brasil
  • Estratégia eleitoral de antagonismoLula · Família Bolsonaro
  • Pesquisa Genial/QuaestLula · Flávio Bolsonaro · Pesquisa Genial/Quaest
  • Medidas econômicas do governoDesenrola · Reforma do IR
  • Atuação de Lucia na políticaVorcaro · Sistema Político · Governo Lula · Oposição
  • Derrotas do governo no CongressoMessias · Vetos
  • Notícias sobre o governoNotícias Positivas · Notícias Negativas
Transcrição29 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. Viva a voz, com Vera Magalhães.

Vera com a gente aqui no estúdio, tudo bem, Vera? Oi, Sardemberg, tudo bem? Boa tarde para você e para a Cássia, para os nossos ouvintes, também para quem nos acompanha por imagem. Boa tarde, Vera. Nós vamos falar da pesquisa Quest, começando por um ponto muito específico e muito curioso.

que é o fato de o encontro entre o Lula e o Trump, as relações entre Lula e Trump terem sido bem avaliadas e bem avaliadas favoravelmente ao presidente Lula. E o Trump era, digamos assim, um suposto trunfo dos bolsonaristas.

Então, essa pesquisa mostrou que a população apoiou o encontro, vê como positivo e dá mérito ao presidente Lula.

Exato, Sardenberg. A química está rendendo para o Lula, tal da química. Se você pensar que há um ano o cenário era de sanções ao Brasil com tarifaço e sanções a autoridades brasileiras pela lei Magnitsky, realmente o cenário desanuviou, desde que eles se encontraram na Assembleia Geral da ONU. Foi o turning point dessa relação lá em setembro, e o Lula colheu os frutos naquele momento.

a popularidade dele teve o melhor momento do ano logo após aquilo, nos meses de outubro, novembro. Aí voltou a piorar por fatores domésticos, aquela coisa do carnaval, preço de combustíveis, teve várias derrotas no Congresso. E agora essa leve melhora...

que tem muito a ver com o encontro dos dois na semana passada, ou pelo menos a percepção, essa percepção positiva a que você se referiu. Tem um indicador na pesquisa Quest que eu acho que ajuda a entender isso, que é até curioso, tem esse lado irônico que você fala, pelo fato do Trump sempre ter sido visto como um aliado do bolsonarismo e um trunfo do bolsonarismo para desgastar o Lula.

E também o fato de que nesse intervalo entre a última pesquisa Quest e a de agora, esse intervalo em que o Lula melhorou, ele teve duas derrotas graves no Congresso. A derrota do Messias e a derrota dos vetos, da derrubada do veto da dosimetria. E, no entanto, quando você pergunta para a população, quando a Quest pergunta...

Você tem visto mais notícias positivas ou negativas sobre o governo? Em abril, 48% diziam ver mais negativas e isso decresceu para 43%. E mais positivas subiu. Aí dá para dizer subiu porque é fora de qualquer margem de erro.

Quem dizia que tinha mais notícia positiva era 23% em abril e agora são 32%. Então, deu um salto. E a notícia mais positiva desse período, sem dúvida, foi o encontro do Lula e o Trump. O Lula surfou muito nisso. Teve o anúncio de uma série de medidas, mas essas medidas até aqui, sem muito tempo de surtir efeito.

Entre as medidas anunciadas, eu acho que o destaque fica mesmo para o desenrola, porque a situação do endividamento é muito grave. E aí, se você der um overview na pesquisa e olhar todos os indicadores, Lula melhorou muito entre renda média, escolaridade média, melhorou muito entre as mulheres, que eu acho que é um público muito sensível a essa coisa de estar endividado e deixar de estar endividado.

Então, eu acho que das medidas todas, o desenrola é aquela que tem o maior potencial de recuperação, tanto da imagem quanto da votação dele. 50% do total ouvido pela Quest acha que a medida é boa e mesmo entre os bolsonaristas, o apoio supera a rejeição a essa medida.

E também ali na pesquisa se vê que o conhecimento da medida é bastante amplo. Bastante amplo. Muita gente diz que conhece e muita gente aprova. Isso era muito parecido com o que acontecia com a reforma do IR no começo.

E aí, com aquela maré baixa do Lula, quando ele ficou ali mal nesses primeiros meses, principalmente depois do carnaval, as pessoas passaram a demonstrar mau humor até com a reforma do IR. Diziam que esperavam que tivesse impactado a sua vida, mas que não tinha impactado tanto. E agora, nessa onda de leve recuperação, até a reforma do IR passou a ser mais bem considerada de novo.

