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Gen Z: a geração que desaprendeu a desejar

13 de maio de 202611min
0:00 / 11:56
Novo levantamento mostrou como a Geração Z está organizando sexo, intimidade e vínculos. Eles estão transando menos, passando mais tempo online e substituindo experiências presenciais por estímulos digitais rápidos e constantes. Redes sociais, aplicativos e excesso de conexão começam a impactar não apenas hábitos cotidianos, mas a própria forma como desejo, afeto e presença são construídos. Ouça comentário do Michel Alcoforado.

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Participantes neste episódio3
F

Fernando

HostJornalista
T

Tati

HostApresentadora
M

Michel Alcoforado

ConvidadoAnalista
Assuntos3
  • Preferências de relacionamento da Geração ZImpacto das telas e tecnologia · Redução da prática sexual · Preferência por interações online · Geração do não querer · Busca por satisfação individual
  • Vulnerabilidade em RelacionamentosSatisfação garantida sem risco · Medo de ser mal entendido ou chateado · Perda de habilidades sociais
  • Consciência Racial e IdentidadeMichel Alcoforado finalista · Bárbara Karine concorrente · Instituto de Igualdade Racial
Transcrição32 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Pra Onde Vamos, com Michel Alcorforado. Fala, Michel. Boa tarde. Boa tarde, Tati. Boa tarde, Fernando. Boa tarde, Michel. Estou muito curiosa para te ouvir sobre esse assunto. E o assunto é...

A geração que desaprendeu a desejar. Eu aposto que você está falando dos Gen Z.

É, dos genzimas dos mais jovens, né, Tati? A gente tem falado aqui a Bessa, não só nesse quadro na rádio, mas inúmeros pensadores do hoje, do contemporâneo, têm levado à baila a necessidade de a gente pensar do impacto das telas e da tecnologia sobre a vida das crianças. Mas a gente também não pode deixar de discutir aqui o impacto das telas e das tecnologias na vida dos mais jovens.

E acabou de sair uma pesquisa publicada agora nos Estados Unidos, mas que revela algo que os dados brasileiros vêm mostrando um caminho parecido, é a relação dos mais jovens com tecnologia e como isso tem impactado a capacidade deles de desejar, mas também como tem impactado, sobretudo, o desejo sexual. Essa pesquisa mostrava que entre esses mais de 2 mil jovens que foram entrevistados...

30% deles diziam que não tinham tanta prática sexual, uma prática sexual frequente, mas mais do que isso, boa parte deles chamava a atenção pro fato que preferiam ficar rolando ali o feed nas redes sociais, comentando, compartilhando informações, vendo videozinho no TikTok, do que se relacionando com outras pessoas, afetivo e sexualmente, com outras pessoas da sua própria geração ou do seu entorno.

Isso revela um aspecto interessante, porque, para quem está ouvindo a gente, é quase um contrassenso. Como alguém que está na flor da idade, com os hormônios pululando, tentando tatear esse universo afetivo, se descobrindo sexualmente, abre mão disso em torno das telas.

E isso não é um fenômeno só do Brasil, mas é um fenômeno global que está muito relacionado com a disseminação e com a expansão das plataformas digitais e da tecnologia, ao ponto dos especialistas que já derem nome para esse negócio. Chama a grande... Traduzindo de forma bem rápida aqui, sem nenhuma preocupação estilística.

seria a grande geração do não querer. Do não querer relações afetivas, sexuais, mas do não querer nada também, né? Uma geração meio apática diante dos dilemas que estão sendo apresentados pela vida. E o que esse movimento tem chamado a atenção dos especialistas de uma forma muito interessante é que ela revela coisas muito mais do que só a maneira como a gente se relaciona com as telas ou com as relações sexuais de um jeito geral. Revela uma nova posição de estar no mundo.

que está muito atrelado a três grandes movimentos. O primeiro deles é como a tecnologia acirra de uma maneira claríssima e acentua o crescimento de uma busca maior pela nossa satisfação individual do que pela troca com o outro.

Então, ninguém duvida que esse mundo que a gente está vivendo, marcado e atravessado fortemente pelos individualismos, tenha impactado a maneira como a gente se relaciona com os outros, a forma como a gente pensa a família, como a gente pensa a comunidade, mas também como a gente pensa a vida em sociedade. Mas tem um outro movimento muito interessante dentro desse jogo também, que abre brechas para a gente pensar sobre o nosso tempo, que é a ideia do risco de encontrar o outro.

Quando alguém prefere ficar ou consumindo conteúdo nas redes sociais ou dando conta de ficar interagindo com os outros via uma plataforma dessa ou só se satisfazendo com o short de dopamina com um novo videozinho que apareceu no TikTok, você está mostrando ali, ou está reforçando uma ideia de que quando eu estou sozinho com o meu celular, eu garanto a satisfação sem nenhum risco de encontro com o outro.

E toda vez que você põe o nariz na rua, seja para encontrar uma gêmea, para fazer uma compra na padaria mais próxima ou para ir para o teu ambiente de trabalho, todo encontro com o outro é permeado pelo risco de sair chateado, de ser mal entendido, de não conseguir falar, de não sair completamente satisfeito.

E o que esses jovens têm mostrado é que eles estão preferindo ficar sozinhos com a tela, que garante satisfação de forma plena e completa, ao invés de correr o risco.

de entrar em contato com os outros. Então, sem o outro não tem desejo, sem o outro não tem movimento, sem o outro a gente não consegue dar conta das nossas necessidades e desejos, em que dimensão seja, e sem o outro a gente também não tem risco, sozinho você não tem risco de nada, está tudo certo, só que você também deixa de viver. Então, as novas gerações estão resolvendo esse dilema muito por conta do impacto da tecnologia.

de uma forma arriscadíssima, é importante a gente ficar atento. Tudo isso não causa mais problemas, ansiedade, adoece?

