Xi Jinping sai fortalecido e Trump acumula ganhos simbólicos após reunião
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- Encontro Xi Jinping e TrumpImpacto estratégico limitado · Tom positivo dos governos · Recepção com simbolismo para Trump · Xi Jinping politicamente fortalecido · Bajulação e pompa na recepção · Desvio de foco de concessões estratégicas · Reputação dos EUA abalada · Diplomacia de líder para líder · Respeito mútuo como potência equivalente · Ensaio para suavizar clima
- Proposta do Irã sobre HormuzTrump buscando apoio chinês para reabrir o estreito · China cautelosa e crítica à guerra no Oriente Médio · Saturação da diplomacia de pressão dos EUA · Comércio mundial afetado pelo fechamento do estreito · China menos vulnerável ao fechamento do estreito · Reflexos do aumento de energia nas urnas americanas
- China e Estados UnidosControle sobre terras raras e minerais críticos · China fechando a torneira de terras raras · EUA diversificando fontes de terras raras · Brasil como segunda maior reserva de terras raras
- Taiwan e EswatiniLinha vermelha para a China · Questão de soberania e identidade nacional · Venda de armas dos EUA para Taiwan · Instrumento de barganha para a China
- Relações comerciais e diplomáticas dos EUAPromessa de compra de aviões da Boeing não concretizada · Queda nas ações da Boeing · Ausência de acordos sobre minerais críticos · EUA como potência frágil e decadente · Perda de apoio de aliados · Enfraquecimento de alianças como a OTAN
- Alianca China-RussiaChina como centro da diplomacia triangular · Putin buscando trocar figurinhas com Xi Jinping · Relação desequilibrada entre China e Rússia · China responde por grande parte do comércio russo · Rússia representa pequena parte do comércio chinês
- Relação Transatlântica na Era TrumpAcusação de controle chinês sobre o canal · Política de pressão máxima saturada · Discurso que cansa aliados e rivais · Foco meramente comercial na viagem
- Ordem InternacionalTrump buscando resultados rápidos e anúncios fortes · Xi Jinping ganhando tempo e administrando Trump · Consolidação de uma moldura internacional favorável à China · Redução de tensões com a cúpula
Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte, o Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais, em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.
Urien Fanchelli, analista de política internacional, na linha. Boa tarde, Urien, tudo bem? Tudo bem, Naded, boa tarde, boa tarde a todos, é um prazer estar aqui com vocês. Sempre muito bom te receber e te ouvir, Urien, nessa semana em que tivemos um encontro entre o presidente americano Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, com resultado ali, pelo menos pelo que manifestaram os dois governos.
Muito positivo, né? Saiu declaração conjunta, declarações de que foi histórico, de que foi ótimo, de que foi lindo. Parece que foi incrível, né? Pelo que disseram eles, pelo menos. Foi mesmo?
Olha, eu acho que depende do ponto de vista que a gente olha, né? Porque tendo em conta consensos mais estratégicos de longo prazo que realmente vão ditar como serão essas relações das grandes superpotências mundiais ao longo dos próximos anos, acho que foi bastante limitado. Do ponto de vista norte-americano, Donald Trump conseguiu o que ele estava buscando.
E o que ele estava buscando, basicamente, era bajulação, pompa. Ele chegou na China e foi recebido por centenas de crianças pulando, balançando a bandeira norte-americana ao lado da bandeira chinesa, com uma banda tocando também o IMCA, que é a grande música dele. Então, essas imagens, de fato, ele conseguiu.
E a leitura chinesa foi que se eles entregassem isso aos norte-americanos, não precisariam fazer tantas outras concessões estratégicas. Então é quase como se tivessem usado tudo isso para tentar desviar o foco de ações mais relevantes em um momento no qual os Estados Unidos têm, por conta de todas essas bravatas,
do Donald Trump, eles têm enterrado a própria reputação, eles têm apagado um pouco daquilo que era aquele seu papel até então de grande superpotência do planeta, têm se projetado como um país altamente volátil, instável, que não cumpre com as suas obrigações diante das suas alianças internacionais. Então, é a China deixando que o Trump continue.
a tomar esse tipo de atitude, enquanto entrega algo para ele que possa apaziguar a figura do presidente. E a gente viu isso também na relação entre Trump e Lula, a dinâmica pessoal entre os dois líderes acaba influenciando muito quando a gente fala de política internacional. Nesse caso específico entre Estados Unidos e China, por que isso é tão importante?
