Visita de Trump à China: ‘Muito simbolismo e pouca ação concreta’
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Fernando
Filipe Figueiredo
- Visita de Trump à ChinaSimbolismo vs. Ação Concreta · Donald Trump e a NASA · Xi Jinping · Estreito de Hormuz · Irã · NVIDIA · Boeing
- Corrida por MicroprocessadoresInteligência Artificial · Taiwan · China · Estados Unidos · Minerais Críticos · Veículos Elétricos · Pandemia
- Alianca China-RussiaRelação Rússia-China · Vladimir Putin · Xi Jinping · Irã · Estreito de Hormuz · Power of Siberia II · Turcomenistão
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. CBN pelo mundo, com Felipe Figueiredo.
Felipe Figueiredo com a gente toda segunda-feira aqui no CBN pelo Mundo. Felipe, bem-vindo mais uma vez. Tudo bem? Oi, Fernando. Tudo bem? Sempre um prazer estar com você e com os nossos ouvintes da CBN.
Felipe, nós tivemos a visita de Donald Trump à China, uma visita cheia de simbolismo, significados, muita pompa, mas foi pouco tempo, em 48 horas não dá para discutir tudo que as duas maiores potências do mundo têm de interesses. Então, há consequências, há desdobramentos dessa visita, é isso que a gente vai conversar aqui hoje, e tem também outro grande encontro, que é de Xi Jinping e Vladimir Putin, ainda nesta semana.
Felipe, um balanço sobre a visita de Donald Trump à China com o Xi Jinping. O que você achou? Olha, Fernando, eu vou usar a palavra que você usou. Muito simbolismo, porém pouca ação concreta.
O Donald Trump, como nós comentamos aqui semana passada, ele foi recebido com todas as pompas possíveis, inclusive para massagear um pouco, digamos assim, o ego dele. Então, ele teve ali acessos que normalmente um chefe de Estado estrangeiro não tem.
Ele foi até, inclusive, uma das sedes principais do Partido Comunista Chinês, que é um antigo Jardim Imperial Chinês. O último presidente dos Estados Unidos a visitar esse local havia sido Gerald Ford, em 1975. Então, Donald Trump teve todas as pompas, levou uma grande delegação, porém, nós não tivemos muitos anúncios concretos. A declaração final.
menciona apenas que os dois países conversaram sobre os diversos pontos e concordam que o Estreito de Hormuz não deve ser militarizado, que o Irã não deve ter armas nucleares. A única coisa que nós tivemos de concreto, Fernando, foi o fato de que algumas empresas chinesas poderão ter acesso a alguns chips produzidos pela empresa NVIDIA dos Estados Unidos,
E a Boeing, como nós também havíamos comentado aqui, fechou um comprometimento de encomenda de cerca de 200 aeronaves. E mesmo isso, Fernando, não é um número tão grande assim. Já aqui se especulava que a China poderia comprar até mesmo 500 aeronaves devido ao tamanho do seu mercado doméstico de aviação.
Felipe, eu queria voltar nessa questão sobre os microprocessadores da NVIDIA, que são usados para a inteligência artificial. Por que é importante essa discussão? Que corrida é essa pelos processadores da NVIDIA? Olha, Fernando, essa sua pergunta é muito interessante, porque ela, inclusive, me permite fazer um breve adendo.
que eu gostaria de fazer um complemento à minha participação na semana passada, porque na semana passada eu disse que nós teríamos dois silêncios nessa conferência, que seriam as questões de Ucrânia e Taiwan. E nós tivemos esses silêncios. Nós não tivemos nenhuma declaração pública conjunta, nem na nota final da Casa Branca, mencionando esses dois assuntos. Obviamente que eles foram conversados...
Há portas fechadas, porém, quando eu disse que haveram esses silêncios, é porque as posições de China e Estados Unidos em relação à Ucrânia e Taiwan são tão antagônicas que é basicamente impossível a gente ter no futuro próximo uma declaração conjunta dessas duas potências sobre esses temas. E eu estou falando isso porque a própria questão...
sobre a independência de Taiwan ou não, está centrada nisso. Taiwan hoje é o grande centro fabril desses semicondutores que você mencionou.
Os Estados Unidos, a indústria de tecnologia dos Estados Unidos, precisa de Taiwan e precisa de uma Taiwan que não esteja completamente subordinada à China. Enquanto a China...
vê Taiwan como uma província rebelde e que a reunificação é apenas um processo, apenas uma questão de tempo. Além dessa questão de Taiwan, Fernando, ocorre também outro elemento, que é...
Hoje, a questão dos semicondutores, as empresas dos Estados Unidos, as universidades dos Estados Unidos, estão na vanguarda. A China ainda está tentando alcançar as empresas e universidades dos Estados Unidos. Porém...
O processo fabril desses semicondutores precisa de elementos, os chamados minerais críticos, que a maior parte da cadeia de produção global desses minerais está controlada pelos chineses. Então, é uma relação que é tanto uma competição, como você falou, é quase como se fosse a corrida armamentista do nosso tempo.