Com certeza, né? Com certeza. Não por acaso, um dos termos mais falados agora nos últimos anos é o termo da tal da saúde social, né? A gente vai se dando conta de que pra você estar bem com você mesmo, não adianta só você cuidar de si. Em termos do autocuidado com o seu corpo, autocuidado com a sua saúde mental.

ou possível autocuidado espiritual que você tenha que ter consigo mesmo, você precisa dos outros para fazer tudo isso. Quando a gente só se preocupa com a gente, não olha para o colega do lado, ou não se preocupa em construir um ambiente que produza mais bons momentos do que péssimos momentos, ou seja, quando a gente não inventa um bem viver, uma vida em comunidade, que possa ter mais gente com mais momentos felizes do que com momentos de solidão, ansiedade e tristeza...

a gente vai vivendo pior. Então, dentro desse processo todo, você olhando para a tela do celular, você está acirrando uma satisfação momentânea, mas complexificando toda oportunidade de inventar um mundo que seja melhor para todo mundo viver.

E, Fernando, só para fazer mais um adendinho, a grande questão que se coloca em relação à ansiedade é que a ansiedade é uma das doenças do tempo, né? Você fica muito ansioso quando dá conta ou quando espera que a tua vida ande para frente ou que você resolva as questões que apareçam aí na sua frente numa velocidade maior do que a vida é capaz de resolver. Sim. Com o celular na mão, obviamente, os ciclos de ansiedade vão aparecer com mais frequência.

porque você está parado, olhando para a tela de um celular, preso no seu quarto, tendo de resolver aquilo que cobra de você movimento. Então, não é por acaso que solidão, ansiedade, são palavras que a gente tem se acostumado cada vez mais a ouvir quando está preocupado em entender esse mundo que a gente está vivendo.

E o antídoto pra isso é a presença, né, Michel? Na presença, acho que a gente descansa um pouco dessa doideira, desse ritmo. E nesse descanso, talvez seja mais fácil ouvir o nosso desejo, não?

É, muito interessante. Eu encontrei umas amigas no final de semana, foi no final de semana, na segunda-feira, sei lá, e no final, óbvio, né, você sai de um encontro desse com amigos que você não vê há muito tempo, e aí você manda sempre aquela mensagenzinha pra reforçar o quanto foi bom estar junto. E uma delas falou uma frase que me marcou, ela disse...

Que bom, eu estava com tanta saudade de só estar. É. De só estar. E o que é só estar? Só estar é quando você está junto daqueles que você confia e que são parte do teu círculo, onde você não precisa estar preocupado com mais nada, a não ser a conversa ou a conexão, a presença com os outros.

Só que, qual é o jogo, Tati e Fernando? É que todo encontro com o outro envolve um risco, né? Envolve o risco que vai cobrar não só a possibilidade de você não sair satisfeito do encontro, mas também um esforço conjunto para fazer dar certo. Então, todo encontro de amigos, por mais que vocês se gostem muito e não se vejam há tanto tempo, cobra um esforço de todo mundo que está naquela interação trabalhar duro para todo mundo sair feliz no final.

Chegamos numa conversa que vai deixar alguém chateado ou vai mudar o ânimo de alguém. A gente contorna. Essa habilidade a gente está perdendo, né? Porque precisa de treino, treino com os outros. Os almoços de família, os encontros de Natal eram mais fáceis no passado, porque a gente encontrava mais a família. E aí você entendia que tipo de assunto não dava pra conversar, qual era o jeitinho de cada um. E a gente ia fazendo igual água com rocha, sabe? Ao invés de tentar empurrar a rocha, você fica contornando.

E isso a gente aprende desenvolvendo habilidades sociais e também convive com o outro. No final, é assim que fica todo mundo melhor. Muito bem. Michel Conforado conosco. A segunda, as quartas e sextas, hein? Pra onde vamos? Obrigada, Michel. Um beijo até sexta-feira. Um beijo até sexta-feira. Hoje eu tô em prêmio, hein? Tu sabia que eu tenho prêmio hoje? Você tem o quê? Eu vou concorrer a um prêmio hoje. Ah, como, cara? Isso é verdade. Você é finalista de um prêmio.

É, eu sou finalista, mas eu tô torcendo mesmo por Bárbara Karine, que concorre comigo nessa categoria. Eu sabia que você ia fazer isso. É verdade, porque Bárbara Karine, autora de 15 livros, ganhadora do Prêmio Jabuti, já esteve aqui nesse quadro há tempos atrás. Eu sou fã de Bárbara Karine, se eu pudesse votar, eu tinha votado nela. Isso é perfeito. Mas qual é o prêmio, cara?

É um prêmio. O IDBR, que é o Instituto de Igualdade Racial, faz um prêmio anual, que até é muito apoiado pela TV Globo. Hoje a gente vai ter a cerimônia, mas o prêmio vai passar depois do Fantástico, no dia 24. E é um prêmio que tem várias categorias pra pensar como é que a gente pode inventar uma sociedade onde a igualdade racial seja um tema. E aí, eu tô concorrendo na categoria X-Chicérrimo, tá? Intelectualidade.

Eu botei até meu óculos, né? Tu acha que eu não ia esquecer meu óculos?

Adoro, adoro Bárbara e Karine, hein, Bárbara e Karine Tô com ela Boa sorte pros dois Tomara que vocês ganhem Tomara que vocês tudo ganhem A gente ficou feliz, eu, Bárbara e o Cuicuro Que é um outro concorrente Porque a gente disse que quem ganhar, os outros ganharam também Legal, bom é assim Porque a gente admira Concorrente bom é concorrente assim Obrigado Um beijo, Michel Até sexta

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