Qual o sufixo correto em 'intermitente': 'in' ou 'inter'?
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Professor Pasquale
Charles Lobo
Fernando
Rossandro
Tati
- Significado de intermitenteinterrupções · chuva intermitente · amor intermitente · raiz latina 'mitere'
- Origem da palavra intermitenteprefixo in · prefixo inter · Charlene · Cataguases
- Uso do prefixo IN em portuguêsinflamável · prefixo IN de movimento · raiz de flama · Ferdinand von Zeppelin
- Uso de 'há 50 anos atrás'linguagem formal vs. uso consagrado · Raul Seixas · Paulo Coelho
- Duplo negativo em línguas neolatinasprefixo A negativo · prefixo IN negativo · acéfalo · inóspito
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A nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale. Oi, professor. Feliz dia. Boa tarde.
Boa tarde, Tati. Boa tarde, Fernando. Boa tarde, ouvintes. É dia do pedagogo hoje, né? É isso? É. Eu não sou pedagogo, mas a gente está no mesmo território, né? Está no mesmo território. Eu ouvi aqui a participação toda do Roçando. O senhor merece parabéns todos os dias, professor.
Obrigado, muito obrigado. E o Rossandro é imprescindível. Ele é mesmo. Imprescindível. Ele fala o que deve ser, ele diz o que deve ser dito. Sem lero-lero, sem nhenhé. Vai direto ao ponto. E com muita competência e muito brilhantismo. Tenho muito orgulho de vir depois dele ou antes dele.
Às vezes antes, às vezes depois. É mesmo, hoje foi depois. Muito obrigado a vocês. Muito bem. Vamos lá. Professor, hoje a dúvida é do Charlene. Charlene é o Charles Lobo, de Cataguases, Minas Gerais.
Ele leu uma questão de um concurso público e no enunciado apareceu a palavra intermitente, que eu já conhecia, mas aí deu uma viajada e começou a pensar, será que a palavra termitente existe?
Assim que pude, ele pesquisou, mas não encontrou registro dela no VOLP. Professor Pasquale, qual é a origem da palavra intermitente? O afixo que devo considerar é inter, é in ou é inter? Pergunta ele.
A pergunta é muito interessante, porque existe, ele chama aqui de afixo, afixo pode ser o prefixo, é o que vem na frente, o sufixo é o que vem depois. Então, em honestidade, por exemplo, existe um sufixo, a palavra deriva de honesto. Em desonesto, existe um prefixo.
A palavra também deriva de honesto, e aí o prefixo e o sufixo são afixos no caso. E a pergunta é interessante porque existe o prefixo in e existe o prefixo inter. E aí faz sentido pensar no que ele pensou. E muita gente realmente faz confusão com essa coisa de palavras começadas por a.
A gente aprende um dia que o A é negativo, então acéfalo, que não tem céfalo, ateu, que não tem Deus, que o IN é negativo, inóspito e por aí vai. E aí a gente vê muitas pessoas pensando que tudo que começa com A e que começa com I é negativo. E não é bem assim.
Então, vamos direto para o primeiro auxílio, para a gente ver uma parte da pergunta dele, nosso ouvinte que é de Cataguases, e sempre que alguém de Cataguases escreve, ou faz questão de lembrar, meus amigos escritores de Cataguases, o Luiz Rufato, que é um dos maiores escritores brasileiros vivos, é de Cataguases.
O meu querido Ronaldo Cajano e a minha querida Eltânia André, todos de Cataguases e todos escritores de mão cheia, brilhantes. Vamos ouvir Muito Amor, composição de São Beto, gravada por Fagner em 2001.
E vai haver a palavra que é o objeto da pergunta do nosso ouvinte e a gente vai pensar no sentido dela, porque muita gente confunde o sentido, usa equivocadamente essa palavra. Vamos lá. Amor febril, amor viril, amor adolescente.
Amor impuro é de luxo, amor ardente. Amor correspondido, amor fingido, o verdadeiro. Amor intermitente, amor doente, amor primeiro.
Amor sem pretensão, amor paixão, que chega de repente. Que mata e se destrói, que arrasa, que corrói e acaba simplesmente. Professor, vamos lá. Amor intermitente.
Sou eu que pergunto agora, o amor intermitente é aquele que, que dura para sempre, que é eterno enquanto dura, que começa e não acaba?
É, intermitente é o que tem interrupções. De vez em quando a gente vê o pessoal dizer chove desde tal hora na cidade tal e essa chuva é intermitente. Não, a pessoa quer dizer chuva ininterrupta e não intermitente. Intermitente é aquilo que tem interrupções. É aquilo que inter...
Inter, que é entre, e mitente, que vem de uma forma latina do verbo meter, que em latim é mitere, que se mete entre, ou seja, dentro da qual existem coisas. Então, a chuva intermitente é a chuva que vem, para, vem, para, vem, para, vem, para, assim como o amor intermitente, aquele que não dura o tempo todo, não.
