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Histórico de lesões faz ciência acender alerta sobre Neymar às vésperas da Copa do Mundo

15 de maio de 20268min
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Luis Fernando Correia reúne estudos médicos que apontam risco elevado de nova lesão em atletas com baixa carga de jogos e longo histórico clínico; debate sobre convocação ganha força antes da lista final da seleção

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Participantes neste episódio3
L

Luiz Fernando Correia

HostComentarista
M

Milton

Co-hostJornalista
C

Cássia

ConvidadoJornalista
Assuntos3
  • NeymarNeymar Júnior · Histórico de lesões · Carga de jogos baixa · Lesões sem contato · Copa do Mundo
  • Prevenção de Lesões e Saúde do AtletaFIFA · Bridge Medical Journal Sports and Medicine · Science Medicine and Football · International Journal of Sports and Physical Therapy · Journal of Science and Medicine and Sport
  • Vinícius Júnior e Virgínia FonsecaVirginia Fonseca · Vini Júnior · Fim de relacionamento · Copa do Mundo
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Saúde em Foco, com Luiz Fernando Correia. Bom dia, doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, doutor.

Até tu, Brutus. É. Até tu vai querer falar. Vai querer falar do Neymar Júnior.

É o que está na boca de todo mundo, né, Milton? Mas é o seguinte, eu vou falar em cima do que a literatura científica pode ajudar nessa história. Tá bom. Então vamos lá. A discussão aqui tenta ser baseada em evidência. Então vamos começar pelos números que a própria FIFA já produz, ou já produziu. Os doutores Jung e de Vorak, o doutor de Vorak foi o diretor médico da FIFA por muito tempo, foi o meu chefe durante a Copa das Confederações, da Copa do Mundo, 2014.

Fizeram uma revisão no Bridge Medical Journal Sports and Medicine em 2013 e analisaram 1.546 partidas de torneios FIFA entre 1998 e 2012 e nisso eles contabilizaram 4 mil lesões.

uma média de 2,5 lesões por jogo, 1,1 com afastamento de treinos e partidas. Um estudo mais recente, em Qatar, em 2022, foi publicado por Barr e colaboradores na revista Science Medicine e Football. Cada seleção registrou, em média, duas lesões com afastamento do torneio. E aqui está o dado que mais interessa. Mais dessas lesões súbitas, 52%. Obrigado.

foram lesões sem contato, ou seja, lesões em que o adversário não toca o atleta. São lesões do próprio jogador, da sua carga, da sua história clínica. E temos uma outra revisão importante, feita também no Bridge Journal of Sports Medicine, que acompanharam por duas temporadas 197 jogadores da primeira divisão sueca.

Quem havia se lesionado na temporada anterior, teve um risco 2,7 vezes maior de nova lesão, principalmente quando estava de joelho, isquiotibiais, são músculos específicos daqui da região da virilha, ou da própria virilha, ou do pubis. O risco da mesma topografia se repetir foi de duas a três vezes maior.

Mais um dado para terminar, uma revisão sistemática do International Journal of Sports and Physical Therapy. Atletas que tinham lesões dos músculos escrotibiais no último ano, chegavam a apresentar um risco 11 vezes maior de recidiva. No tornozelo, uma meta-análise recente confirma, entorce prévia multiplica por 2 a 5 vezes o risco de nova lesão.

Mais um em 2018, mais um artigo no Journal of Science and Medicine and Sport, monitoravam a seleção nacional na transição do clube para a concentração da Copa do Mundo. Sete das oito lesões sem contato que foram registradas foram justamente na janela pré-torneio.

E o perfil do lesionado era claro. O jogador chegava à seleção com carga crônica baixa nas semanas anteriores, enfrentava um aumento agudo, súbito de treinamento na concentração. É o pior cenário possível e justamente o cenário de um atleta que vem em poucos jogos no Neymar.

Bom, por relação ao Neymar, eu não tenho acesso ao prontuário médico, vou falar sobre o que está escrito nos registros públicos. Um jogador com 11 lesões registradas, duas cirurgias, mais de 800 dias afastados dos gramados desde 2022.

Rutura do ligamento cruzado anterior e do menisco em 2023, artroscopia no joelho em dezembro do ano passado e uma baixa carga de jogos no Santos em 2026. Cada um desses elementos isoladamente na literatura já aparece como fator de risco independente. Se forem combinados, a evidência aponta para um risco substancialmente elevado.

Um estudo feito por Colby e outros colaboradores, a combinação de carga aguda-alta, lesão recente de membro inferior, queda em testes funcionais, multiplica o risco de lesão do atleta em até 22 vezes. Por outro lado, a literatura aponta, temos que ser justos, a idade não é um fator impossível para a Copa do Mundo, isso não entra em conta. O peso do risco está na história clínica e não na certidão de nascimento do Neymar, claro.

Bom, os próprios autores do estudo de Catar em 2022 merecem algum... Torneios de seleções têm menos lesões por sobrecarga do que o futebol de clube, porque os atletas sintomáticos já não são convocados. Então, você já tem um filtro epidemiológico, ou seja, quem decide não convoca alguém que está com problema, porque o risco é grande. Então, a medicina, Milton, não vai votar a convocação do Neymar no domingo.

Mas se ele for chamado, a literatura indica o caminho que pode ser feito. Uma avaliação pré-participação ampla, controle rigoroso da progressão de carga nas duas primeiras semanas, monitoramento diário da fadiga e o uso parcimonioso dos jogos iniciais. Isso aí é quase que bom senso, né, gente? Olha só, o torcedor vem o craque.

O médico vê a curva de risco. As duas leituras, Milton, são legítimas. A gente só vai saber no domingo qual delas que ganhou nessa história. Perfeito. Bom, a literatura médica é usada para embasar decisões como essa. Aliás, no futebol, cada vez mais isso tem sido trabalhado e é sempre uma boa notícia. Queria só entender uma coisa a mais, doutor Luiz Fernando Corrêa.

Existe algum estudo científico que fale, por exemplo, sobre relacionamentos amorosos e o impacto, o desempenho numa Copa do Mundo, no jogo de bola, alguma coisa nesse sentido? Não, no PubMed eu nunca vi nada parecido, não, Milton, não. Então eu vou lhe escalar para ficar pesquisando, aí se encontrar nos conte, porque eu estou preocupado agora, eu acabei de receber um comunicado oficial.

daquela influenciadora Virginia Fonseca. Ela está anunciando o fim do relacionamento dela com o Vini Júnior. Depois de seis meses de relacionamento. Vini Júnior presta a ser convocado para a Copa do Mundo. A gente espera que não impacte a convocação.

Acho que a convocação não vai impactar Mas eu quero saber em relação O ânimo dele Ou quem sabe ele vai poder ficar mais focado Agora na Copa do Mundo Menos selfie, menos foto Rede social, etc Pode ser isso

Todos esses fatores com certeza vão ter que ser levados em conta no gerenciamento da seleção depois da convocação, Milton. E olha, eu vou dizer o seguinte, por experiência própria, esses momentos são bastante complexos. E um detalhe aqui da notícia, teve o comunicado oficial que o Milton trouxe da influenciadora Virginia Fonseca, mas até agora o Vini Júnior não se manifestou. Tá bom, então, aguardemos. Obrigado, um abraço, até mais, doutor Luiz Fernando Correia. Vamos ver no domingo.

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