Episódios de Comentaristas

‘Brasil tem ficar de olho e reforçar as relações com a China’

14 de maio de 20266min
0:00 / 6:12
Carlos Alberto Sardenberg faz uma análise do encontro de Trump com Xi Jinping na China. Comentarista detalha o interesse do Brasil nessas conversas. ‘Um acordo comercial entre Estados Unidos e China pode ter impacto na pauta de comércio externo brasileiro’. Exportadores brasileiros estão de olho nessa negociação dos EUA com a China. Outro tema é a questão das terras raras. Ouça.

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Participantes neste episódio3
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
C

Cássia

ConvidadoJornalista
M

Milton

ConvidadoJornalista
Assuntos2
  • Terras RarasProdução e exportação chinesa · Potencial produtivo brasileiro · Reservas no Brasil · Mineração · Alta tecnologia · Baterias para carros elétricos
  • Sistema internacional e geopolíticaRelações com a China · Acordo China-EUA
Transcrição15 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Linha Aberta, com Carlos Alberto Sardenberg. Muito bom dia para você, Carlos Alberto Sardenberg. E aí, Milton, Cássia, muito bom dia, ouvintes. Bom dia, Carlos Alberto.

Sardenberg, nós estamos acompanhando o noticiário internacional, a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China. É um momento importante dessas negociações. Agora, qual é o interesse que o Brasil pode ter nessas conversas de lá?

Olha, Milton, o Brasil é um grande exportador de commodities para a China e exporta especialmente soja. Os produtos mais importantes seriam soja, petróleo, mineiro de ferro e carnes.

Tirante o minério de ferro, o Brasil compete com os Estados Unidos nos outros três mercados, quer dizer, nas exportações para a China. Aliás, quando houve os primeiros desentendimentos entre Estados Unidos e China, com os Estados Unidos colocando taxas elevadas para os produtos chineses, para a importação de produtos chineses,

Os chineses reagiram colocando restrições às importações de produtos americanos, entre os quais a soja. E o Brasil se valeu disso. As exportações brasileiras de soja cresceram muito para a China, na medida em que a China deixou de exportar produtos americanos, soja americana. O resultado é que a China hoje absorve cerca de 80% da soja brasileira exportada.

E os Estados Unidos têm soja para exportação. E se os Estados Unidos, por exemplo, fizerem um acordo com a China, estabelecendo, por exemplo, regras, enfim, facilitando a exportação e importação de commodities, por exemplo, isso pode ser um desafio para os produtores brasileiros.

O Brasil exporta petróleo para a China, os Estados Unidos também são exportadores de petróleo. E o Brasil exporta carnes para a China e os Estados Unidos também podem exportar carnes para a China. Então, digamos, um acordo comercial entre Estados Unidos e China...

pode ter impacto na pauta de comércio externo brasileiro. Então esse é um ponto. Teve um momento em que esse conflito entre Estados Unidos e China, essa disputa entre Estados Unidos e China favoreceu o Brasil, favoreceu a soja brasileira, e agora corremos o risco de haver um acordo americano.

e aí prejudicar a exportação brasileira de soja. Os exportadores brasileiros estão de olho nessa negociação dos Estados Unidos com a China. E outro tema, Milton, é a questão das terras raras. Hoje a China é responsável pela maior produção e exportação desse produto.

O Brasil é um potencial produtor de terras raras. Tem reservas importantes já detectadas e pode vir a ser um exportador importante desse minério. O Lula tem falado bastante disso.

E pode ser para os Estados Unidos, que são grandes importadores dessas terras raras da China, o Brasil pode ser uma alternativa à compra de produtos na China. Mas o Brasil precisa muito ainda desenvolver a sua mineração nessa área, mas é um tema que interessa a economia brasileira. Esses dois temas interessam claramente à economia brasileira. Um atual já registrado, que seria a competição.

entre a soja brasileira e a soja americana, e depois a questão do mercado futuro, das terras raras. O Brasil possui reservas importantes, potencialmente entre as maiores do mundo, em Minas Gerais, Goiás, Amazonas e Bahia. Mas o Brasil ainda explora pouco essas reservas e elas se tornam cada vez mais importantes na economia mundial, porque essas terras são importantes para a produção.

para a fabricação de produtos de alta tecnologia, inclusive de baterias para carros elétricos, por exemplo. Então é isso, quer dizer, na geopolítica global, o Brasil tem que ficar de olho e reforçar suas relações com a China.

na expectativa de que um acordo China-Estados Unidos, sabendo-se que um acordo China-Estados Unidos de comércio pode prejudicar o comércio externo brasileiro. É isso aí, Milton. Muito obrigado pela sua análise, Sardenberg. Até logo mais, ou meio-dia. Até logo mais e seguimos com a Operação Compliance.

Operação Complice, caso Flávio Bolsonaro. Matéria-prima não falta para o trabalho. Até mais. Até mais. Tchau, tchau.

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