‘Estadunidenses’ ou ‘americanos’?
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Tatiana
Professor Pasquale
- Gentílico 'estadunidense' vs 'americano'Uso do termo 'estadunidense' em dublagens · Diferenciação de países da América · United States of America · Make America Great Again · Cristóvão Colombo · América · Estadunidense · Dicionário Aurélio · Dicionário Wise · Dicionário Aulete · Academia das Ciências de Lisboa · Caetano Veloso · Circulador · Haroldo de Campos · Milton Nascimento · Fernando Brant · São Vicente · Mercedes Sosa · América Latina
- Música Cristã BrasileiraLéo Santana · Magalu · Rap · Caetano Veloso · Milton Nascimento · Mercedes Sosa
Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho. Que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais. Em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.
A nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale. Oi professor, boa tarde.
Tatiana, querida, boa tarde. Ouvintes, boa tarde. Fernando me abandonou, tudo bem. Foi ver o mundo. O senhor está acostumado, né? Ele dá uma cabulada às sextas-feiras. Ele cabula aula de português para poder se estudar um pouco mais de história contemporânea.
Mas eu mando um boa tarde para ele assim mesmo. Tá bom. Vamos lá. Então vamos lá. Luiz Eugênio Vilaverde, do Rio de Janeiro, diz que tem assistido a um programa de TV produzido nos Estados Unidos, dublado no Brasil, no qual utilizam exclusivamente o gentílico estadunidense para se referir a uma pessoa nascida nos Estados Unidos da América.
Pergunta, qual a razão de se utilizar na dublagem para o português esse gentílico no lugar de americano ou americana, como sempre foi comum? Se isso ocorre para diferenciar das pessoas nascidas nos outros países da América do Norte, ou da América total, né? Eu também sou americana, né? Bom, enfim, ele está dizendo, eu não entendo porque os norte-americanos se referem a si mesmos como Americans, sem a preocupação de serem confundidos com os canadenses, com os mexicanos, ou até com os cubanos, veja só.
Olha só, que crime, hein? Veja cubano, tudo comunista. Mas enfim, somos todos americanos, desde que tenhamos nascido na América, professor, ou não?
Pois é, sim, claro. Existe aí a questão do uso, como sempre. O problema é que o glorioso Irmão do Norte, o nome oficial do, entre aspas, Irmão do Norte, é United States of America. E eles, quando se referem à própria nação, à nação deles, eles dizem América.
Tanto que aquele slogan lá daquele cidadão, cujo nome eu não vou pronunciar, o slogan dele é MAGA, né? M-A.
GA, que é Make America Great Again. Faça a América grande de novo. Aquelas maluquices. Bom, o fato é que como eles se chamam, o nome oficial do país é America. Para eles, americano é...
pura e simplesmente, o que diz respeito a eles. E a gente embarca nessa canoa, a gente fala o governo americano, a diplomacia americana, querendo sempre fazer referência a esse país. Na verdade, a gente costuma dizer que o nosso amigo italiano, o Cristóforo Colombo,
italiano patrocinado pela Espanha, porque a Itália não botou fé nele, a gente diz que Cristóforo Colombo, em português Cristóvão Colombo, em espanhol Cristóvão Colombo, né?
É Colón, viu? Se você visitar um país de língua espanhola, quando você encontrar Colón, C-O-L-O-N de navio, com acento no segundo O, saiba que isso é Colombo. A gente diz o quê? Que ele descobriu a América. Não é isso que a gente diz? Ou seja, a América é tudo. Lá de cima até lá embaixo, desde o Alasca...
desde a ponta extrema do Alasca até aqui embaixo, até o bico lá embaixo na confluência sul-Argentina-Chile. Eu não sei qual é o ponto mais extremo, se fica no Chile ou se fica na Argentina. Daqui a pouco meu filho oceanógrafo manda uma mensagem.
