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Letra 'p' deve ser pronunciada em 'elíptico'?

13 de maio de 202613min
0:00 / 13:14
Uma ouvinte de Recife (PE) pergunta se a letra "p" da palavra “elíptico” deve ser pronunciada ou não. O professor Pasquale explica. Ouça.

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Participantes neste episódio9
F

Fernando

HostJornalista
P

Professor Pasquale

HostProfessor
T

Tatiana

Host
A

Antônio Carlos

ConvidadoCantor
C

Caetano Veloso

ConvidadoCantor
G

Gilberto Gil

ConvidadoCantor
J

Jocaf

ConvidadoCantor
L

Larissa Lopes

ReporterJornalista
S

Sara Siqueira

Convidado
Assuntos5
  • Pronúncia da letra 'p' em 'elíptico'Pronúncia de 'p' em 'elíptico' · Elipse na geometria · Elipse na gramática · Conceito de 'p' mudo · Diferenças entre Brasil e Portugal na pronúncia
  • Comunicação e alinhamento entre timesUso de 'contato' e 'contacto' · Verbo 'contatar' vs 'contactar' · Gilberto Gil
  • Língua PortuguesaVerbos como raptar, adaptar, captar · Flexão verbal de verbos com 'p' · Caetano Veloso
  • Pronúncia de 'intelectos'Pronúncia de 'intelectos' · Antônio Carlos e Jocáfi
  • Norma Culta e Variações LinguísticasUso de 'seção' e 'seccionar'
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Foi embora. Agora falei com a equipe do senador e pré-candidato à presidência da República e a informação é que logo haverá uma manifestação do senador e pré-candidato. E a gente, então, assim que tiver, a gente traz aqui. Tatiana. Obrigada. Larissa Lopes, em Brasília, 4 e 9. A nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale.

Oi, professor. Boa tarde. Boa tarde, Tatiana. Boa tarde, Fernando. Boa tarde. Boa tarde, ouvintes. Hoje, dúvida de Sara Siqueira, do Recife, Pernambuco. Diz assim, professor, como é que fica o P na palavra elíptico? Esse P é mudo ou devemos pronunciá-lo, como eu fiz há pouco? Que bela palavra. É, bela palavra e tem mais de um significado, né? A gente usa...

na geometria e na gramática. Eu não vou me atrever aqui a falar de geometria, não é assunto meu, mas existe a elipse na geometria e na gramática, na língua, na estilística. A elipse é...

A omissão, né? A omissão de uma palavra que fica facilmente subentendida. Até em casos muito simples, como, sei lá, fiz. Você fez tal coisa? Fiz. Quando a gente diz fiz, a gente deixa subentendido o eu.

Esse eu está elíptico ou elítico. As duas formas existem, com P ou sem P. Agora, nós tendemos a chamar esse P de elíptico...

de mudo, a gente diz, ah, um P mudo, mas na verdade esse conceito de P mudo, que é popularíssimo, não é esse o conceito de letra muda que funciona nos estudos linguísticos, é outra conversa. Bom, então, começando, esse P, quando a gente escreve, a gente pronuncia, elíptico, elíptico.

E quando a gente não escreve, a gente não pronuncia, é óbvio, ele não está lá. Elítico, só que esse caso, elítico, que existe, tem registro, está nos dicionários. Fernando, se tiver com o dicionário aberto aí, pode escrever. Elítico, sem o P, e você vai ver o que ele diz. Se você abrir, depois você conta para mim o que ele diz. Diz, elíptico.

É, diz que é a mesma coisa que é elíptico. Só que quando ele faz isso, quando ele diz que mesmo que tal, isso quer dizer que a forma preferencial, a forma mais usada, a forma mais comum, é aquela outra, não é essa.

O último desacordo ortográfico criou uma situação interessante, porque, teoricamente, ele foi feito para que as grafias fossem unificadas. Que grafias? Brasil-Portugal. Então, no Brasil, a gente escreve recepção.

A recepção do hotel, né? Vá lá até a recepção. A gente escreve recepção e pronuncia recepção. A gente lê o que está escrito. Esse P de pato.

diferentemente do que a gente diz no dia a dia, não é mudo, ele é lido, ele é pronunciado. Em Portugal, esse P não é lido, né? Recessão. Você vai lá para o hotel e o sujeito diz, vá, recessão. Eles escreviam isso com P de pato, embora não lessem o P de pato. E depois do desacordo, passaram a escrever sem o P de pato.

Ou seja, para eles, o P de Pato em recepção, que eles liam e leem em recepção, para eles o P era mudo, o P não era lido, certo? Agora, existem algumas coisas que são muito interessantes. Eu vou rapidamente para os auxílios aqui, para a gente ampliar essa conversa. Eu começo com Caetano Veloso, cantando uma música cujo título eu não vou dizer.

