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Qual o uso correto para o advérbio 'segundamente'?

19 de maio de 202611min
0:00 / 11:39
Um ouvinte de Uberlândia (MG) pergunta sobre o uso do advérbio 'segundamente'. De acordo com sua pesquisa, o dicionário Aulete dá a acepção de 'em segundo lugar'. Ele pergunta se pode utilizá-lo em uma redação. Ouça a resposta do professor Pasquale

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Participantes neste episódio4
F

Fernando

HostJornalista
T

Tatiana

Host
P

Paulo Vitor Carneiro

ConvidadoOuvinte
P

Professor Pasquale

ConvidadoProfessor
Assuntos3
  • Uso do advérbio 'segundamente'Aceitação em dicionários · Uso em redações · Odorico Paraguaçu · Paulo Gracindo · Dias Gomes
  • Advérbios terminados em 'mente'Formação a partir de adjetivos · Durango Kid · Toninho Horta · Fernando Branche · Milton Nascimento · Ney Matogrosso · Leandro Braga
  • Índice Big MacComparação de preços internacionais · Banco Mundial
Transcrição28 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

O futuro não começa com o carro, começa com energia. Enquanto outros faziam promessas, a BioID já estava construindo baterias. Enquanto o mercado discutia, nós colocávamos milhões de veículos nas ruas. Aqui, tecnologia não é um acessório, é a base. Bateria, chip, motor, software, tudo construído junto desde o início. Por isso, somos mais seguros, mais eficientes e mais acessíveis. Não construímos carros para poucos, criamos mobilidade para todos. BioID, uma revolução global. No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.

A nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale. Professor Pasquale, boa tarde.

Boa tarde, Tatiana. Boa tarde, Fernando. Boa tarde, ouvintes. Eu gostei dessa coisa aí da relação da camisa país por país. Vocês sabem que existe um índice mundial que um desses institutos usa, acho que é o Banco Mundial, que é o Big Mac, né? É um índice oficial. Agora virou a camisa das seleções. Muito bem.

Professor, vamos lá. Hoje, dúvida de Paulo Vitor Carneiro, de Uberlândia. Pesquisou em alguns dicionários, inclusive no Aulete, a presença do advérbio, segundamente. O Aulete dá esta acepção em segundo lugar. O exemplo é, em primeiro lugar, uma convocação. Segundamente, a deflagração da greve. Posso usá-la numa redação, professor?

Aí é que está o problema. Pergunta para o Dorico Paraguaçu. Exatamente. Então vamos ouvir o Dorico Paraguaçu? Eu separei um pedaço aqui de uma fala dele. Separei. Eu sempre uso, segundamente, brincando com o Dorico. Acho demais.

É, mas ele criou uma série de termos, né? O Dorico Paraguaçu, que era uma figura genial, interpretada pelo Paulo Gracindo. O texto, se não me engano, do... Meu Deus, fugiu o nome, que vergonha. O texto é do Dias Gomes, né? É isso? Isso, isso, exatamente. Acho que sim.

É, mas vamos ouvir o Odorico, é um trecho curtinho, curtinho a beça, e você vai ver que ele capricha, vamos lá. Hoje é dia de perdoar os insultos.

De esquecer os desaforismos e os caluniamentos. De passar uma borracha para trásmente e partir para frentemente de coração limpo. Alma lavada e enxaguada para apertar a mão do inimigo de ontem que vai ser o seu amigo de amanhã. É genial. Para trásmente, para frentemente.

Ai, ai, ai, é muito engraçado. Bom, segunda mente é um advérbio, termina em mente, né? O advérbio terminado em mente normalmente é um advérbio de modo, né? E se forma a partir de um adjetivo, de uma palavra adjetiva. E teoricamente, olha, deixa quanto eu estou usando aqui de mente, né? Teoricamente, é possível fazer.

esse adverbo terminado em mente a partir de qualquer adjetivo, de palavra de natureza adjetiva. Vou dar um exemplo aqui com um clássico da música brasileira. Durango Kid. Vocês sabem quem foi Durango Kid? Mas Durango Kid não só existe no gibi? Desculpa, não resisti.

