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O que se sabe sobre o encontro de Trump com Xi Jinping?

14 de maio de 202614min
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Marcelo Ninio explica o que se sabe sobre a reunião do presidente Donald Trump com Xi Jinping. Ele ainda está em Pequim, e essa é a primeira visita presencial americana à China em nove anos. Ouça.

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Participantes neste episódio2
F

Fernando

HostJornalista
M

Marcelo Ninio

ReporterEspecialista em geopolítica
Assuntos5
  • Encontro Xi Jinping e TrumpDonald Trump e a NASA · Xi Jinping · Visita presidencial americana à China · Simbolismo e imagem positiva · Estabilidade nas relações EUA-China
  • Taiwan e EswatiniTaiwan · Apoio dos Estados Unidos a Taiwan · Reunificação de Taiwan com a China · Fornecimento de armas para Taiwan · Risco de confronto
  • Oposição interna ao Trump sobre guerra no IrãGuerra do Irã · Estreito de Hormuz · Pressão chinesa sobre o Irã · Bloqueio do Estreito de Hormuz · Suprimento mundial de petróleo
  • Visita de Trump à ChinaPrimeira visita presidencial americana à China em nove anos · Clima cordial e elogios mútuos · Química entre Trump e Xi Jinping · Recepção em Pequim · Segurança reforçada · Visita ao Templo do Céu
  • O Futuro da Economia e TecnologiaGuerra tarifária · Tecnologia e semicondutores · Minerais críticos · Abertura de mercado na China · Exportações americanas de soja · Venda de aviões para a China
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. CDN Pelo Mundo, com Marcelo Ninho.

Com a gente diretamente de Pequim, na China, Marcelo Nino. Oi, Marcelo, bem-vindo mais uma vez. Tudo bem? Oi, Fernando, tudo bem. Saudações pequinezas para você e para os ouvintes. Muito obrigado. Bom, Nino, Donald Trump está em Pequim. É a primeira visita presidencial americana à China em nove anos. Como é que está ocorrendo essa visita? O que esperar dela? O que acontece por aí? Conta para a gente.

É, Fernando, por enquanto, pelo visto, está correndo como planejado, sem surpresas, sem solavancos. Por si só, já é uma primeira vitória, eu diria, para os dois lados, porque a gente sabe, tanto o presidente americano Donald Trump quanto o governo chinês, eles dão muita importância aos simbolismos, à preocupação em manter uma imagem positiva de vitória. E nessa visita, parece que é um consenso entre os dois lados, que é preciso...

projetar esse clima de respeito mútuo, de estabilidade, no meio de tanta turbulência que está acontecendo no mundo, é o interesse dos dois lados. O Trump, principalmente, porque precisa muito disso no momento de queda de aprovação.

entre o público americano, tem esse impasse que continua no conflito com o Irã, mesmo depois de três meses ainda não tem um desfecho à vista. A impressão, se é para falar dessa competição, que apesar do clima cordial, é uma competição entre duas superpotências, é que a China sai ganhando, porque é uma potência em ascensão, a segunda economia do mundo está sendo reconhecida e tratada em pé de igualdade.

pela maior potência do mundo, primeira economia, e isso tem um peso muito grande para a China, não só em termos de influência no mundo, mas também aqui para a legitimidade interna do Partido Comunista, que governa o país, o que não é menos importante.

E mais ainda, porque o Trump chega num momento que é considerado um momento de fragilidade política para ele, pelo insucesso, como eu disse, de atingir os objetivos americanos na guerra do Irã. E isso, inevitavelmente, dá uma vantagem à China nas negociações. Agora, o interessante é que a visão dos chineses, a visão que os chineses têm dos Estados Unidos, do próprio Trump, que é de uma certa admiração.

Apesar de toda a rivalidade de competição e dos atritos dos últimos tempos, ontem, por exemplo, eu passei em frente ao hotel onde está hospedada a comitiva presidencial americana. O presidente Trump chegou ontem à noite, quarta-noite e quarta-de-manhã no horário brasileiro e havia muita gente esperando, curiosos e também...

admiradores, eu falei com alguns, e tem essa imagem do artista, do cara famoso, do cara com poder, que tem aqui muita repercussão. Então, hoje o Trump teve o primeiro dia da visita, uma visita bem curta, ele não vai ficar nem 48 horas em Pequim, e o que chamou a atenção é que ele foi bem caloroso, nas palavras dele, no tratamento.

