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Professores com medo do futuro dos alunos

20 de maio de 202621min
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Rossandro Klinjey reflete sobre o medo dos professores atualmente em relação ao futuro de seus alunos. Confira.

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Participantes neste episódio4
N

Nando

Host
T

Tati

HostApresentadora
F

Felipe Igreja

ReporterJornalista
R

Rossandro Klinjey

ConvidadoPsicólogo
Assuntos5
  • Desrespeito a educadoresDesprezo da sociedade · Desvalorização pelo governo · Remuneração baixa · Professores chamados de vagabundos · Adicional de hora parada · Professor Pasquale
  • Custo Brasil da deseducaçãoFalta de investimento em educação · Falta de respeito e dignidade ao professor · Filhos de médicos e advogados não querem ser professores · Educação como projeto de 50 anos · Coreia do Sul · Singapura
  • A natureza corrupta do coração humanoPais que acham que a escola é para o filho · Educação para maltratar professor · Divisões políticas e redes sociais · Incapacidade de confrontar e suportar o mundo · Decadência psíquica
  • Prisão de brasileiro nos EUAElite do atraso · Falta de cultura e sofisticação · Desejo por dinheiro fácil · Cursos de como ficar empreendedor milionário · Gessé Souza
  • Educação e formação do caráterAutonomia emocional, moral e financeira · Ser e não ter · Educação da alma e da mente · Emoções como constante
Transcrição58 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Em um mundo cheio de respostas, nós escolhemos fazer as perguntas certas. Somos a Trilha, especialistas em perguntas que movem empresas. Um time de cientistas com visão empreendedora e conhecimento em negócios, trilhando soluções estratégicas com dados e inteligência aplicada. Um negócio com selos de confiança e inovação da B3.

Conheça a trilha. Pensar fora da curva é o melhor caminho. Saiba mais sobre a trilha em trilhab3.com.br. Saúde Integral, com Rossandro Klinger. Olha ele aí, um pouquinho mais cedo hoje. Boa tarde, Rossandro, bem-vindo.

Tá vendo aí? Um pouquinho mais cedo, mas sempre por aqui. Sempre. A gente gosta assim, hoje com um pouquinho mais de tempo pra gente conversar sobre o medo dos professores em relação ao futuro dos alunos. Baseado em que esse tema, hein, Rossandro? Então, você sabe, Tati. Boa tarde, Nando. Boa tarde, os ouvintes. Eu estive no Festival LED da Rede Globo, que é luz para a educação, que acontece todo ano. E é maravilhoso.

Exato, eu fui para uma mesa, um painel, junto com pessoas da Fundação Bradesco e outras pessoas, falando sobre um pouco disso. E aí, quando a gente abriu para perguntas, eu recebi essa preocupação de alguns professores, o medo que eles sentem com relação ao futuro dos alunos. Só que assim, 15 dias atrás eu tinha ligado para uma escola, que é só para crianças, uma escola conhecida, que tem um trabalho belíssimo, até com arte, as crianças aprendem a tocar violino.

E aí a diretora estava dizendo que queria fechar a escola. Eu perguntei, mas por quê? Elas não estão aguentando mais a educação. E aí eu perguntei assim, ah, eu clássico os pais, porque muitas escolas estão esgotadas por causa dos pais, né? Que chegam cobrando, humilhando o professor, apontando o dedo, pedindo cabeça, surtando nos grupos de WhatsApp, que é como se fosse uma nova fogueira medieval moderna de queimar reputação de educadores.

A coisa que mais as escolas temem é pais e mães do terceiro B manhã da escola tal. É uma coisa assustadora, como as pessoas surtam ali dentro. Igual condomínio, grupo de condomínio, de família também não é muito diferente, a verdade é essa, né? Mas ela me falou de uma coisa muito assustadora. Ela disse, não, Rosane, minha escola só vai até crianças de 5 anos de idade, 6 anos de idade, e eu estou recebendo uma geração de crianças perversas, cínicas.

Com 3, 4 anos. Perversas e cínicas, perversas e cínicas, exatamente. Então, assim, com os pais eu sempre lidei, mas o pai é que ela vem, surta, vai embora, mas as crianças sempre foram bálsamo pra gente. Aquela leveza, aquela coisa bonita da descoberta, mas agora elas são perversas, tem crianças cínicas, tem crianças provocadoras.

