Episódios de Comentaristas

A concordância com a palavra ‘nenhum’

18 de maio de 202611min
0:00 / 11:45
O professor Pasquale responde à dúvida do ouvinte sobre a concordância com a palavra ‘nenhum’, usando o exemplo: ‘Cinco mergulhadores entraram na água nas Maldivas, num atol paradisíaco, e nenhum voltou/voltaram.’ Ouça para entender.

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Participantes neste episódio13
P

Professor Pasquale

HostProfessor
F

Fernando

Co-hostJornalista
T

Tatiana

Co-host
A

Adriana Negreiros

ConvidadoRepórter
C

Chico Buarque

ConvidadoCantor
G

Gorni Kramer

ConvidadoCompositor
L

Lúcio Dalla

ConvidadoCantor
L

Luiz Fernando Correia

ConvidadoComentarista
M

Moacir Franco

ConvidadoCantor
N

Nazareno de Brito

ConvidadoTradutor
R

Rodolfo Amaral

ConvidadoCompositor
T

Tales Silveira

ConvidadoCompositor
V

Vito Palatini

ConvidadoCompositor
Assuntos3
  • Importância de Dizer NãoConcordância verbal com pronome indefinido · Fenômeno de atração/contaminação verbal · Maldivas
  • Concordância com 'maioria'Concordância verbal com termos de aglomeração · Possibilidade de concordância com núcleo ou especificador · Meus Poemas Estão à Venda · Similares
  • Lançamento de livro sobre Dersi GonçalvesAdriana Negreiros · Dersi Gonçalves · Livraria da Vila
Transcrição30 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. A nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale.

Professor, um pouquinho mais cedo hoje, por causa da nossa transmissão, da convocação da Seleção Brasileira a partir das quatro e meia. Oi, professor, boa tarde.

Boa tarde, Tatiana. Boa tarde, Fernando. Boa tarde, ouvintes. Quero dar um recado antes que eu me esqueça que a memória não vai bem. Então, hoje, às 19 horas, na Livraria da Vila, que fica na rua Fradique Coutinho, isso para o pessoal de São Paulo, vai haver o lançamento de um livro da queridíssima Adriana Negreiros. Incrível! Que você conhece bem.

que você conhece bem, eu também conheço pessoalmente, uma mulher de uma dignidade absurda, de uma competência impressionante. Ela vai lançar mais um livro, desta vez, sobre Dersi Gonçalves, A Diva Debochada. Então, 19 horas na livraria da Vila. É isso. Muito bom. Dado o recado.

Tá bom? Viva a Adriana, beijo pra ela, tomara que esteja na nossa escuta. Eu disse pra ela que daria o toque aqui na CBN. Então, vamos lá, Fernando, querido. Hoje, dúvida de doutor Luiz Fernando Correia, ouvinte ilustre, pergunta a concordância com a palavra nenhum. Ele conta aqui, ó, dá um exemplo. Cinco mergulhadores entraram na água, nas Maldivas, num atol paradisíaco, e nenhum voltou. Voltou ou voltaram?

Ontem, domingo, às 12 horas e 13 minutos, ele me mandou uma mensagem e começa assim, meu caro, desculpe o domingo.

Aí ele conta uma história e tal, e aí entra em cena essa frase que você leu e essa redação causou uma conversa lá em família, eu adoro essas coisas, quando em família acontece uma...

uma conversa sobre língua, como é que é isso, como é que fica, como é que não fica e tal. E aí ele mesmo disse, de repente fica como pergunta para o quadro. Aí eu perguntei, o senhor me autoriza? Claro que autorizo, diz ele. Então está aí, já furei a fila, o doutor Luiz Fernando tem preferência sempre. E vamos lá. A questão é a seguinte.

Nenhum é singular. Então, esteja sozinho ou esteja acompanhado, nenhum é o núcleo. Então, o verbo vai necessariamente concordar com nenhum, que é singular. É zero, é nada. Por isso, o verbo no singular. Isso permite que a gente faça algumas...

digressões e tal, mas eu vou começar com um auxílio. É uma música italiana, composta por Gorni Kramer e Vito Palatini, versão para o português do Nazareno de Brito, que fez muitas e muitas versões de músicas estrangeiras para o português. Quem vai cantar para a gente é o querido Moacir Franco.

Isso está no disco dele Eu Te Darei Bem Mais, que também é uma música italiana. É o nome do disco, o nome de uma música.

