Agência reguladora de medicamentos e alimentos nos EUA autoriza venda de cigarros eletrônicos com sabor de fruta
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Fernando
Tatiana
Luiz Fernando Correia
Mark Macari
- Fiscalização e regulamentação de cigarros eletrônicosAutorização de venda de cigarros eletrônicos com sabor de manga e mirtilo nos EUA · Concentração de nicotina de 5% nos cigarros eletrônicos · Pedido de demissão do comissário do FDA, Dr. Mark Macari · Influência da indústria do tabaco e pressão política na decisão do FDA · Preocupação com o público adolescente e o uso de vape · Estatísticas de uso de vape por adolescentes no mundo e no Brasil · Riscos à saúde associados ao vape: EVALI, aumento da pressão arterial, disfunção do endotélio · Dependência de nicotina e o design de vapes com sabor para atrair jovens · Comparação com a proibição no Brasil pela Anvisa · Regulação baseada em evidência protegida de pressões políticas
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E o FDA nos Estados Unidos, que autorizou cigarro eletrônico com sabor. Você acredita? O doutor Luiz Fernando Corrêa deixou o comentário dele gravado a respeito desse assunto. Oi, doutor. Boa tarde, Tatiana. Boa tarde, Fernando. Boa tarde, ouvintes. Essa semana, o FDA, a Agência Regulatória Americana de Medicamentos e Alimentos, autorizou pela primeira vez a venda nos Estados Unidos de cigarros eletrônicos com sabor de manga e mirtilo.
A empresa fabricante batizou os sabores de gold e sapphire, mas no fundo, no frasco, é fruta. Cada cápsula contém 5% de nicotina, uma concentração altíssima. E dias depois da decisão, o próprio comissário do FDA, Dr. Mark Macari, pediu demissão. O que importa nessa história não é o produto, mas é o processo.
Segundo o New York Times e o Wall Street Journal, um almoço do clube de golfe do presidente Trump na Flórida, executivos e lobistas da indústria do tabaco se queixaram da regulação do FDA. Trump ligou na hora para o Dr. McCurry, depois para o secretário de saúde Robert F. Kennedy Jr. e para o chefe do Medicare. Cinco dias depois, saiu a autorização. McCurry havia bloqueado a decisão por preocupação de saúde pública. Foi voto vencido.
O problema é que eles miram o adolescente que nunca fumou. E aqui os números falam alto. A OMS estima que 15 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos usam o vape no mundo.
No Brasil, o terceiro levantamento nacional de álcool e drogas da Unifesp mostra que 8,7% dos jovens entre 14 e 17 anos usaram vape no último ano. Cinco vezes mais do que aquelas adolescentes que usaram cigarro convencional. E segundo o IBGE, 17% dos adolescentes brasileiros já experimentaram. E isso do Brasil, onde está proibido desde 2009.
Enquanto o risco não é teórico. Em 2009, 2019 e 2020, o CDC americano registrou 2.807 hospitalizações e 68 mortes por uma síndrome chamada de EVALI, lesão pulmonar aguda associada ao vape.
Mais da metade dos pacientes precisou ser internado em terapia intensiva. A American Heart Association tem declaração científica formal mostrando aumento da pressão arterial, disfunção do endotélio à parede das artérias e estresse oxidativo em adolescentes que usam o vape.
Uma meta-análise publicada no periódico Heart em 2025 confirma o aumento do risco cardiovascular. E a nicotina, em concentração de 5%, como nesses pods, é um dos mais potentes agentes de dependência conhecida.
Vamps com sabor de fruta, de doce, de sobremesa, não foram desenhados para o fumante de 55 anos que está tentando largar o cigarro. Eles foram desenhados para capturar o adolescente. E quando se autoriza esse produto por pressão política, passando por cima da equipe técnica que estudou a aplicação, não está fazendo redução de risco coisa nenhuma. Está se trocando uma epidemia conhecida, a do cigarro convencional, por outra, da dependência precoce de nicotina numa geração inteira.
A lição para o Brasil é direta. A Anvisa reafirmou a posição em 2024 e a discussão volta periodicamente. E ela vai voltar. Quando ela voltar, o caso americano dessa semana é referência obrigatória. Regulação baseada em evidência precisa ser protegida da pressão de quem usa instrumentos políticos para tentar reverter isso.
Doutor Luiz Fernando Correia, com Saúde em Foco, às terças e quintas aqui no nosso estúdio CBN. Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte, o Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que, de fato, somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão.
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B3
TrilhaMagalu