Ela até perguntou para mim por que estava acontecendo isso. Eu até falei assim, Tati Nando, a gente tem tido recentemente, eu vejo isso em várias escolas, até porque eu tenho uma empresa que trabalha educação só se emocionar em escolas, que educa, e a gente tem uma amostra de quase 280 mil alunos para conversar. Essa é a verdade. E o que eu percebo é que essa é como se fosse, tem uma geração de crianças que foram mimadas e que hoje são os pais.

Entende? Então, são pessoas que foram deseducadas nas suas famílias e se tornaram pais. Então, quando você pergunta para essa pessoa assim, e seus pais, lembre como foi que eles fizeram? Eles vão dizer assim, não fizeram, não cumpriram o papel. Porque o grande compromisso da educação de um ser humano é a autonomia.

É você educar essa pessoa para que ela tenha autonomia emocional, moral, financeira, e consiga seguir com as próprias pernas e, de preferência, fazer isso sem provocar o mal-estar na vida, nas pessoas, nos casamentos, nos namoros, no trabalho, na escola.

Só que o que a gente tem visto são um conjunto de pais que acham que a escola tem que ser feita para o filho dele, a filha dele, e não para o coletivo de crianças que vêm de famílias diversas e que vivem ali uma experiência de pré-socialização, porque a verdade...

É que o mundo adulto é um mundo em que a gente convive com um monte de gente, inclusive muitas que a gente tem que suportar, que a gente não vai com a cara, que a gente não admira, mas faz parte de um contexto, né? Se aí eu fico violentando todo o ambiente escolar para que seja como eu quero, e se eu educo meu filho para maltratar professor, humilhar professor, dizer eu pago o seu salário, cale a boca, né? Quem é você para reprovar meu filho?

Nós estamos, no fundo, construindo um conjunto de pessoas inaptas para a vida em sociedade.

ironicamente, num tempo em que a vida em sociedade já está muito estressada por divisões políticas, por redes sociais, por tecnologias disruptivas que vão colocar o nosso ego de sujeitos e de coletividade nas cordas todos os dias. Tem colocado já, na verdade. Diariamente a gente é provocado, as escolhas que a gente tem que fazer. Inclusive eu estou aqui hoje em Londrina, fiz palestra para um evento da CBN Curitiba ontem, hoje é CBN Londrina.

para falar sobre como fazer escolhas em tempos difíceis e complexos, como que a gente vive. E se tem uma geração de pessoas que é incapaz de confrontar, de suportar esse mundo, e chega na escola nesse lugar, você realmente tem medo do futuro desses alunos.

Estou pensando aqui, hoje é dia do pedagogo, né? Eu não sei se foi uma coincidência ou não. Foi coincidência, não lembro. Foi coincidência. Dia nacional do pedagogo. A gente ouviu o nosso repórter Felipe Igreja agora há pouquinho falar de Brasília sobre os cursos EAD, de formação de professores, que tem notas muito baixas e tal. E acho que faz tudo parte mais ou menos do mesmo problema, né? No fundo, a gente está falando...

do desprezo pela figura do professor. A gente está falando da desvalorização de todos os lados, dos pais em relação à autoridade do professor, do governo em relação à formação de professores. E remuneração.

A remoneração desses professores, sobretudo, né? A gente tinha servidores na rua aqui em São Paulo até outro dia, reivindicando que essa valorização fosse mais pungente no estado de São Paulo. E estou aqui pensando nas figuras que foram importantes na minha vida, não só porque me ensinaram logaritmo. Mentira, que eu nunca aprendi logaritmo, mas tentaram me ensinar logaritmo. Mas também fizeram parte da minha formação.

da formação da minha autoestima, do meu senso crítico, que me fizeram pensar, que me ensinaram a perguntar o porquê das coisas. E a gente tem um pouco a impressão de que nem os pais respeitam mais essas figuras e entendem o papel deles na criação de seus filhos, né? Não tem. Há, inclusive, o que eu chamo de aborto afetivo.

Você deixa a criança virar o mundo, mas não cumpre seu papel de educador. Terceiriza para as escolas, terceiriza para todos os lugares, responsabiliza. A escola virou o rebotário de tudo que a sociedade não dá conta. Que a família não dá conta, joga para o professor, joga para a escola. A inclusão é importante, a escola tem que fazer. Mas só se cria uma lei, inclua. Como? De que forma? Qual é a estrutura que você está me dando para incluir essa criança?

Então, assim, existe hoje uma sobrecarga na educação muito grande. E eu acho que a gente sempre fala de custo Brasil, né? O custo Brasil que torna os produtos mais caros. Mas tem um custo Brasil que sempre que eu faço palestras fora do Brasil e vou jantar com algumas pessoas de outros países, eles sempre perguntam assim, às vezes de formas explícitas, às vezes de forma menos explícita.