se eles tiveram ouvindo ele já esteve lá ele já atravessou aquele estreito de Drake nas funções oceanográficas dele em expedições à Antártida e tal mas em suma, somos todos americanos, então
Essa pergunta americano-estadunidense, eu não sei porque o pessoal da tradução opta por estadunidense, sei lá qual é a razão de eles optarem por isso, mas é um termo que existe. Aliás, estadunidense se escreve de dois jeitos. Pode ser estadu...
estadunidense, tudo junto, uma palavra só, ou estado, tracinho, hífen, unidense. E isso causa discussão entre os dicionaristas. Vamos para o primeiro auxílio? O meu computador deu pane, eu estou voando no escuro. Vamos lá, tem que te ajudar aqui. É, mas acho que a sequência é primeiro o... Como é que é? JMV. Hacker. Isso.
Não, isso é a música, não é? Ele se chama... Ah, é... Big Rush. Meu Deus, fugiu. Isso, Big Rush. Desculpe, Big Rush, mas seu nome me fugiu aqui da cabeça. É um textinho pequenininho só para vocês verem que há uso disso. Vamos lá, vamos ouvir.
Eu não sou de SP, mas o Bico fala, o Bico canta, a tropa avança Tenho certeza, vamos deixar lembrança Botei tanto na mesa, sem aguardar cobrança Não é da Vivo, mas cê vai levar cobrança Cê não é estadunidense, mas ouvi você me cansa
Não é da Vivo, mas você vai levar cobrança. Muito bom. E a letra diz, né? Você não é estadunidense, mas ouvir você me cansa e tal. Quer dizer, é um rap.
que usa a forma estadunidense. E para vocês verem como essa coisa é discutível, o dicionário Aurélio, por exemplo, só registra estadunidense, não registra estadunidense. O dicionário Wise registra as duas formas.
O Aulete só registra estadunidense. O dicionário da Academia das Ciências de Lisboa só registra estadunidense, com hífen. Para vocês verem que isso é uma lambança e cá entre nós, que ninguém nos ouça, use como quiser. Com hífen ou sem hífen, se for com hífen é estadu.
e se for sem hífen é tudo junto estadu, depois do d-u-d-u, estadunidense. Agora, americano é uma palavra interessante, porque além de dizer respeito a...
à América do Norte, mais especificamente aos Estados Unidos da América. Americano tem outro sentido, como você bem disse, somos americanos. Vamos ouvir um trecho de Caetano Veloso cantando, cantando não, dizendo, porque ele diz um texto antológico, notem que o texto é de 92, 1992.
O texto tem, portanto, 34 anos e, claro, as temáticas eram diferentes, mas ele toca nesse ponto de maneira impressionante. A letra toda fala disso, mas eu peguei da metade para frente para a gente ver um determinado aspecto dessa coisa. Vamos ouvir Caetano Veloso.
Americanos são muito estatísticos, têm gestos nítidos e sorrisos límpidos. Olhos de brilho penetrante que vão fundo no que olham, mas não no próprio fundo. Os americanos representam grande parte da alegria existente neste mundo.
É bicha, macho é macho, mulher é mulher e dinheiro é dinheiro E assim ganham-se, barganham-se, perdem-se, concedem-se, conquistam-se direitos Enquanto aqui embaixo a indefinição é o regime E dançamos com uma graça cujo segredo nem eu mesmo sei Entre a deslice e a desgraça, entre o monstruoso e o sublime Americanos não são americanos, são os velhos homens humanos Chegando, passando, atravessando, são tipicamente americanos
Som zera, hein, professor? Ah, maravilha. Isso está no disco circulador ao vivo. Porque ele gravou primeiro o circulador.