Mas, ao mesmo tempo, é uma relação de interdependência, porque os Estados Unidos têm a vanguarda tecnológica, porém a China domina as matérias-primas. E esses chips são importantíssimos para o desenvolvimento dos novos centros de comunicações de inteligência artificial.
para os servidores de inteligência artificial. E também vamos lembrar que hoje em dia, a demanda por esses chips está tão grande, porque, por exemplo, carros hoje utilizam chips, claro que não tão potentes, mas os novos veículos elétricos, veículos autônomos, veículos por conta dos seus sensores, precisam desses chips. Ao ponto que durante a pandemia...
quando nós tivemos uma perturbação da cadeia global desses chips, nós tivemos o usuário comum que queria apenas comprar um videogame para poder se distrair durante a pandemia, enquanto ele estava em quarentena.
O preço dos videogames, por exemplo, subiu, porque a demanda por esses chips. Então, é uma relação, como você colocou, de competição, de uma corrida armamentista do nosso tempo, mas também de interdependência.
Algo mais ficou de fora, Felipe? Olha, Fernando, acho que a grande questão sobre essa visita, claro que existem diversos aspectos dela muito interessantes que são pertinentes, precisamos dizer, destacados. Uma delas é o fato, por exemplo, que nós não tivemos, isso que eu vou falar agora é literal, tá, gente? Nós não tivemos mulheres.
em posições de negociação. Nós tivemos duas delegações gigantescas se encontrando no grande salão do povo e não havia uma mulher com voz na sala. Isso é uma imagem muito poderosa. Isso não é um mero detalhe, isso não é um mero...
ativismo, isso é uma imagem muito poderosa sobre a visão desses dois governos e a formação desses dois governos agora, pensando no que nós discutimos previamente sobre os resultados ou falta de resultados desse encontro, ou seja nós não tivemos o anúncio de um board of trade não tivemos anúncio de e
grandes avanços no setor agrícola, não tivemos avanços no combate aos entorpecentes, que é um discurso também importante para o Donald Trump, para o seu eleitorado, é o fato de que o Trump convidou oficialmente, formalmente, o Xi Jinping a reciprocar visita e ir até a Casa Branca em setembro. Então, de maio a setembro, temos basicamente quatro meses, mais ou menos,
é ver se, nesses quatro meses, nós teremos uma solução para o Estreito de Hormuz e se essas pautas que são conversadas por ministérios, por delegações, por representantes, se até setembro nós teremos avanços que serão colocados no papel e assinados por China e Estados Unidos. E aí seria, inclusive, benéfico para a imagem do Donald Trump e aí
que tais documentos fossem assinados na Casa Branca, na véspera das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Então, temos o anúncio dessa visita recíproca e é ver se as conversas, as negociações, a parte burocrática das negociações vão avançar nesses quatro meses.
Para a gente finalizar, Felipe, teremos um outro grande encontro na China, porque Vladimir Putin vai se encontrar com o Xi Jinping dois dias, nesta terça e quarta-feira. O que a gente pode esperar? Olha, primeiro a gente tem que destacar para o nosso ouvinte que o Putin e o Xi Jinping têm uma relação muito próxima. Eles já se encontraram praticamente 50 vezes desde 2013.
eu tenho certeza que existem pessoas que não encontraram familiares seus tantas vezes no mesmo período de tempo. Então, os dois, eles têm uma relação próxima, eles têm uma relação de confiança. Existe até como uma anedota para o nosso ouvinte, tem até uma imagem.
de uma das visitas do Putin à China, os seguranças do Putin e o segurança do Xi Jinping se cumprimentando com acenos, numa situação em que eles claramente já se encontraram muitas vezes. Então, é uma relação estratégica entre Rússia e China muito profunda, que já foi definida pelos dois como uma aliança sem limites, embora não seja uma aliança formal.
Agora, o que nós podemos esperar desse encontro específico? Primeiro, Irã. Irã certamente vai ser uma pauta, porque Rússia tem uma relação relativamente próxima com o Irã, intensificada nos últimos anos. O Irã tem uma relação econômica com a China muito próxima, a parceria de 25 anos.
Segundo, o fechamento do Estreito de Hormuz, um dos países mais afetados no mundo, foi justamente a China. Então, a Rússia, muito provavelmente, vai aproveitar essa situação para melhorar a sua posição econômica como fornecedora de hidrocarbonetos para a China. Especialmente...
tentando revitalizar o projeto da linha do gasoduto, chamado em inglês Power of Siberia II. Porque recentemente a China anunciou que ia comprar mais gás natural do Turcomenistão, na Ásia Central. Então a Rússia quer aproveitar esse momento em que a China vê o seu fornecimento de hidrocarbonetos prejudicado pelo fechamento do estreito de Hormuz. E...
fortalecer o seu argumento de que as conexões por terra, de que as conexões fixas seriam mais seguras, mais vantajosas nessa relação. E terceiro, claro, muito provável, que também tenha alguma conversa de bastidor, que não será colocada em público, sobre o que o Xi Jinping e o dono de Trump conversaram. Então, uma espécie ali de...
conversa tripartite indireta, muito provavelmente sobre o Irã, mas talvez não apenas sobre o Irã. Perfeito. Felipe Figueiredo, muito obrigado mais uma vez pela participação e até a segunda-feira que vem.
Eu que agradeço e até semana que vem. Uma ótima semana para todos os nossos ouvintes. Em um mundo cheio de respostas, nós escolhemos fazer as perguntas certas. Somos a Trilha, especialistas em perguntas que movem empresas. Um time de cientistas com visão empreendedora e conhecimento em negócios, trilhando soluções estratégicas com dados e inteligência aplicada. Um negócio com selos de confiança e inovação da B3.
Conheça a trilha. Pensar fora da curva é o melhor caminho.
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