Episódios de Comentaristas

‘O silêncio coletivo diante do absurdo não é burrice, é cálculo’

18 de maio de 20262min
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Rossandro Klinjey faz uma reflexão sobre o preço da verdade. “Cada pessoa que cala sabe o que vê, só decidiu que o custo de falar é maior do que o custo de fingir”. Comentarista destaca que o ‘silêncio diante do absurdo não é, nem nunca será, prudência. Mas, certamente, é um tipo de cumplicidade com roupa de educação’. Ouça.

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Participantes neste episódio1
R

Rossandro Klinjey

ConvidadoPsicólogo
Assuntos2
  • Poder do SilêncioO silêncio coletivo diante do absurdo · A Roupa Nova do Rei · Rossandro Klinjey · Hans Christian Andersen
  • A Verdade como PessoaCusto de falar vs. custo de fingir · Cumplicidade com roupa de educação
Transcrição8 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Em um mundo cheio de respostas, escolhemos fazer as perguntas certas. Somos a Trilha. Fazemos perguntas que movem negócios com dados e inteligência aplicada. Saiba mais sobre a Trilha em trilhab3.com.br Refletir para viver com Rosandro Klingey

Hans Christian Andersen publicou um conto em 1837 muito atual. O nome do conto é A Roupa Nova do Rei. Quase 200 anos depois, a cena se repete toda semana em empresas, famílias, relacionamentos e assembleias políticas. No conto, o rei está nu. Todo mundo vê.

e a procissão segue como se a roupa fosse real a história é conhecida dois espertalhões convencem o imperador de que teceram uma roupa invisível a olhos tolos o imperador não vê nada mas finge ver para não parecer idiota a corte inteira faz o mesmo

Até que uma criança, sem entender ainda as regras do jogo social, fala o óbvio em voz alta. O que Anderson entendeu antes da psicologia ter nome para isso é que o silêncio coletivo diante do absurdo não é burrice, é cálculo. Cada pessoa que cala sabe o que vê. Só decidiu que o custo de falar é maior do que o custo de fingir. Esse cálculo acontece toda hora, na reunião onde o projeto ruim é aprovado porque o chefe gosta.

Acontece também nas famílias onde o comportamento destrutivo de alguém é tratado como peculiaridade. Ou no relacionamento onde os dois sabem que acabou e nenhum dos dois diz. Claro, ocorre também na empresa onde todo mundo sabe que o líder não serve e ninguém fala, porque o emprego pesa mais do que a verdade. A criança do conto não era corajosa.

Era apenas inocente o suficiente para não ter aprendido ainda que verdade tem preço. O adulto sabe o preço, e ainda assim algumas vezes precisa pagar. Silêncio diante do absurdo não é, nem nunca será, prudência. Mas certamente é um tipo de cumplicidade com roupa de educação.

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