'Qualidade de vida não é luxo'
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Carlos
Cássia
Milton
Mário Sérgio Cortella
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Em um mundo cheio de respostas, escolhemos fazer as perguntas certas. Somos a Trilha. Fazemos perguntas que movem negócios com dados e inteligência aplicada. Saiba mais sobre a Trilha em trilhab3.com.br Conversa de primeira, no meio do caminho, com Mário Sérgio Cortella.
Muito bom dia, professor Mário Sérgio Cortella. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, professor. Professor Cortella, foi divulgado ontem um ranking que mostra a qualidade de vida nas cidades brasileiras. É feito pelo Instituto Imazon, em parceria com outras organizações. Eles buscam indicadores dos 5.570 municípios brasileiros.
E aí no topo da lista aparece, pelo terceiro ano consecutivo, a pequena cidade de Gavião Peixoto, interior de São Paulo, cidade onde fica também sede da Embraer. E lá se percebe que há uma série de fatores ali, evasão escolar baixa, quase zerada, ausência de fila por vagas na rede municipal. Tem também um dos maiores PIBs, até pela própria presença da Embraer por lá.
Se pegar as capitais, aí nós temos uma quantidade maior de aglomeração, Curitiba se destaca ali, aliás, está em quinto lugar. E aí fica essa discussão e esse olhar sobre o que é uma cidade que nos oferece boa qualidade de vida, professor Cortella.
Olha, eu gosto sempre de lembrar, né, Milton, que essa qualidade é diferente de privilégio de vida. Uma cidade é uma junção de pessoas que partilham a existência, trabalham, passeiam, tem tudo que é a possibilidade de uma existência e ali se cuidam e são cuidadas. Por isso, uma cidade que tem qualidade...
Não é aquela que tem luxo, não é aquela que tem ostentação. Por exemplo, Dubai, pegando um exemplo clássico, até algum tempo antes da guerra, a noção de qualidade de vida, não. Aquilo é uma ideia de exuberância. A qualidade de vida é quando todas as pessoas, no lugar onde vivem, elas têm acesso a serviços públicos adequados, não têm carências, têm alternativas e, portanto, não é privilégio. Exemplo concreto.
São Paulo, onde eu vivo. São Paulo é uma cidade na qual se come muito bem. Quem come? Quem come o quê? É uma cidade na qual há muitas escolas de alto nível. Quem as frequenta? Nesse sentido, claro, qualidade de vida, se entendido como a oferta da solução de carências básicas das pessoas é bem diferente de mero privilégio.
E nesse sentido, o Gavião Peixoto dá uma lição de como pegar um PIB alto, em parte impulsionado pela presença de uma grande empresa.
e converter isso em bem-estar para a população na prática. E aí a gente está falando de serviços públicos, por exemplo, ligados à educação, e lá tem esses índices muito bons que o Milton citou na abertura, da invasão escolar baixa, da oferta de vagas na rede municipal de ensino, lá não tem essa carência, diferentemente do que acontece em muitas cidades brasileiras. Eles conseguiram converter esse PIB alto em melhorias, aparentemente, para a maior parte da população, né, professor?
Sem dúvida, Carlos, é claro que uma cidade menor em termos de demanda, de número de população, de exigência de serviços, ela tem uma facilitação maior. Mas essa ideia não é exclusiva. Nós temos várias cidades pelo mundo afora. A própria Curitiba lembada agora pelo Milton no ponto de partida como a quinta nesse ranking, é uma cidade que você tem uma limpeza pública adequada, uma estrutura urbana, um planejamento, dependendo em grande parte.
daquilo que o arquiteto Jaime Lerner projetou quando prefeito há muitos anos. Portanto, tudo o que oferece a noção da cidade ser um lugar para todas as pessoas ali viverem bem. O tamanho facilita, numa circunstância como essa, mas não é um princípio exclusivo. Nesse sentido, o cidadão, a cidadã, a pessoa que mora numa cidade, não apenas mora.
dela também tem de cuidar. E cuidar de quem dela cuida, em nosso nome, que é o executivo e o legislativo, de modo que o cuidado seja uma responsabilidade partilhada. Mas ainda continua a noção mais forte de ter serviços de vida e serviços públicos que sejam, de fato, alcançáveis, atingíveis e na posse boa de todas as pessoas. É um exemplo. A gente observa e não desiste.
Muito obrigado, professor Mário Sérgio Cortella, e um bom dia. Abraço. Abraços.
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