ao presidente Xi Jinping, cobriu a China de elogios, chamou o presidente chinês Xi Jinping de amigo, de grande líder. E a impressão, não só dessa visita, mas também pelos relatos anteriores, é que, de fato, rola uma química entre os dois, para tomar emprestado um termo que se falou da relação do Trump com o presidente Lula. E diga-se de passagem, essa é a primeira visita.

de um presidente americano à China em nove anos, a última foi em 2017, e a última foi também do Donald Trump no primeiro mandato dele, no mandato do Joe Biden, o sucessor dele. Não houve visita, foi um período muito marcado pela pandemia. Agora, é aquela história, Fernando, amigos, amigos, negócios à parte.

ainda mais para um homem de negócios como o Trump, a pauta é extensa, tem muitos assuntos para resolver, tem muitos atritos, é impossível caber numa visita de menos de 48 horas, mas tem muito simbolismo e tem muita negociação prévia, que também está acontecendo durante esse período que ele está aqui, Fernando.

Perfeito. Então, vamos lá, Nini. Em termos práticos, o que está no topo dessa agenda? Então, primeiro tem o lado político. Como eu falei, do lado americano tem... Essa visita acontece na sombra da guerra do Irã. Os Estados Unidos não conseguiram resolver. Para o Trump seria importante convencer os chineses a botar pressão.

no Irã, fazer com que a República Islâmica pare de bloquear o Estreito de Hormuz, afinal ali é um gargalo estratégico da economia mundial, por onde passa um quinto do suplemento mundial de petróleo, aquilo ali tem um efeito em imagem e também em economia para os Estados Unidos.

A China tem boas relações com o Irã, compra a maior parte do petróleo iraniano, quase 90%, tem outras relações econômicas e políticas, então teria alguma influência para botar pressão, digamos, para influenciar o Irã a abrir o Estreito de Jormuz. Agora, é uma influência também limitada, os chineses provavelmente não vão querer fazer o trabalho para os americanos, então a expectativa não é...

que os chineses vão atender exatamente o que o Trump quer, mas existe pelo menos uma expectativa de que haja algum tipo de intermediação, que os chineses se tornem um pouco mais ativos para resolver esse conflito. Para a China, o tema político mais sensível é o de sempre, né, Fernando? Taiwan.

Taiwan, lembrando ao ouvinte, é uma ilha governada de forma autônoma, perto da costa da China continental, tem o apoio dos Estados Unidos, mas que Pequim considera parte do seu território e que promete retomar, reunificar em algum momento. Nessa visita, sempre foi, mas nessa visita mais ainda, a prioridade da China é conseguir...

do Trump algum tipo de compromisso que os Estados Unidos vão parar ou reduzir o fornecimento de armas para a ilha, para Taiwan. Seria uma mudança, se o Trump concordar ou fizer algum movimento nesse sentido, seria uma mudança significativa na política americana. O Trump já demonstrou que é muito menos comprometido com a defesa de Taiwan do que o Biden e outros presidentes americanos que antecederam a ele.

E como ele tem esse perfil de negócios e precisa de alguma carta forte para negociar, existe essa possibilidade no ar de que ele poderia, digamos, rifar Taiwan em troca de alguma concessão chinesa, no momento de fragilidade política.

do Trump. Então, hoje, aliás, na reunião com o Trump, o Xi Jinping fez um alerta bem direto sobre o risco de um confronto se os Estados Unidos continuarem ou fizerem algum movimento mais direto de apoio à independência de Taiwan. Agora, tem todos esses temas políticos, mas é bom não esquecer que, na origem...

Se a gente lembrar do ano passado, na origem, quando essa viagem estava sendo planejada, os temas mais importantes eram econômicos e tecnológicos. Até mais ou menos outubro do ano passado, quando foi o último encontro entre o Trump e o Xi Jinping, que eles se encontraram lá na Coreia do Sul.

fizeram aquela trégua, mas os temas mais importantes ali eram a guerra tarifária e também de tecnologia, semicondutores, minerais críticos e tal. Isso estava no centro das negociações e continua muito importante. Claro, começou a guerra do Irã e dominou a agenda e os Estados Unidos precisam resolver isso.

Tem a questão dos negócios, o Trump quer abrir mercado na China para os Estados Unidos, tanto que para enfatizar isso e também para mostrar o poder da economia americana, vieram na comitiva um time de peso, convite dele, mais de 15.

