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'Flávio Bolsonaro terá dificuldade de explicar intimidade em diálogos com Vorcaro'

14 de maio de 20269min
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A divulgação da troca de mensagens e áudio entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, provocou uma crise no núcleo de apoio a pré-candidatura do presidenciável. Bernardo Mello Franco analisa o quadro e afirma que aliados "já estão com dúvida da viabilidade eleitoral dele".

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Participantes neste episódio3
C

Cássia

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
B

Bernardo Melo Franco

ConvidadoJornalista
Assuntos3
  • Conversa Flavio Bolsonaro e Daniel VorcaroFlávio Bolsonaro · Daniel Vorcaro · Banco Master · Pedido de dinheiro · Financiamento de filme · Lavagem de dinheiro · Intimidade e proximidade
  • Candidatura Flávio BolsonaroViabilidade eleitoral · Troca de candidato · Michele Bolsonaro · Romeu Zema · Ronaldo Caiado
  • Investigação da Polícia FederalEscândalo de fraude bancária · Superprodução sobre Bolsonaro · Eduardo Bolsonaro · Paulo Figueiredo · Dinheiro público · Golpes em correntistas
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Conversa de Bastidor, com Bernardo Melo Franco. E aí, Bernardo?

Boa tarde, Sartenberg, boa tarde, Cássia, boa tarde, ouvintes da CBN. Boa tarde, Bernardo. Bernardo, nos estúdios da CBN, Rio de Janeiro. Bernardo, bom, assuntos aqui não faltam. Eu queria ver qual o seu, qual o ponto de vista, qual o ponto que você vai nos comentar. Pois é, Sartenberg, o assunto, né, como dizer o...

Deputado Ulisses Guimarães, é sua excelência o fato. O fato é que o Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à presidência, foi flagrado pedindo dinheiro para o Daniel Vorcaro.

dono do Banco Master, hoje preso e negociando uma delação premiada. Isso, evidentemente, causa um grande rebuliço, uma grande reviravolta na campanha presidencial, porque o Flávio é o principal candidato da oposição e ele agora tem a sua imagem colada, colada a do Daniel Vorcaro, pivô do maior escândalo de fraude bancária da história do Brasil.

Esse caso tem muitas pontas ainda, Sartenberg e Cassia, que a gente vai precisar descobrir, quer dizer, vai precisar ligar. Uma das coisas que me chama mais atenção é o fato de que ele fez um pedido de dinheiro, ele alega ter feito um pedido de dinheiro para financiar um filme sobre o pai, um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. E tem hoje uma reportagem aqui no Jornal do Globo.

dizendo que o valor alegado para usar esse filme supera o orçamento de 15 dos últimos 20 vencedores do Oscar. A gente estava falando agora há pouco dessa reportagem, é impressionante, né? Inclusive algumas produções custaram assim, um terço, um quarto do valor, né?

Inclusive as produções brasileiras, né, que foram ao Oscar recentemente, né, disputar, tanto o Ainda Estou Aqui, que ganhou o melhor filme estrangeiro, quanto o filme mais recente do Cléber Mendonça, os dois, o Agente Secreto, os dois custaram muito menos. Então, o que seria essa tal superprodução sobre a vida do Bolsonaro?

E aí, mais uma ponta que ainda está solta nesse caso, que a Polícia Federal vai ter que investigar se, de fato, essa grana toda era para financiar um filme ou se esse filme estava servindo de instrumento para lavagem de dinheiro, ou seja, para a família Bolsonaro tomar dinheiro do Forcaro e aí usar para outros fins. Uma das hipóteses, já em investigação pela PF, é que esse dinheiro ajudaria a manter o ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

É curioso que até personagens envolvidos na produção do filme dizem que a produtora não recebeu nada. O Paulo Figueiredo, bolsonarista que vive lá nos Estados Unidos, disse isso. Então, se o dinheiro foi pedido para o filme e o dinheiro não entrou para o filme, para onde foi o dinheiro? Essa talvez seja uma das linhas prioritárias dessa investigação daqui para frente.

Para além do pedido de dinheiro, que já é grave em si, numa quantia tão alta, chegando a possivelmente 130 milhões de reais, tem algo que o Flávio Bolsonaro realmente vai ter muita dificuldade de explicar, Sarenberg e Cassa, que é a proximidade, a intimidade que transparece nesses diálogos dele com o Vorcaro. Numa das falas, numa das mensagens, o Flávio Bolsonaro diz, Irmão, estou e estarei contigo sempre.

