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Silêncio entre famílias: como melhorar a comunicação?

14 de maio de 20266min
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Leny Kyrillos ajuda a ouvinte Helena, do Rio de Janeiro, que pergunta o que fazer quando a família fica em silêncio – e se distancia – mesmo quando estão juntos? É uma questão que se reproduz em muitas famílias, e a especialista compartilha dicas de como incentivar a interação familiar, que é tão importante, novamente. Ouça.

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Participantes neste episódio3
C

Cássia

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
L

Lenny Kyrillos

ConvidadoEspecialista
Assuntos3
  • Silêncio familiar e comunicaçãoDiminuição de palavras faladas diariamente · Impacto do salto tecnológico na comunicação · Comunicação entre mães e filhos · Dicas para incentivar a interação familiar
  • Impacto das palavras e da comunicaçãoUniversidade do Missouri do Arizona · Redução de 28% no número de palavras por dia · Diferença entre gerações (mais velhos e jovens)
  • Uso de celular e redes sociaisUso de celulares em elevadores · Revista Veja - Matéria 'Sem Palavras' · Paula Freitas · Sara Sauber
Transcrição15 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

CDN comunicação e liderança com Lenny Quirilos.

Lenin, queridos, com a gente aqui no estúdio, como sempre, ou como quase sempre. Tudo bem, Lenin? Tudo bom, Sardenberg? Boa tarde, boa tarde, Cássia, boa tarde para todos. Boa tarde, Lenin. E como sempre, respondendo a pergunta de nossos ouvintes, hoje respondendo a pergunta de Helena, do Rio de Janeiro, que eu acho que é uma questão que ela levanta, que se reproduz em muitas famílias. Sim.

e muitos grupos. Ela disse que tenho notado que há cada vez mais silêncio quando a família está reunida toda em casa. Cada um fica no seu canto. O que eu faço?

É, uma situação delicada, como você disse, Sardenberg, bastante frequente, inclusive até de uma maneira já observada quantitativamente. Eu trouxe aqui o dado de uma pesquisa internacional que foi feita pela Universidade do Missouri do Arizona, universidades americanas, que constatou o seguinte, minha gente, o número de palavras pronunciadas vem diminuindo no decorrer do tempo.

Em uma década, houve a diminuição de cerca de 16.632 palavras por dia para 11.900 palavras por dia. Uma redução, em média, aqui de 28%.

E esse dado foi observado num grande grupo de pessoas, eles acompanharam 2.200 pessoas, distribuídas em diferentes faixas etárias, desde adolescentes, jovens, até pessoas mais idosas. Existe uma diferença entre as duas gerações aqui apontadas, tá? No grupo dos mais velhos, eles deixam de falar ou deixaram de falar 314 palavras por dia.

E no grupo dos jovens, 451 palavras por dia. 30% de diferença. Bom, a gente nota isso, né? Não precisa nem ir longe. A gente entra num elevador. Aconteceu hoje aqui comigo, chegando aqui no 11º andar da CBN.

tinham oito pessoas dentro do elevador, todas com o celular na mão, olhando pro celular. Nem dão bom dia, boa tarde. Pois é, isso que eu ia contar. Eu entrei e falei, boa tarde. As pessoas me olharam assustadíssimas. Parece que eu fiz uma coisa absolutamente atípica. Nossa, que estranha aquela mulher. Ela entrou no elevador, não estava no celular e ainda deu boa tarde. Pois é.

Não estava nem com o celular na mão. O que é isso? Pois é, gente. Isso vem acontecendo. Agora, é um fato. E é um fato que merece demais a nossa atenção. A revista Veja trouxe uma matéria essa semana, cujo título é lindo, Sem Palavras, de duas colegas de vocês, as jornalistas Paula Freitas e a Sara Sauber.

E elas contam como que o salto tecnológico que acabou acontecendo aí nos últimos anos acabou impactando nos nossos hábitos, no nosso comportamento de comunicação. Hoje, a gente tem resolvido muitas coisas por meio da escrita. A gente sabe que a escrita é restrita, as pessoas resumem super. Quem lê não consegue perceber nas entrelinhas o que acontece.

E pior, a gente está deixando de acessar áreas do nosso cérebro que a neurociência mostra que são essenciais para o nosso bom desenvolvimento e para o nosso bem-estar. Inclusive, chamou muito a atenção um outro dado que aparece na matéria, de que as mães estão falando 20% menos palavras com seus filhos, desde cedo. Porque a mãe está lá ao lado da criança, porém, olhando no celular o tempo todo.

E como a gente faz para falar mais, Lenin, que isso? Isso, nós temos que incentivar isso bravamente, Cássia. Primeiro, buscar ativamente oportunidades para conversar. Buscar se reunir com as pessoas, encontrar. Fazer ligações por telefone, quando a gente tem vontade de só mandar mensagem, ligar e falar. Ou até uma conversa online, mas que seja falada. Promover encontros temáticos, tipo grupos de leitura, de hobbies, de...

bebidas pra divulgar e conversar sobre. Conversar com a família. E aqui tem que ser uma força-tarefa, gente. Tem que se criar algum tipo de rotina. Quando o Léo era pequeno, meu filho, eu tinha um hábito com ele, Sardenberg, que toda noite, quando eu sentava com ele pra ele dormir...

Eu falava assim, qual foi o alto e o baixo do dia? E aí era o momento que ele me contava, mamãe, o alto hoje foi isso, isso, isso. O baixo, alguma coisa que ele tenha ficado chateado. E trabalhar com jogos que proponham tarefas, temas para serem discutidos, é importante, gente. Porque, no fim das contas, a gente está com um repertório linguístico muito menor e isso está emburrecendo a gente.

Leny Quirilos, muitíssimo obrigado mais uma vez e até a semana. Obrigada, Sardenberg e Cássia. Ótimo restinho de semana aí pra vocês. Tenho certeza que tem muita gente agora sem palavras, mas que tá pensando nisso tudo que você falou. Obrigada, Leny. Até mais. Isso mesmo.

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