Por que o Brasil não se torna um país relevante internacionalmente, dando o tamanho da população, o tamanho da riqueza que tem no Brasil natural e o próprio PIB do Brasil, que é relevante significativamente? E a grande questão, a grande resposta que fica é porque nós não investimos na educação. Então existe um custo Brasil da deseducação. Existe um custo Brasil de você não olhar para o professor com respeito e dignidade.

É muito comum você ouvir que o pai que é médico, a mãe que é advogada, que o filho seja um profissional da mesma área. É muito difícil você ver um professor que o filho queira ser professor.

Porque ele vê um pai e uma mãe esgotada, que chega em casa cheio de problemas, com pouca grana. Trabalhando horrores. Reclamando de humilhação, trabalhando horrores em três, quatro escolas para dar conta. E educa o filho dos outros, chega em casa tão exausto que não é do que o próprio filho, é a própria filha. Tanto que quando a criança faz pedagogia, você não é louco? Veja que coisa. Quando, na verdade, por exemplo, em outros países é uma honra.

Então, essa é a questão toda, existe, de fato, isso tem uma repercussão, obviamente, no futuro dessas crianças, porque tem famílias omissas junto com escolas esgotadas, nós temos a formação de uma tempestade para o caos. E nós já estamos vendo isso, nós já estamos vendo uma certa decadência psíquica muito significativa, que, claro, tem outras variáveis como redes sociais e tudo, discorde todo esse mundo caótico, esse submundo da internet.

Junta tudo isso e a gente tem o que a gente tem hoje. Crianças atentando contra a própria vida, adolescentes fazendo isso. O que era a exceção clínica há 20 anos atrás, hoje é o feijão com arroz de consultório psicológico.

Assim, crianças que... Inclusive, conversando com um amigo meu, que tem uma rede de educação gigantesca no Brasil, ele diz assim, Roçandro, a nossa adolescência, o contraturno era futebol, brincar na rua, bicicleta, ir para um clube, ir para a praça, ir para a praia. O contraturno desses alunos é terapia.

isso já é um sinal, um sintoma muito claro me lembro que recentemente a gente falou aqui sobre a primeira geração dos filhos dos mimados, né? que a gente tá lidando agora, que são mais mimados ainda eu queria trazer, professor quando a gente fala de professor aqui é certeiro, a gente vai ter a participação e sempre é na mesma

Eu fico orgulhosa. João diz aqui, dei aula durante anos na educação infantil em escolas particulares de São Paulo. Ainda existem crianças doces e ingênuas, mas também há crianças muito agressivas já aos três anos. Ele conta que teve dois alunos tão violentos que os professores temiam vê-los juntos numa sala.

Eu sou com 3 anos de idade. Denise, sou professor há mais de 20 anos e vejo uma profissão cada vez menos respeitada pela sociedade e pelo poder público. Seguimos por amor. Por amor à educação. Mas até quando? Exato. Lu, dou aula há 27 anos no ensino médio. Rede Estadual do Rio.

A educação está em declínio e a sociedade não valoriza em nada mais o ensino. Só algumas, só algumas. Tem mais? Um auxílio luxuoso aqui. Comecei a dar aula em 1975 e pendurei as chuteiras em 2012, diz o professor Pasquale. Ouvi incontáveis vezes essa coisa de eu tô pagando, sobretudo de alunos abastados. O horror é antigo, mas piora dia após dia, diz aqui o nosso ilustríssimo professor.

Que sempre me honra com essa audiência dele, que nem tenho como nomear no meu coração. A gente não tem nem roupa quando fica sabendo que o professor, além de falar na rádio, está também ouvindo a rádio. Eu já vou começar a falar errado aqui. Vou enganar meu português aqui. A gente fica meio pressionado, né? Fico pressionado. É tipo assim, não vá para a plateia e não fique na frente não, que a palestra desanda.

E, ó, pra somar com o professor, desculpa, Rossandro, Wagner trazendo o pior é ver políticos da extrema-direita, diz ele aqui, chamando professores e professoras de vagabundos. Ah, isso aconteceu na Câmara Municipal essa semana. Quando estavam discutindo o aumento salarial e vira um variador falando que são vagabundos.