De 1966. Eu fui ouvir o original, me lembrava do original, mas quis ouvir. A versão é mais ou menos fiel, a obrigação da versão não é ser fiel, é traduzir o espírito e tal, e às vezes a versão até melhora. O Lúcio Dalla, por exemplo, parceiro da professora Palutini no Gesù Bambino, que em português virou minha história, versão do Chico Buarque,

O Luchodala dizia que gostava mais da versão brasileira do que da original. Gostava mais da versão do Chico do que do texto original, que é da professora Palotini, que ele, Luchodala, musicou. Então vamos ouvir o Moacir Franco. Nas duas primeiras estrofes aí já há duas dicas preciosas. Vamos lá.

Nenhum de vocês me ilude ao dizer que ela vai muito bem. Prefiro a verdade, existe a saudade e ela tem coração. Se um de vocês amou tanto assim na certa, me entenderá e dirá, e dirá.

Onde está, amor, com quem repartes carinhos que são meus? Professor, vamos lá. Peguei aqui nenhum de vocês e depois sem um de vocês. Se um de vocês. Perfeito, perfeito. Nenhum de vocês me ilude.

Diz a versão do Nazareno de Brito, em italiano é parecido, é outro verbo, mas em suma é o mesmo processo, nessuno li voi. E nenhum de vocês me ilude, a concordância correta, corretíssima, feita com nenhum, que é um pronome indefinido, núcleo.

da expressão nenhum de vocês. E depois, se um de vocês amou tanto assim, mesma coisa, se um aí, um de vocês, é núcleo e a concordância obrigatoriamente é feita com esse um. O que acontece é que muitas vezes nós somos levados por um fenômeno que eu já comentei aqui mais de uma vez, que é o fenômeno da atração, ou até da contaminação, como chamam alguns.

Se eu tivesse nenhum dos jornalistas estrangeiros presentes, jornalistas estrangeiros presentes, três termos no plural, nenhum fica lá longe, começa a dar uma coceira, uma vontade, uma tentação de fazer o verbo concordar com esses plurais aí. Nenhum dos jornalistas estrangeiros presentes disseram não.

Nenhum disse. Então, nenhum dos jornalistas estrangeiros presentes disse. A gente não pode, sobretudo em linguagem formal, não pode deixar a tentação da proximidade prevalecer. Nenhum disse, nenhum dos jornalistas estrangeiros presentes disse. Nenhum de vocês, como diz a letra...

Nenhum de vocês me ilude. Bom, e eu aproveito para comentar um caso análogo.

Análogo, mas diferente, bem diferente. Vamos direto para o auxílio. Eu não vou... Não, vou dizer sim o nome da música, porque o nome não dá spoiler. A canção se chama Meus Poemas Estão à Venda. É memorável essa canção, composta por Tales Silveira e Rodolfo Amaral. O grupo que canta é Similares.

É o nome do grupo, similares, o disco se chama Meus Poemas Estão à Venda, é o disco de 2017. Prestem atenção no que vai acontecer aí com a palavra maioria. Vamos lá.

E aí, professor?

A maioria dos meus poemas está. Poderia ser estão? Sim, a maioria dos meus poemas estão à venda. Uai, mas por que aí pode e no outro caso não pode? Nenhum, como eu disse, é zero, é nada. Já a maioria é um termo que indica aglomeração, que indica agrupamento.

E quando nós temos coisas como maioria, maior parte, boa parte, grande parte e por aí vai, quando esse elemento é especificado, no caso a maioria dos meus poemas, a maior parte dos jornalistas,

Nós temos duas possibilidades de concordância. Ou a gente concorda com o núcleo, maioria, a maioria dos poemas está, boa parte dos jornalistas está, ou a gente concorda com o especificador, a maioria dos meus poemas estão, boa parte dos jornalistas estrangeiros presentes ficaram. Então isso só vale se o elemento central for...

designador de agrupamento, de grupo, de conjunto, maioria, parte e por aí vai. Então, não se confunda uma coisa com a outra, tá bom? Perfeito. E, estatisticamente, a gente tem 99 a 1 para o singular. A maioria dos meus poemas está, boa parte dos jornalistas ficou.

Grande parte dos eleitores quer e por aí vai. Está certo? Perfeitamente. Obrigado, professor, e até amanhã. Obrigada, professor. Um beijo. Grande beijo para vocês. Hasta mañana.

Em um mundo cheio de respostas, escolhemos fazer as perguntas certas. Somos a Trilha. Fazemos perguntas que movem negócios com dados e inteligência aplicada.

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