É algo que o Trump valoriza bastante, ele acredita muito nessa diplomacia de líder para líder, quase como se uma boa relação pessoal entre duas pessoas fosse o suficiente para destravar disputas, que são disputas muito mais profundas.
tratou o Xi com diversos elogios, com bastante respeito. Para a China isso é útil, porque a China sempre insistiu nessa ideia de respeito mútuo entre os dois países, que na prática significa que ela está sendo tratada pelos Estados Unidos como uma potência equivalente.
Só que isso tem um problema, que essa encenação, muitas vezes, acaba fazendo aquilo que eu estava falando até agora, que é desviando o foco das questões que realmente importam.
Meio que ajuda a encenar ali, a suavizar um clima sem resolver as questões que são importantes. Então, o Trump pode elogiar o Xi Jinping, ele pode chamar o Xi Jinping de amigo, falar em acordos fantásticos, mas isso não vai mudar o fato de que a China e os Estados Unidos continuam presos a disputas que são disputas muito maiores. A relação pessoal pode até criar...
uma pausa momentânea das tensões, lembrando que no ano passado os Estados Unidos chegam a tarifar a China até mesmo 145%, que praticamente inviabilizaria o comércio entre os dois países, mas não elimina todos aqueles interesses que são interesses contraditórios, inclusive em relação a Taiwan, a tecnologia, inteligência artificial, comércio e essa disputa internacional pelo poder.
dos dois países que disputam o papel de grande superpotência do planeta. Taiwan parece ser o tema mais sensível, né, Uriam? Por quê? Porque o Xi Jinping deixou claro no discurso dele que a grande linha vermelha para a China é Taiwan.
Então, ele disse que se houver algum conflito ou se há alguma grande disputa entre os dois países, pode ser muito provavelmente por conta de Taiwan, porque Taiwan para a China não representa só ali uma política externa, porque para os Estados Unidos Taiwan é basicamente isso, é uma maneira como o país faz a sua política externa, uma maneira dele se posicionar.
Agora, para a China, não. Para a China é uma questão de soberania, de identidade nacional, de segurança. E o Trump, ele errou bastante, eu acho que na questão de Taiwan, está na dédia. Porque ele colocou aquela questão das vendas de armas para Taiwan dentro de uma lógica de negociação com a China. Então, Taiwan está esperando um pacote de armas de mais ou menos 14 bilhões de dólares, que inclui diversas coisas ali.
mísseis, equipamentos antidrones, sistemas de defesa aérea. E o Trump disse que a aprovação desse pacote depende da China, ou seja, ele transforma algo que para Taiwan é existencial quase em um...
em quase um instrumento de barganha para a China. Então, basicamente, ele diz para o Xi Jinping, olha, se vocês fizerem certas concessões para nós, americanos, a gente pode ver o que faz em relação à venda de armas para Taiwan. Então, isso ficou bastante nítido nessa viagem e nas conversas.
Guria, a nossa ouvinte aqui, a Evin está apontando uma questão. Ela disse que achou estranho o Trump não ter feito nenhuma cobrança à China sobre o canal do Panamá. Ela diz aqui que esbravejou tanto e não falou nada. E realmente, alguns meses atrás, era uma questão que estava ali no centro das falas de Donald Trump. Aquela acusação da China controlando o canal do Panamá, retendo navios com madeira americana.
Eu acho que reflete bastante a maneira errática como o Donald Trump tem feito a sua diplomacia. Ele tem, agora, por um ano e meio, quase dois anos já, apostado nessa política de pressão máxima que está...
se saturando, é um discurso que tem cansado aliados, tem cansado até mesmo os grandes rivais geopolíticos dos Estados Unidos, então mostra realmente que o que ele estava buscando ali nessa viagem não tinha sequer a ver com quase que questões geopolíticas, era algo...
meramente comercial e mesmo tratando-se de algo comercial, ele volta também para os Estados Unidos quase que de mãos abanandos também. A promessa, por exemplo, de compra de quase 500 aviões da Boeing por parte da China, isso não se concretizou. Foram 200 aviões, fez com que no final dessa viagem as ações da empresa caíssem em 8%.