Meu Deus do céu, se a pessoa tivesse noção do que o professor faz, que tem até o nome de uma coisa que acha a coisa mais ridícula do mundo, é o adicional de hora parada, como se o professor parasse em algum momento. Ele chega em casa, ele está corrigindo prova, preparando aula, né? Você sabe que nível está? Teve um professor, dono de uma escola, que estava falando comigo, a gente chegou aqui, uma mãe, que eu conheço, porque a filha entrou aqui no fundo, na infância, no ensino médio, ou seja...

Anos de relacionamento, surtada, gritando, carteirando como juíza, né? E o diretor foi muito simples, ele disse assim, peraí, eu queria saber com que eu estou falando. Ela, como assim? Eu estou falando com fulana...

cuja filha estuda aqui há 12 anos, e que eu conheço desde pequenininha, e que é a mãe de um aluno na minha, ou eu estou falando com a juíza fulana de tal? Por que você está perguntando isso? Porque se eu estiver falando com a juíza fulana de tal, aí eu vou trazer o meu jurídico para a conversa. Mas se eu estiver falando com a mãe do meu aluno, aí você conversa comigo. Aí a pessoa baixou a bola e começou a conversar. Você sabe qual é o setor que mais cresce nas escolas? É o jurídico.

Você percebe, não é o pedagógico. É assistência jurídica. Tudo é processo, tudo é laudos que não correspondem à realidade psicológica dos alunos. Daqui a pouco, a turma inteira vai estar laudada. Não tem ninguém que não tenha um laudo. Eu sei que, como diz Caetano, de perto ninguém é normal, mas vamos combinar que não é por isso.

que a gente tem que pegar uma sala de aula inteira e sair laudando e querendo o laudo muito mais como justificativa para, mais uma vez, terceirizar para a escola, mais uma vez sufocar educadores e, mais uma vez, tentar criar privilégios para o próprio filho. Entende? Então, assim, de fato, em que momento vai se dizer aquele conto do século XIX, o Rei Tanu?

O reitano, em que momento, vamos dizer, não está dando conta? É o segundo grupo que mais tem adoecimento. Eu conversei com a secretária da Educação, não é esse o nome, é como se fosse a ministra da Educação de Singapura, numa palestra que eu fiz junto com ela, e também com outra da Coreia. Lá não é diferente, porque parece que não, né? Claro que é diferente, o professor ganha mais, o salário é mais remunerado, mas também porque a aprovação define o futuro das pessoas.

Quando os alunos são reprovados, os professores são ameaçados no pátio, quando vai sair da escola, na Coreia tem professores treinando a própria vida. Então, assim, existe um problema no mundo em relação à educação. E, claro, nós temos nossos contornos de mais crueldade no Brasil, que é um político chamado de vagabundo.

um professor. E aí eu não vou nem baixar no nível dessas pessoas e dar uma resposta no nível dessa pessoa porque você não vence no terreno da baixaria de uma pessoa dessa. Você vence na dignidade que ela não tem. E falando de um lugar de respeito que ela desreconhece.

Então, não vou baixar o nívio para me referir ao que é uma pessoa que diz isso. É, de fato, no mínimo uma pessoa completamente equivocada, que não compreende o que é um educador e que é uma pessoa ingrata, porque certamente, mesmo que não tenha feito universidade, o que talvez seja uma realidade no caso desse...

aprendeu a ler porque alguém ajudou. E não tem nem a gratidão de reconhecer que esse percurso, como você estava falando, que nós temos, nós os devemos, nós devemos esse percurso aos nossos pais e aos nossos educadores. Um conjunto de pessoas que vem à nossa vida contribuindo com a nossa formação intelectual e emocional.

Achei interessante, eu quase citei aqui a Coreia do Sul como um país que revolucionou a educação, e achei interessante já que você citou a Coreia do Sul e acabou estando lá e falando sobre isso. E é um país que na década de 50 tinha um alto índice de analfabetismo, e aí mudou tudo, a questão não foi só investimento financeiro, mudou tudo, o que mudou lá? Então, você veja, eu conversando com essa ministra da Educação de Singapur, ela fala, nossa, o projeto foi um projeto de 50 anos.

Então, nós tínhamos um país pobre, miserável. Então, o primeiro grande projeto era 15 anos para alfabetizar todo mundo. Depois, 15 anos para profissionalizar todo mundo. Depois, 15 anos, entende? Para a gente colocar as pessoas na universidade e construir indústria de ponta. A Coreia, por exemplo, tem fábrica de automóveis. É um país que é menor do que Sergipe e o Brasil não tem uma fábrica, uma marca própria de automóveis.