Não tem conversa, meia conversa entre a gente. Essa mensagem foi mandada em 16 de novembro de 2025 e no dia seguinte, no dia seguinte, o Daniel Borcaro foi preso quando estava tentando fugir do país. Então, isso mostra que não era só uma relação comercial, era uma relação de proximidade, uma relação de amizade.

E o Flávio Bolsonaro vinha aí falando muito sobre o caso Mastel, apontando o dedo para o governo, dizendo que, enfim, os governistas precisavam se explicar. Agora ele obviamente fica na defensiva e a gente precisa também ver qual vai ser o impacto disso daqui para frente, não só na campanha dele, mas em todo o quadro da sucessão presidencial. Ontem à noite já tinha bolsonaristas falando reservadamente na hipótese até de uma troca de candidato da direita.

É cedo para a gente dizer se isso vai acontecer, se a campanha do Flávio Bolsonaro fica liquidada com esse episódio, se ele vai conseguir, enfim, para o público dele, pelo menos, fazer valer essas explicações. Mas o fato é que esse debate já começou. E quando isso começa numa campanha, é um sinal de muita preocupação, porque mostra que os próprios aliados já estão com dúvida da viabilidade eleitoral dele após esse episódio.

Tem gente defendendo uma eventual troca do Flávio Bolsonaro pela Michele Bolsonaro, a ex-primeira-dama. E os outros pré-candidatos da direita, obviamente, estão aproveitando para surfar nisso. Tanto o ex-governador Romeu Zema, do Partido Novo, quanto o ex-governador Ronaldo Caiado, do PSD. Os dois cobraram explicações do Flávio Bolsonaro e estão ali, Sardenberg e Kass, naquela situação do jogador que está se aquecendo na beira do gramado, esperando para ser chamado pelo treinador, achando que eles...

diante dessa crise na campanha do Flávio, poderiam eventualmente ser os depositários, os herdeiros dos votos da direita, dos votos bolsonaristas. Entre as... De novo, a gente precisa esperar um pouco para ver essa poeira decantar e ver também se não vão surgir novos elementos da investigação da Polícia Federal.

E entre as várias questões que apareceram nessa história, uma que acabou pegando muita gente foi o fato de o senador Flávio Bolsonaro primeiro ter negado tudo e poucas horas depois ter admitido no vídeo que pediu dinheiro, que a gravação dos áudios realmente era ele falando ali com o Vorcaro.

Pois é, Cássia, isso é mais um elemento de constrangimento. O Flávio Bolsonaro chegou a descartar o jornalista que estava fazendo a pergunta para ele. Na porta do Supremo Tribunal Federal. Era um repórter do site Intercept Brasil, que foi quem revelou em primeira mão essa história. E logo depois, horas depois, ele foi obrigado a admitir que os diálogos eram verdadeiros. Os diálogos estão, de fato, na investigação.

O Flávio Bolsonaro, ontem à noite, soltou uma nota e também gravou um vídeo para tentar se explicar, para se defender. E ele diz ali que, olha, não teve nada de mais porque era dinheiro privado. Mas alto lá, dinheiro privado não era exatamente a melhor definição para esse dinheiro do Banco Master.

Porque a gente sabe que o Daniel Vorcaro, ele se abastecia de duas fontes. A primeira era dinheiro público, dinheiro público de fundos de previdência, de prefeituras, de governos estaduais, a maioria, por sinal, chefiada por bolsonaristas. Só que no Rio de Janeiro o governo enterrou mais de um bilhão de reais dos aposentados em títulos podres do Master.

E, por outro lado, também, o Vorcaro já aplicava golpes em correntistas, golpes em mais de um milhão de pessoas que foram lesadas com esses papéis sem lasco financeiro. Então, não era bem o dinheiro privado. O segundo ponto é que ele também não era, o Flávio Bolsonaro, ele é um senador da República. Ele não é um produtor cinematográfico.

Então, quando um político vai a um banqueiro encrencado ou empresário encrencado e pede uma quantia dessa de dinheiro, já é sinal de alguma coisa que chama a nossa atenção e chama a atenção dos investigadores. E o terceiro ponto...

Sardenberg e Cassio, é que eu acho que a gente precisa agora ficar atento justamente para o que vem mais da investigação. O que surgiu ontem são diálogos, trocas de mensagem, inclusive um áudio na voz do próprio Flávio Bolsonaro, mostrando essa relação de intimidade e o pedido de dinheiro. Agora, tem que ver o que a PF vai conseguir avançar a partir disso e se ela vai conseguir rastear, seguir o dinheiro, esse dinheiro que seria para o filme, mas que sabe-se lá para que foi usado.

Bernardo Marofranco, muitíssimo obrigado Bernardo, até semana.

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