CW2 Spoiler, uma canção que ele gravou em 1980 está no disco Outras Palavras. Vamos lá. Há uma cama boa, há uma mensagem à toa, de um quasar pulsando loa.

Interestelar, canoa. Leitos perfeitos, seus peitos direitos me olham assim. Fino menino, me inclino pro lado do sim. Rápido, me adapte, me capte, me desape de coração. Se querer, se merecer, ser um camaleão. Rápido, me camaleoa.

Isso é uma maravilha, né? O Caetano usa vários verbos que popularmente tem o P mudo, né? Raptar. As pessoas dizem que esse P é mudo, mas como eu expliquei, esse P não é mudo, ele é lido.

em português, né? Rapt-me, camaleou, ele usa raptar, adaptar, captar, que são verbos que complicam a vida de muita gente, muita gente na hora de flexionar, acaba dizendo adapite, eu opito e por aí vai, no padrão formal, não, esse P não é seguido de...

De vogal é eu rapto, eu adapto, eu capto. E ele faz até uma brincadeira com outras línguas, né? Rapte-me, adapte-me, capte-me, it's up to me. Que é uma expressão inglesa cujo som lembra it's up to me, it's up to you. Tanto faz para mim, para você, se eu não me engano, é esse o sentido.

E depois, adapte-me ao seu Nemekitpah, que é o nome de uma música, de um compositor belga, música muito famosa, Nemekitpah, que é o Não Me Deixe, Não Me Abandone.

Bom, então nós vimos aí que esses pês não são mudos, eles são lidos, tá? Bom, outro auxílio agora é uma canção antiga dessa, os mais velhos se lembrarão dela. Você abusou, Antônio Carlos e Jocaf, lembram-se deles? Sim, sim. Fizeram um baita sucesso na década de 70.

composição deles, interpretação deles. Vamos lá, há uma palavrinha aí interessante.

Se o quadradismo dos meus versos Faz encontro aos intelectos Que não usam coração

Se o quadradismo dos meus versos vai de encontro aos intelectos, e vai de encontro mesmo, porque é choque, aos intelectos. Esse ser de intelectos também não é mudo, porque a gente lê.

A gente pronuncia. E, por fim, um auxílio rapidíssimo, Gilberto Gil, que vai mostrar para a gente uma coisa muito interessante. A música é pela internet, que eu já toquei por outras razões, do disco Quanta, de 97. Prestem atenção, há uma palavrinha aí que é muito interessante. Vamos lá.

Juntava e a internet um grupo de dietes de Conectocard.

E aí

Que lá na Praça 11 tem um videocooker para se jogar. E aí, professor? Fernando e Tati, vocês usam mais a palavra contato, manter contato ou manter contato? Não, sem ser, né?

Sem C. E as duas existem no português do Brasil. E quando a gente escreve com C, a gente pronuncia. Contato, contacto. Tanto faz, só que contato dá de 99 a 1. Agora, o que o Gilberto Gil disse aí? Eu quero entrar na rede para...

Promover um debate. Não, para contactar. Mais para frente. Contactar. Veja só, a gente usa 99 a 1, contato, mas a gente não usa contatar, né? A gente usa contactar, não é verdade?

A gente, como fez o Gilberto Gil aí, embora seja possível contatar, mas o que a gente usa mesmo é contactar. Quer ver outro caso? A gente entra no supermercado e quer comprar lá, sei lá eu, mozzarella fatiada na hora, vai até a sessão de frios, não é isso?

Seção, como é que se escreve essa seção de fritos? Com S no começo e C com cedilha no meio, não é isso? E qual é o verbo que significa transformar em seções, em partes, em pedaços? O verbo é seccionar, com CC, embora exista o verbo seccionar, que ninguém usa.

Ou seja, essa coisa do C e do P é uma coisa muito interessante e no Brasil ela acontece de um jeito, em Portugal acontece de outro jeito, é bem diferente. Então é isso, querida ouvinte, pode ser elíptico com o P que não é mudo porque é pronunciado ou elítico sem o P e, portanto, não existe a letra P nessa outra opção. Então é isso.

Muito bem. Obrigado, professor. E até amanhã. Um beijo. Beijo pra vocês. Agradeço a um dos meus filhos, que é engenheiro e oceanógrafo, mandou pra mim aqui a definição de elipse na geometria. Eu amo. Família inteira envolvida nesse quadro. Isso se chama auxílio luxuoso. Isso.

Isso é que é o símbolo do chão. Eu vou ler aqui pra vocês um dia. Beijo. Um beijo. Estúdio CBN

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