Áudios enviados em grupo de condomínio no WhatsApp podem ser usados como prova?
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- Grupos de WhatsAppUso como prova judicial · Proteção legal para áudios vazados · Grupo de condomínio como ambiente privado · Calúnia, difamação e injúria em grupos · Cyberbullying
- Comunicação DigitalObrigatoriedade de pensar antes de enviar áudios · Consequências de afirmações em áudios · Encaminhamento de mensagens para terceiros
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. CBN Morar Bem, com Márcio Raskorski. Fala, Márcio. Bom dia. Oi, Marcela. Bom dia. Bom dia, Márcio. Oi, Nadeja.
Márcio, isso tem uma terra de ninguém, virtual, é grupo de condomínio. Sai cada coisa lá, hein? É, mas mais ou menos, viu? É terra sem lei, mas tem lei. É. Então, a gente vive hoje tudo o que está acontecendo hoje aqui no nosso país por conta de um áudio de WhatsApp, não é isso?
Cada vez mais a gente tem visto isso, né, Márcio? Áudios de WhatsApp vazados, ou uma pessoa que manda um áudio pra outra e aí esse áudio é encaminhado e acaba virando prova depois contra essa primeira pessoa que enviou, enfim. É isso, né? Tem algum tipo de proteção nesse sentido pra grupo de condomínio? Não, não tem proteção. E isso tem sido...
É muito comum que as pessoas que estão num grupo de vizinhos acham que ali elas podem falar o que elas quiserem e que é um ambiente, entre aspas, privado.
E que se ela falou alguma bobagem, aquilo não deve sair de lá. E se sair de lá, é crime. E não é nada disso. Quando você está num grupo com 200 vizinhos e você fala alguma coisa, pode ser uma mensagem preconceituosa, uma mensagem de ameaça.
Aquilo pode ser encaminhado para qualquer outra pessoa e não é crime encaminhar. Você pode encaminhar direto para o delegado de polícia, você pode encaminhar para a pessoa que foi ofendida, você pode encaminhar para o seu amigo, que o seu amigo ouviu por curiosidade. Não é um ambiente totalmente protegido que você não pode tirar do contexto uma mensagem e mandar para outra pessoa. Por isso, quando você vai mandar um áudio, você tem que pensar mil vezes e mandar o áudio corretamente. Então, eu já vim em condomínio...
Alguém fala assim, nossa, você viu aquele cara do 22? Nossa, ele chegou bêbado e ele é um lixo, e ele é isso, e ele é aquilo.
E o cara não tá no grupo. Só que alguém que gosta dele encaminha essa mensagem. Aí o cara vai lá e fala, opa, essa mensagem tá me caluniando, tá me difamando. Eu não cheguei bêbado coisa nenhuma, eu não sou um lixo, eu sou um cara do bem. Eu moro aqui com a minha família. Esse cara vai lá na delegacia e faz um boletim de ocorrência. Por injúria, por calúnia, e ele tem razão. E aí a pessoa que mandou a mensagem fala, ah, mas eu mandei num grupo, é privado.
Ele nem faz parte do grupo, mas não importa. Você mandou a mensagem, você assume tudo o que você falou lá. Então, não é terra sem lei e não é um ambiente protegido, é um ambiente livre. E quem está no grupo de condomínio tem que entender isso. Quantas vezes que eu já vi alguém escrever, ah, não sei, não, esse síndico, hein? Acho que ele está roubando o nosso dinheiro, está tudo superfaturado.
E o síndico não está no grupo, mas alguém que gosta do síndico manda para o síndico, fala, ó síndico, qual que estão falando de você? Aí a pessoa fala, ah, mas eu não falei para o síndico, eu falei aqui entre nós. Não importa, você responde, tem as consequências.
não importa se é num grupo com a sua família, com seus amigos ou com seus vizinhos. Então é isso, mandou o áudio, responde por aquilo que você afirmou no áudio. É simples assim. Tem muito grupo de condomínio que vira notícia, hein, Márcio? Inclusive, várias vezes já apareceu na imprensa print de grupo do condomínio.
Onde mora o ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília, né? Nas ocasiões em que ele foi preso, foi solto, foi pra prisão domiciliar. Então a gente sabe que essas mensagens encontram um jeito aí de sair desses grupos. Tem que todo mundo se responsabilizar pelo que fala. Até aquelas que são ocultas, viu? Tem que tomar cuidado também. Visualização única. Exato. E aí tem uma linha muito tênue, uma linha muito delicada entre o que é uma fofoca...
que às vezes é uma coisinha boba, uma fofoquinha, um boato, e o que é injúria, calúnia, difamação, imputação de crime. Hoje em dia tem cyberbullying, às vezes pode configurar cyberbullying. Então, nossa senhora, é tão delicado, e é uma linha tão fina, tão tênue.
Que na hora de você mandar uma mensagem num grupo de vizinho, é melhor mandar por escrito, precisa ser muito comedido, não pode fazer ilação. Tem gente que faz ilação, fala, ah, não sei não, hein, tô achando que isso aqui tá estranho. Pronto, já tá colocando em xeque a idoneidade de alguém. Então, não é...
Terra sem lei e não existe proteção para você falar, mas eu só mandei para esse grupo de vizinhos, alguém de má fé encaminhou para o terceiro. Não é má fé. Você encaminhar para o terceiro, não é má fé. Você deu ciência para o terceiro que tinha alguém imputando alguma coisa para ele ou caluniando ou difamando. E é assim que funciona. A gente responde por aquilo que a gente fala.
Márcio Raskowski, obrigada por hoje, Márcio. Até amanhã. Valeu, até. Valeu, até. Em um mundo cheio de respostas, nós escolhemos fazer as perguntas certas. Somos a Trilha, especialistas em perguntas que movem empresas. Um time de cientistas com visão empreendedora e conhecimento em negócios, trilhando soluções estratégicas com dados e inteligência aplicada. Um negócio com selos de confiança e inovação da B3.
Conheça a trilha. Pensar fora da curva é o melhor caminho.
CBN
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