É, Durango Kid é um cowboy fictício, um cowboy de mentira, quer dizer, de mentira, criado, que entrou nos cinemas na década de 40, do século passado.

E foi longe, foram 60 e tantos filmes do Durango Kid, que era uma espécie de Robin Hood. Ele favorecia os pobres, favorecia os necessitados e tal. Então a gente vai ouvir Durango Kid, que é uma melodia do grande Toninho Horta, uma letra do monumental Fernando Branche.

Quem canta é o Milton Nascimento, está no disco Milton de 1970. A gente tem alguns exemplos aí de adverbios terminados em mente. Vamos lá. Própria mente eu sou.

Eu vim trazer, eu vim mostrar, novo jornal, novo sorriso. Novo jornal, novo sorriso.

Propriamente dizer Professor

propriamente. Isso é uma beleza, né? Em plena ditadura, propriamente eu sou Durango Kid. Propriamente é um advérbio, de modo que significa com exatidão, exatamente, com propriedade, de modo adequado. Eu sou Durango Kid. Eu sou aquele que vem trazer o novo sorriso, o novo jornal e por aí vai, né?

essa gravação antológica do Milton Nascimento num disco que é para ser ouvido de joelhos, chama-se Milton, é ele, Milton e o som imaginário, Tavito, que toca esse violão lindíssimo aí. Bom, quer mais exemplo de adverbo determinado em mente? Vamos lá. A gente vai ter um outro auxílio que se chama saia do caminho.

Um clássico da música brasileira, Custódio Mesquita e Evaldo Rui compuseram. Quem vai cantar lindamente para a gente é o Neymato Grosso, com o auxílio luxuosíssimo do Leandro Braga, num piano fantástico. Prestem atenção, vamos lá.

O nosso mesmo teto, mais uma vida brigaria. Fracassei novamente, pois sonhei, mas sonhei em...

E você francamente, decididamente...

Francamente, hein, professor? Que tal, dona Tati? Lindo, né? Bonito demais. É bonito demais. Viva Neymato Grosso. Fracassei novamente, pois sonhei, mas sonhei em vão e você francamente, decididamente, não tem coração. Novamente é um adverbo de modo, terminado em mente, deriva de novo, novo novamente.

Franco, francamente, decidido, decididamente. Isso é comum a dessa na língua. Os dicionários não costumam trazer os advérbios terminados em mente. Não costumam trazer todos, mas trazem alguns. Se a gente procurar propriamente no AIS, por exemplo, ele vai dar. E se procurar, segundamente, ele citou o Aulete,

que de fato registra, se procurar segundamente no AIS, ele também registra, e diz que é em segundo lugar, secundariamente, segundo, e ele diz em primeiro lugar a devoção religiosa, segundamente a entrega voluntária ao rito de passagem, esse é o exemplo. E ele dá também terceiramente.

Esse pode, coisa que a gente quase não usa, mas ele registra aqui terceiramente com o sentido de em terceiro lugar, terceiro, veja só o exemplo, não quero ver nem ser visto. Terceiramente, não tenho interesse algum por comemorações como essa. Ou seja, por que terceiramente? Não quero ver, é a primeira coisa, nem ser visto é a segunda coisa, terceira e não tenho interesse algum por comemorações como essa.

Bom, a pergunta do ouvinte, ele pode usar em redações? Eu tenho medo de alguns corretores que se julgam acima do bem e do mal e que acham que sabem tudo. Eu, se fosse corretor e visse um segundamente, se eu tivesse alguma dúvida, eu procuraria registros e tal. E é o que deve fazer o bom corretor e não sair canetando. Então, em tese, pode usar, querido ouvinte Paulo Vitor Carneiro.

Mas conte com a sorte de encontrar um corretor que tenha essa preocupação, que não leve tudo na brincadeira, que não ache que se trata tudo do Rodorico Paraguaçu. É isso. Tá bom. Obrigada, professor. Um beijo. Até amanhã. Beijo para vocês. Grande abraço. Até amanhã.

Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que, de fato, somos gigante. Chega de se ver, pequenininho. Bora botar o Brasil no telão.

Ouviu? E mais, em qualquer compra a partir de R$ 199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.

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