No estúdio, é um disco para ser ouvido de joelhos. Circulador, ele pega um texto do Haroldo de Campos e música de forma magistral. Magistral é uma coisa primorosa. E depois ele faz o show e nesse show ele acrescenta isso. Isso não está no disco.
de estúdio, né? E, em suma, e é primoroso, o texto é primoroso, é muito inteligente. Meu computador ressuscitou. Agora eu estou vendo aqui tudo, então, você tem alguma dúvida sobre americanos aí, nesse texto do Caetano, de que americanos ele está falando? Não. Claro que são os nossos amigos lá, os irmãos do norte, não é isso? São os estadunidenses. São aqueles que querem... E aí
Isso, são aqueles que querem mandar no mundo desde sempre. Agora eu vou pedir a você e aos ouvintes que prestem atenção numa canção antológica monumental composta por Milton Nascimento e Fernando Brant. A música foi composta por uma peça de teatro. Inicialmente ela não tinha letra, o Milton Nascimento fez a melodia.
E aí o Fernando Brant depois, já com a melodia na peça, o pessoal achou que valia a pena colocar uma letra, e o Fernando Brant escreveu essa letra antológica, chamada São Vicente, que fala de um...
de um país imaginário, a América Latina sendo tomada por ditaduras e por aí vai. E eu vou perguntar a você que americano é esse. A canção é de Milton e Fernando Brant. Quem vai cantar é o Milton com a Mercedes Sosa.
Eu peguei isso do programa da Rede Globo Chico e Caetano, 1987. Você se lembra disso, Tati? Você era muito criança? Acho que não, professor. Foi um programa maravilhoso que eles fizeram em 1987. Era um por mês. Foi um melhor do que o outro. Obra-prima atrás de obra-prima. São programas antológicos, eles estão disponíveis no Globoplay.
Quem quiser ver, é só ir lá e ver. É uma coisa de louco. Tem todo mundo lá. Tom Jobim esteve lá, Mercedes Sousa e tanta gente, mas tanta gente. Essa participação da Mercedes com o Milton. Vamos ouvir? Depois você me disse que americano é esse que está na letra. Eu não vou dizer o nome. Aliás, a música se chama São Vicente. Mas vamos lá, vamos ouvir.
Acordei de um sonho estranho, um gosto de vidro e corte, um sabor de chocolate, um corpo e na cidade, um sabor de vida e morte.
Coração americano, um sabor da bíblica. Bom, vamos lá. Eu fico, o negócio de América Latina me deixa emocionada, viu professor?
Sempre. Eu hoje fui ouvir isso e caí no choro aqui, porque a Mercedes mexe comigo de um jeito absurdo. É, é incrível, é incrível. La Negra, como era chamada. E ela junto com Milton, então, pelo amor de Deus. Coração americano, acordei de um sonho estranho, um gosto vidro e corte, um sabor de chocolate, no corpo e na cidade, um sabor de vida e morte.
coração americano. Que americano é esse? Que coração americano é esse? É o nosso coração, o seu, o meu e o de todo mundo que nasceu e cresceu nesta América Latina, que faz parte do continente americano.
Então, americano pode ser tudo, de qualquer lugar, das Américas, e pode ser também americano, o que diz respeito aos Estados Unidos, também se usa norte-americano, embora haja três países lá, México, Canadá e Estados Unidos. Quando se diz norte-americano, normalmente se fala dos Estados Unidos. É isso. Muito bem.
Se você tem dúvidas, quer endereçá-las ao professor Pasquale, pode mandar para o seguinte e-mail. A nossa língua, tudo junto sem acento. Anossalingua.com.br Bom fim de semana, professor. Um beijão. Até segunda. Para você também, Tati, querida. E viva a América Latina. Viva.
O futuro não começa com um carro, começa com energia. Enquanto outros faziam promessas, a BioID já estava construindo baterias. Enquanto o mercado discutia, nós colocávamos milhões de veículos nas ruas. Aqui, tecnologia não é um acessório, é a base. Bateria, chip, motor, software, tudo construído junto desde o início. Por isso somos mais seguros, mais eficientes e mais acessíveis. Não construímos carros para poucos, criamos mobilidade para todos. BioID, uma revolução global. No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.
BYD
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