Episódios de Comentaristas

Vergonha alheia pode esconder admiração pela coragem do outro

17 de maio de 20268min
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Rossandro Klinjey reflete sobre a vergonha alheia e afirma que, muitas vezes, o desconforto com atitudes de outras pessoas pode revelar uma coragem que gostaríamos de ter. O comentarista também destacou que enfrentar pequenos desafios ajuda a desenvolver mais confiança e liberdade social.

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Participantes neste episódio2
N

Nadeja

Host
R

Rossandro Klinjey

ConvidadoPsicólogo
Assuntos2
  • Vergonha e AceitaçãoVergonha alheia como desconforto com atitudes alheias · Vergonha alheia como reflexo da coragem que falta · Enfrentar pequenos desafios para desenvolver confiança · Rossandro Klinjey · The Office
  • Medo de RejeicaoAção como caminho para a melhora · Começar com pequenos desafios · Desenvolvimento de musculatura de enfrentamento · Percepção da reação do mundo
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. O Divã de Todos Nós, com Rossandro Klinger. Rossandro Klinger, hoje mais cedo aqui com a gente no Revista CBN. Tudo bem, Rossandro? Boa tarde.

Ô, Nadeja, boa tarde. Como é que você tá? Tudo em paz? Tudo certo, mas você traz um tema que me perturba um pouquinho, Rosandro. Eu tenho uma certa intolerância com esse assunto que você vai trazer pra gente, que é a vergonha alheia. E tem até algumas obras, assim, de ficção que se baseiam muito no início, né? Seriado, tipo The Office, o entretenimento tá na vergonha alheia que você sente dos personagens. Mas isso me dá uma agonia, Rosandro.

Então, eu quero abordar essa vertente, que é uma conhecida, e uma outra que pouca gente percebe. Sim, é muito inconveniente quando a gente está num ambiente e alguém faz alguma coisa que a gente faz assim, meu Deus, eu não queria estar aqui vendo essa pessoa passar pelo que ela está passando na minha frente.

e a gente pode encontrar de repente um transeunto que faz alguma coisa ridícula e a gente sente vergonha, uma pessoa no shopping pode ser um parente nosso numa festa que faz um comentário que não deveria ter sido feito, ou alguém que chega com a roupa completamente fora do contexto, num ambiente, imagina tá todo mundo numa tarde como essa esperando você numa feijoada, todo mundo de bermuda e tal, e você chega lá como se veste numa festa de gala, então tem coisas pequenas, desde como você se veste você se comporta é

que faz com que você sinta vergonha do comportamento do outro. Mas eu quero aqui fazer uma vertente mais provocativa. Se te incomodar, vai incomodar mais ainda agora, Nandes. Vamos. É o seguinte, muitas vezes nós sentimos vergonha porque o outro teve coragem de fazer uma coisa que a gente não tem coragem de fazer. Entende? A pessoa tem coragem de dizer uma coisa que a gente vive engolindo e calando. E o outro vai lá e diz. E aí a gente, o nosso ego fica tão...

tomado de, digamos assim, de um ressentimento inconsciente do processo, que é mais fácil eu sentir, aspas, vergonha da pessoa que disse aquilo do que admitir, eu nunca tive coragem de ser tão claro sobre o que eu sinto. Eu nunca tive coragem de dançar sem estar nem aí para a opinião dos outros. Mesmo que só uma pessoa levantou para dançar na mesa no show.

Ou seja, como eu queria ser essa pessoa que deu vontade de dançar, eu vou dançar. Eu não sou medido pela opinião dos outros, eu vou dançar aqui. E se as pessoas quiserem me olhar, que olhem, mas eu me basto. Então tem muitas vezes que sim, a vergonha que a gente sente do comportamento do outro. É porque foi ridículo mesmo, existe esse contexto, foi ridículo, foi descabido, não tinha sentido. Mas existe uma vergonha que é a coragem que o outro revelou que eu ainda não tenho.

Então, eu queria que a gente refletisse sobre isso. Quantas vezes alguém tem um comportamento que você pode estar comentando, catucando a pessoa, batendo no ombro do outro lado, dizendo assim, olha que coisa ridícula que a pessoa está fazendo, e no fundo ela está tendo coragem, sabe? Tipo, você está num ambiente, todo mundo numa fila que ninguém faz acontecer, e alguém se indigna e diz, ah, precisa de falta de respeito.