Em relação a minerais críticos também, terras raras, nenhum grande acordo. Pelo contrário, foi um tema que praticamente se tornou, não tocaram nesse assunto. Então, deixou muito a desejar em diversos aspectos diferentes, ao mesmo tempo em que o Trump volta comemorando como se tivesse feito grandes conquistas, grandes aquisições, quando na verdade não chegou sequer perto disso. Os Estados Unidos chegaram.
como uma potência frágil, como uma potência decadente, que tem perdido o apoio de aliados ao redor do mundo, que tem, por conta própria, enfraquecido.
com alianças, como é o caso, por exemplo, da OTAN. Então, ele não chegou numa boa posição. O Trump quase que chega na DED desesperado para pedir, de certa forma, para a China um apoio para reabrir o Estreito de Hormuz. E aí é mais um momento no qual a gente vê...
Os discursos entre os dois lados, entre aquilo que o Trump falou depois da cúpula e aquilo que o Xi fala depois da cúpula, a gente vê uma diferença grande entre uma coisa e outra. Então, o Trump chega lá pedindo ajuda nisso, sem mostrar que está pedindo ajuda. E o discurso da China é basicamente o seguinte, que esse conflito no Oriente Médio era algo que nunca deveria ter começado para começar.
E ele não confirma também, a China não confirma que ela vai agir ativamente para ajudar a reabrir o estreito. Então, eu acho que é uma posição bastante complicada dos Estados Unidos. E o Xi está mais forte politicamente? Com certeza, acho que não tem dúvida disso, porque o Xi deu para o Trump todo aquele espetáculo que ele valoriza.
...concessões que sejam concessões profundas. No conteúdo, o Xi desloca Taiwan para o centro da conversa, ele evita assumir publicamente compromissos fortes sobre o Irã, não confirmou...
sequer aqueles acordos comerciais que foram anunciados pelos Estados Unidos, então o Xi conseguiu administrar o Trump de certa maneira. Ele oferece respeito, ele oferece pompa, oferece bajulação, mas não ofereceu substância. Então eu acho que sim, é uma maneira dele mostrar que ele sai mais forte e que diferentemente da primeira administração do Donald Trump,
a China está se posicionando de maneira diferente. Ela conseguiu agora responder a pressões. No caso, por exemplo, das terras raras que a gente observa no ano passado. Os Estados Unidos ameaçam com tarifas. A China, o que ela faz? Ela fecha o cano. Ela fecha a torneira das terras raras e faz o Trump recuar. Então, ela está sabendo jogar o jogo dele. Como a guerra no Irã entrou nessa conversa, Uriã?
O Trump tenta usar a visita para aumentar a pressão sobre o Irã na volta. Inclusive, ele disse para jornalistas que o Chile estava concordando que o Irã precisava reabrir o estreito de Jormuz, que é uma passagem crucial. A gente já está falando isso desde o dia 28 de fevereiro, que um quinto de todo o petróleo do mundo passa por lá.
Mas a China não confirmou que ela faria nenhum tipo de pressão direta sobre os iranianos. Pelo contrário, o Irã prefere criticar a guerra, ele prefere dizer que é um conflito desnecessário, que nunca deveria ter começado. Então, o Trump tentou vender.
Quase como se tivesse havido uma convergência com o Xi Jinping, só que a resposta chinesa, na verdade, foi cautela. A China não comprou essa narrativa norte-americana sobre a guerra no Irã. E o que essa crise do estreito de Hormuz mostra, Uriam, sobre o que tem de limite da política externa do presidente americano? Mostra uma saturação.
O internacional mostra que essa diplomacia de pressão dos Estados Unidos, basicamente, não está funcionando mais. É como se tivesse atingido um limite. O estreito continua fechado e o Trump não está conseguindo alcançar os seus objetivos de longo prazo. A gente está observando hoje todo o comércio do mundo inteiro afetado, não é o comércio apenas da Ásia.