Agora, Vera, em relação à repercussão dessa pesquisa, o que você apurou? O Cássio, eu falei com integrantes do Palácio do Planalto, que me disseram que a pesquisa bate com o que mostram os trackings deles. O que são trackings? São aquelas pesquisas mais rápidas, com público menor, feitas por telefone, mas feitas diariamente, para medir mesmo o pulso. Quer dizer, cada lado, cada candidato faz o seu, né?

O Casa Candidato faz o seu e o Palácio do Planalto faz o seu também. E eles já vinham detectando, desde o encontro com o Trump, uma melhora que eles dizem ter sido de 3 a 4 pontos na avaliação do presidente, o que bate mais ou menos com os dados da Quest. Do lado do bolsonarismo, eu entendi uma certa perplexidade, foi o que eu colhi principalmente.

Desse aspecto positivo do encontro com o Trump era algo que eles não esperavam, então houve uma reversão de expectativa em relação a isso, mas também com o fato de a derrota cachapante que o Lula sofreu no Senado, com a rejeição do nome do ministro do Supremo, primeira vez desde Floriano Peixoto, não ter mexido em nada.

negativamente para ele. Pelo contrário, parece haver, quando a pesquisa pergunta sobre isso, uma certa percepção dividida de que se foi bom rejeitar o nome do Messias ou se foi ruim. O Palácio acha que o feitiço virou contra o feiticeiro, que como ele não foi rejeitado por nenhuma questão técnica ou ligada à sua índole, portanto uma questão moral, e sim meramente por questão política.

Isso ajudou a reforçar o discurso do Lula de que ele é vítima de um sistema. E o que eu apurei é que a ordem é continuar nesse discurso antissistema para caracterizar o Lula como um governo, como um presidente, o seu governo como uma gestão que atuam para aqueles mais desfavorecidos, toda aquela cantilena que eles vêm fazendo desde o ano passado.

E no lado da terceira via, dos candidatos que tentam se colocar como terceira via, uma decepção pelo fato de ter se arraigado a polarização e não o contrário. Os dois passaram a concentrar a maior fatia do eleitorado e um maior percentual de pessoas passou a dizer que está com o voto definido, que não vai mudar mais. Então, a brecha que havia e que já era minúscula para uma terceira via se estreitou ainda mais.

O último ponto, Vera Vorcaro, a percepção das pessoas entrevistadas pela Questa, a percepção da população é que o caso Vorcaro afeta negativamente todo o sistema político.

Todo o sistema político. Isso também foi comemorado no lado lulista, porque escândalos geralmente tendem a ser deslocados por colo dos governos de turno. Isso estava acontecendo muito até a pesquisa anterior, principalmente pelo envolvimento do filho do presidente, no caso do INSS. E agora isso deu uma diluída. Existe essa percepção difusa de que os escândalos atingem indistintamente todo mundo. Então, o governo respirou aliviado com isso.

e imagina que daqui para frente o caso Master pode também atingir fortemente a oposição. Até aqui não aconteceu, tá? A pesquisa Quest mostra que, por exemplo, a operação contra o senador Sino Nogueira também não foi um grande fator levado em conta pelo eleitor. Muita gente nem tomou conhecimento disso. Então, por enquanto, o caso Master não atinge muito claramente nem o Lula e nem o Flávio Bolsonaro.

E é curioso, só para concluir, como certos assuntos que a gente trata muito aqui, a população nem dá bola, que é o caso do Messias. Eu fiz até o Meia Culpa com a Cássia e o Milton hoje de manhã, porque para mim, uma derrota dessa magnitude mexeria alguma coisa no cenário eleitoral. Mas não aconteceu por enquanto, Sérgio Inveres. É, por enquanto.

Um último ponto para eu salientar, antes da gente encerrar, porque eu acho que isso é importante. Numa eleição assim tão polarizada, a guerra tende a ser de rejeições. E a gente tem nessa pesquisa uma troca de posições. Quando você pergunta se tem mais medo da permanência do Lula ou da volta da família Bolsonaro ao poder, fazia dois meses em que mais gente tinha medo da permanência do Lula.

do que da volta do Bolsonaro ao poder. E agora essa curva se inverteu, fez um X. Então 44% tem mais medo da família Bolsonaro e 42% do Lula. É um empate rigoroso, empate técnico, mas as posições se inverteram levemente.

Vera Magalhães, muitíssimo obrigado, Vera, e até amanhã aqui no CBN Brasil, até logo mais no ponto final. Combinado, até lá, um ótimo jornal para vocês. Até mais, Vera. Em um mundo cheio de respostas, nós escolhemos fazer as perguntas certas. Somos a Trilha, especialistas em perguntas que movem empresas.

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