CEO, os presidentes de algumas empresas gigantes americanas como Apple, Tesla e Boeing. A Boeing, aliás, é um dos centros da negociação, uma das metas do Trump, porque existe esse esforço para vender mais aviões para a China.

Tem o lado do agro, que afeta mais diretamente o Brasil, que é aumentar as exportações de carne bovina e soja, principalmente. No caso da soja, se houver um acordo, quase certamente vai ter um impacto negativo para o Brasil, que é hoje responsável por mais de 70%.

da soja que a China importa. Então, qualquer aumento de cotas ou de exportações americanas de soja para a China vai implicar numa redução da fatia que o Brasil tem aqui. No mais, tem questões fundamentais que estavam no centro da disputa no ano passado, que são as cartas fortes, digamos, de cada um dos lados.

A China quer que os Estados Unidos flexibilizem um pouco mais o controle de exportações de semicondutores. Os Estados Unidos têm um domínio sobre esses semicondutores avançados e a China precisa deles. E os americanos esperam que a China não restringe as exportações dos minerais críticos, que são essenciais.

na indústria de tecnologia, tanto civil como militar, diga-se de passagem. Com esse esgotamento que está acontecendo com essa guerra prolongada no Irã, os Estados Unidos vão precisar mais de minerais críticos para se reabastecer militarmente. Agora, a impressão, falando aqui também com especialistas chineses e tal, é que os dois lados parecem...

primeiro, dispostos a manter aquela trégua na guerra comercial, que dominou boa parte do ano passado. A expectativa de um grande acordo é baixa, mas talvez num momento tão conflituoso do mundo, se as duas maiores potências concordarem, pelo menos, e manter o diálogo aberto.

E evitar confrontos, criar um clima mínimo de estabilidade e previsibilidade já é alguma coisa. O Trump deu essa demonstração hoje, o Xi Jinping fez esses alertas. Ele está com uma posição mais forte nesse momento, mas parece que pelo menos os dois países concordam que a prioridade agora é manter uma relação mais estável. Hoje foi o primeiro dia, como eu disse, da visita.

Depois da reunião no grande Salão do Povo, teve uma grande recepção. O Trump até comentou, ficou muito emocionado e impressionado com a recepção que ele teve lá. A segurança aqui na cidade está de um nível que eu nunca vi antes, numa visita de chefe de Estado.

Em meus oito anos na China, eu nunca vi isso. Tem muita polícia, muito soldado por toda parte, principalmente em torno dos lugares onde o Trump está visitando.

Depois da reunião, eles visitaram juntos o Templo do Céu, que é uma construção magnífica, antiga, do século XV, que os imperadores das dinastias antigas iam lá pedir aos céus por boa prosperidade, boas colheitas e tal. Talvez eles tenham ido fazer o mesmo.

E agora, nesse momento, eles estão tendo um banquete. Amanhã, sexta-feira, é o último dia. Vai ser, na verdade, meio-dia só, porque a visita realmente curta. O Trump tem mais um almoço.

E já vai embora, quer dizer, uma visita curta, muito importante, apesar de ser curta, cercada de muita expectativa. Agora, vamos ver os resultados e vamos ver se ele leva alguma vitória na bagagem, ou alguma coisa, algum êxito importante, o que vai ser, principalmente, a continuação dessa relação.

Há uma previsão de que essa seria só a primeira vez que os dois se reúnem esse ano. Tem possibilidade de que eles se reúnam mais três vezes esse ano. Então, depende muito do sucesso dessa primeira visita, desse primeiro encontro entre os dois. Fernando?

Nino, só uma última questão. A China não é tão independente assim na área de aviação comercial? Como você citou a Boeing, e Trump é muito amigo do dono da Boeing, levou ele aí para Pequim. Isso é fato? A China precisa de aviões comerciais? Precisa desse porte, sim. Eles têm uma indústria de aviação cada vez mais.

desenvolvida, já desenvolvem também aviões de porte que podem atender o mercado doméstico até externo, mas ainda precisam, não dominam a capacidade total de produzir aviões. Então a Boeing ainda tem um mercado aqui, não só a Boeing como a Europeia Airbus também, eles têm um mercado aqui, Fernando. Tá certo.

Nílio, mais uma vez, obrigado. Uma boa noite para você em Pequim. Até semana que vem. Obrigado, Fernando. Até a próxima.

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