Pelo contrário, a China tem mostrado que ela consegue até mesmo resistir ao fechamento do estreito. Menos de 10% de toda a energia que a China consome passa pelo estreito de Hermosa. Eu entendo que quando a gente olha especificamente para a questão do petróleo, sim. Do petróleo que a China importa do mundo inteiro, cerca de 50%, 60%.
passa pelo esteito de Hormuz. Só que a China tem também outras fontes de energia, que é o caso, por exemplo, da energia verde, que a China hoje é uma referência na produção mundial, a questão da energia gerada a carvão também. Então, a China, e que também tinha uma reserva estratégica de petróleo bastante grande, as maiores do mundo,
ela consegue, de certa maneira, driblar diferentemente do Trump. E por se tratar também, na dédia, de um regime autoritário...
ela não é tão vulnerável àquelas pressões populares que é o caso, por exemplo, dos Estados Unidos. Porque o Trump vai ver os reflexos de todo esse aumento do custo de energia global nas urnas, nas eleições de meio de mandato que vão acontecer no final do ano. Já o Xi Jinping, não. Quem vai tirar o Xi Jinping do poder por causa do possível aumento dos preços de petróleo na China? Então, são questões bastante diferentes para um lado e para o outro.
O que dá para pensar sobre a relação entre a China e a Rússia depois dessa visita? O Vladimir Putin vai fazer uma...
viagem à China no futuro próximo e isso acontece logo depois da visita do Donald Trump. Então a gente pode colocar a China nesse momento como um centro dessa diplomacia triangular. Então a China conversa com os Estados Unidos, depois ela conversa com a Rússia.
E a Rússia deixou claro que o Putin acompanhou de perto toda essa visita e quer ali agora trocar figurinhas com o Xi Jinping. Então, uma reunião entre os dois para saber o que eles fazem a partir de agora. Importante a gente...
Eu queria frisar algo que a relação entre a Rússia e a China, ela é uma relação extremamente desequilibrada. A China, ela responde por mais de um terço das importações russas, né? Ela compra mais de um quarto das exportações russas, mas a Rússia, ela é só 4% do comércio internacional chinês.
Então, é importante a gente ter isso em perspectiva para também olhar a diferença do poder de barganha do Xi Jinping e do Vladimir Putin. Estados Unidos perderam poder de pressão sobre a China? Eu diria que a China aprendeu a responder...
As pressões norte-americanas de diferentes maneiras. Então, antes a lógica era de que os Estados Unidos escalavam e a China tentava administrar a crise fazendo diversas concessões. E agora...
É como se a China operasse mais pela dissuasão do que pela concessão. E o exemplo mais forte são os controles sobre as terras raras, os minerais críticos, como a gente observou no ano passado, com a China fechando a torneira na questão das terras raras. E aí a gente observa.
os Estados Unidos tentando diversificar suas fontes, a China que tem ali a capacidade de processar 90% de todas as terras raras do planeta, e aí a gente já vê o Donald Trump tentando se movimentar e diversificar suas fontes, como é o caso, por exemplo, agora com o estreitamento das relações com o Brasil, porque o Brasil é a segunda das maiores reservas de terras raras.
Para a gente se despedir, Uriam, qual é a imagem geral que fica sobre o Trump, sobre o Xi, sobre a ordem internacional? Eu diria, Naded, que é uma imagem de uma relação mais instável, mais transacional.
E menos previsível, porque o Trump sempre vai ser aquela pessoa que quer os resultados rápidos, ele quer anúncios bastante fortes, vitórias que possam ser apresentadas politicamente. E o Chile parece trabalhar com um horizonte muito mais amplo, tentando ganhar tempo.
tentando, de certa maneira, administrar o Donald Trump e consolidar uma moldura internacional que acaba sendo mais favorável à China. Então, é uma cúpula que consegue reduzir as tensões.
É muito melhor a gente ver os dois se encontrando, o Xi Jinping prometendo que vai mandar semente de rosas para a Casa Branca plantar no seu jardim, do que tarifas de 145% que acabam prejudicando o mundo inteiro. E o mais importante é que eu acho que tudo isso está conectado. Então, Taiwan, comércio, chip, terras raras, Irã, Estreito de Hormuz, Rússia, Energia.
Então, a China, ela aparece talvez hoje como uma potência que já não precisa tanto dessa validação americana e ela se apresenta mais como uma potência preparada para os desafios atuais e para os desafios futuros também.
Perfeito, seguimos acompanhando então próximos Parapassos por Hora. Muito obrigada por hoje, pela análise, Uriam Fanchelli, nacionalista de política internacional. Até uma próxima, bom fim de semana. Obrigado, bom fim de semana, até a próxima.
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