Se eu olhar para a rede de metrô de Seul e de São Paulo, eles foram inaugurados no mesmo ano. É uma desproporção bizarra. Por quê? Sabe o que mais me chama a atenção? É que, no fundo, é uma elite completamente atrasada no sentido, realmente, como a elite do atraso do livro do professor, cujo nome eu esqueci agora, que não entende que se a população enriquece e fica culta,

aquela elite fica bilionária porque a pirâmide vai subindo. Óbvio, parece óbvio. Tipo assim, ah, eu não tô gostando porque agora eu já ouvi isso de gente, tá? Eu não tô gostando porque tem pobre pegando avião. Cara, quando o pobre pega avião, o rico compra jatinho. É porque a economia tá indo bem, estúpidos. Exato, mas parece que não. Nivela pro baixo, sabe? É assim, é incompreensível. Mas sabe o que é isso? É porque é uma elite deseducada.

E aí, quando você é um leite deseducado, você até tem dinheiro, mas não tem cultura e sofisticação. Quando eu era pequena, os meus pais diziam pra mim que eu tinha que ser autônoma, minha mãe, sobretudo, né? Que eu tinha que ser autônoma, que eu tinha que ganhar meu dinheiro, ser dona da minha vida e que eu tinha que, ao mesmo tempo, me preocupar mais em ser do que em ter. Eu achava um bom ensinamento. Eu falei essa frase ontem pro meu filho. Olha aí.

Porque ele queria ter. E sobretudo nesses tempos, tenho muito a impressão, promessa de dinheiro fácil, aposta em bet, essas coisas todas. Ninguém quer ser nada, ninguém abre um livro. Só quer ter. Vamos fazer o seguinte, o Brasil é o país, se eu faço isso, daqui a pouco alguém vai me cancelar na internet. O Brasil é um dos países em que as pessoas mais fazem curso de como ficar empreendedor milionário.

Se 1% desse povo que faz esses custos estivesse rico, a gente era Coreia do Sul. Alguma coisa está errada. Só tem uma pessoa ganhando dinheiro nessa história.

E não sou eu. É a pessoa que vem da história. Não sou eu nem é você. É a pessoa que diz que vai fazer você rico e às vezes nem ela é. Mas depois que convenceu você, ela ficou e você não. E o que não falta é isso aí hoje em dia, né? Eita, meu Deus. Exatamente. Se as pessoas querem atalho, eu entendo. Quem quer atalho? Pô, eu queria aprender inglês em seis meses. Eu queria aprender mandarim. Dormindo. Nossa, esse meu sonho é esse. É acordar no dia seguinte falando um idioma.

exato, eu queria baixar um aplicativo na cabeça, se tivesse um chip que colocasse, eu botava, eu vou, sua experiência, bota um chip aqui de língua, queria, mas não é assim, educação é processo, educação da alma e da mente é processo, e como sua mão muito bem dizia, e acho que é importante entender, e o Valno Arari fala muito isso, no mundo que a gente está indo aqui para concluir,

tão indefinido que a gente nem sabe como será os próximos cinco anos com um desenvolvimento absurdo de tecnologia, uma coisa certa. A única coisa que não vai mudar são as nossas emoções. E se elas não estiverem alinhadas, muita gente não vai dar conta não, viu? E muitos pais que mimam os filhos, um dia talvez, isso não é um desejo que eu estou querendo desejar, mas é um lamento que eu vejo, talvez tenha que enterrar esses filhos antes de si mesmos. Eita, eita.

Só pra gente finalizar, trazer a mensagem do Alex. Ele falou assim, como é gratificante saber que eu, Alex e o professor Pasquale ouvimos o mesmo programa de rádio. Ah, que fofo! E ele manda uma foto de um livro que ele tá lendo, vai te ajudar. Também mostrando que acabou fugindo.

O nome é A Elite do Atraso. Gessé Souza. Gessé Souza, exatamente. Tira uma foto e manda pra gente. Adivinha quem fez a mesma coisa que ele na mesma hora? O professor Pasquale. Vocês estão muito alinhados. Porque isso não é o ser luxuoso, é luxuosíssimo. É, aqui é assim, viu?

Rossandro Klinje está conosco toda quarta-feira, nos fazendo pensar em coisas importantes como essa. Feliz dia do professor a todos os docentes que nos ouvem. Vocês, embora não sejam valorizados como deveriam, são fundamentais para a evolução do nosso país. Um beijo, Rossandro, querido. Até a semana que vem. Beijo pra vocês. Tchau, Rossandro. Até.

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