Que falta de respeito é essa? E a pessoa mais tendo, a pessoa que não costuma se defender, fica com vergonha daquela pessoa, achando que ela está se expondo, quando, na verdade, ela está questionando o desrespeito daquela fila que não anda. Recentemente, eu fui pegar um voo em Congonhas, e a gente, no ônibus, aquele momento que você não está no finger, que é aquele bracinho mecânico que leva você para o avião, e tem muito o embarque remoto, que você pega o ônibus para chegar no avião. Antigamente, na DG, eles davam... Eu sou thinking é...

É guardar chuva pra gente. Hoje não. E tem uma senhora sentada numa cadeira de roda no meio da chuva. Entende? Então, assim, se indignar nesse momento e falar, algumas pessoas não te envergonham, mas é a defesa do direito das pessoas. Então, tem comportamentos que nos envergonham.

mas que, no fundo, calam dentro de nós com o sentimento de por que você ficou calado vendo alguém se molhar na chuva, numa cadeira de roda, só para não incomodar o entorno? Só para não parecer o chato do rolê? Só porque você tem medo da opinião dos outros? Quantas pessoas, por exemplo, estão no metrô, estão no ônibus e não dão lugar a uma pessoa idosa, uma pessoa com necessidade, só porque têm vergonha de se levantar para oferecer?

tem vontade, mas o que vão pensar de mim? Vai todo mundo olhar para mim quando eu levantar para oferecer essa cadeira. Se a pessoa recusar e disser que não precisa. Ou seja, muitas vezes a gente está sendo pautado pelo que a gente acha que as pessoas vão pensar sobre nós.

Quando, na verdade, a maior parte das pessoas está tão preocupada com tantas questões pessoais, lidando com suas dores, seus boletos para pagar, seus conflitos para resolver, seus traumas para compreender. Então, a gente tem que olhar sobre o aspecto de o que é que o outro faz, quando não é ridículo, obviamente, que mostra para mim a coragem que eu não tenho de fazer também.

Olha, perfeito. Eu acho que você resumiu, Rossandro, uns 10 anos de terapia minha, que sou uma pessoa, já falei nas minhas redes, diagnosticada mesmo com fobia social e cercada, felizmente, de pessoas extrovertidas e abertas e corajosas do ponto de vista social, de quem eu dependo muito para esse tipo de coisa, para fazer aquela reclamação do pedido que veio errado, para tirar uma dúvida sobre alguma coisa, para pedir ajuda para alguém.

é exatamente tudo isso que você falou, né, eu fico desesperada ali pela pessoa mas eu queria conseguir fazer isso também, e com trabalho dá pra chegar lá também, né uma coisa que a gente tem que aprender sobre isso, que você falou pessoalmente aí primeiro respeitar, porque quando a gente tem uma certa timidez, a gente não pode fazer isso na velocidade que o mundo quer, mas na velocidade que a gente pode mas também não pode ser uma velocidade zero de nunca fazer

Mas uma coisa importante que é preciso ser dita, aproveitando esse, a sua coragem de se expor e colocar isso, que eu acho que é muito legal, que ajuda as pessoas e nos humaniza, e eu falo muito das minhas próprias dores para humanizar, né? Esse lugar da gente que fala, é que às vezes a gente espera ficar bom para agir. E é agindo que a gente fica bom.

Às vezes a gente espera ficar bom para falar em público. E é falando em pequenos públicos que a gente fala nos grandes públicos. A gente espera, por exemplo, às vezes, se estar bem resolvido para ter coragem de reclamar da pizza que chegou errada. E é só reclamando da pizza que chegou errada que a gente tem coragem de reclamar do resto das coisas mais sérias da vida. Então, começa com coisas pequenas, pontuais, aquilo que você acha que é um desafio menor.

aquilo vai te dando uma musculatura de enfrentamento, você vai vendo que o mundo não vai se acabar, que ninguém vai te matar. É igual quando a gente está aprendendo a dirigir, que para assim, vem um dos atrás. A gente acha que um dos vai passar por cima do carro, ou um caminhão aí na marginal. Mas chega um momento que você percebe, não, as pessoas vão respeitar. Se eu tiver parado, se o carro quebrar, elas vão simplesmente desviar.

Vão apitar, vão ficar chateadas, mas vão seguir o caminho delas. E assim a gente aprende que o mundo não está tanta importância como a gente imagina, e a gente pode ser mais livre por isso.

Muito bom. Rosandro Klinger, muito obrigada por mais essa. Bom domingo, boa semana para você. Até mais. Prazer também, Nadeja, pra todo mundo que está nos ouvindo. Valeu, até.

Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que, de fato, somos gigante. Chega de se ver, pequenininho. Bora botar o Brasil no telão.

Ouviu? E mais, em qualquer compra a partir de R$ 199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.

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