Então, o prefixo aí é inter, esse é o prefixo, que se liga a um elemento de raiz latina, mitere, que é a raiz do verbo meter em português. E eu aproveito a ocasião.
para falar de um caso que deixa muita gente atrapalhada. Eu até já disse aqui no começo do boletim que muita gente acha que começa com in, começa com a, é tudo negativo. Mas não é bem assim. Então a gente vai ouvir uma música de um disco antológico.
Todo mundo deveria ouvir, viu? Um disco chamado Passado, Presente e Futuro, de 1972. É um disco gravado por Sá Rodrigues e Guarabira. Sá Rodrigues.
e Guarabira, vou aí trocando o Zé Rodrigues para o Zé Rodrigues, Sá, Rodrigues e Guarabira. A composição é só do Sá e a música se chama Zeppelin. Vamos ouvir e prestar atenção numa palavrinha aí, vamos lá. Hoje abriu um livro antigo Que mostrava as maravilhas inventadas pelo homem
Há 50 anos atrás, uma fotografia me mostrou o que eu queria. Todo esse tempo andei sonhando e não sabia bem, porque agora eu sei, agora eu sei. Eu queria passear de Zepelin.
Na cadeira ao lado do pôr de Ferdinando, um balão de gás inflamável pelos ares da Europa viajando. Eu queria passear, dizer feliz, na cadeira ao lado.
E aí, professor?
Que maravilha que é isso. O Conde Ferdinando, para quem não sabe, é justamente o Ferdinand von Zeppelin, que era alemão, morreu em 17 e foi ele que criou aqueles dirigíveis. Vocês já viram esses dirigíveis, o Zeppelin? Havia uma fábrica de pneus aqui, uma filial brasileira. Ah, tinha mesmo, que patrocinava o futebol, né?
Era futebol? Eu acho que era, professor. Ficava esse cepelinho e ficava em cima. É. E é uma coisa lindíssima, enorme. É um grande tubo que fica com gás, como diz a letra, inflamável. E o inflamável é essa a palavra? Começa com in, mas não é palavra negativa. Muita gente pergunta, mas se é inflamável?
Pega fogo não devia ser não, que não pega fogo, não. Esse in não é o in negativo, não é o in de incapaz, não é o in de incompetente. É o in que dá a ideia de movimento para dentro. Flamável, flama, chama. Não é a chama, a chama do fogo.
Então, inflamável é aquilo que pode se inflamar, inflamar, flama, e é a mesma raiz da palavra flâmula, viu? A flâmula que os capitães dos times de futebol trocam, aquilo se chama flâmula porque vem de flama, que é o que se coloca ainda na...
na parte traseira dos barcos, das embarcações, com uma espécie de luz, para advertir que ali existe uma embarcação, por isso flama, flâmula. Flâmula é diminutivo de flama, terminação hula de válvula, diminutivo de válvula. Os cardiologistas gostam de usar a palavra válvula e muita gente fica assustada, achando que o cardiologista é analfabeto, não é não.
A válvula é diminutiva o de valva. Então, inflamável é aquilo que pode pegar flama, é aquilo que pode pegar fogo, chama, fiamma, em italiano.
Então é isso, caro ouvinte Charlin, o prefixo, nesse caso, é inter, que dá a ideia de coisa, prefixo latino, que dá a ideia de coisa que está no interior, que se põe entre, que ocupa um espaço intermitente, que se mete entre. É isso, meus queridos.
Professor, posso pegar mais um ponto dessa letra? Que é o seguinte, quando ele fala, hoje abri um livro antigo que mostrava as maravilhas inventadas pelo homem há 50 anos atrás. Há 50 anos atrás, pode?
Em linguagem rigorosa, formal, formalíssima, não. Ou uma coisa ou outra. Ou há 50 anos, ou 50 anos atrás. Mas isso já está consagradíssimo pelo uso e a gente vê em estudos de grandes autores isso como um fato irreversível, talvez pela perda, esse A do verbo haver, que foneticamente é equivalente a...
a outros as, a preposição a, o artigo a, talvez se perca a noção desse a como verbo e se acrescente algo que reforça. Então, na linguagem oral, isso está mais do que consagrado e mesmo em textos.
literários, poéticos, isso aparece muito. Em linguagem fria, calculada, em linguagem formal, não. Ou há 50 anos, ou 50 anos atrás. É isso. Se o Raul Seixas escreveu Eu nasci há 10 mil anos atrás, então pode.
Eu não lembro se a canção é dele sozinho ou é com parceria. E agora não lembro se é do Paulo Coelho a letra. Depois a gente vê e diz para o ouvinte. Mas em suma, um deles escreveu isso. Eu nasci há 10 mil anos atrás. O nome da música é Há 10 mil anos atrás? É isso? Será? Não sei ouve.
Também não lembro. Eu nasci há dez anos atrás. A autoria do próprio Raul, em parceria com o Paulo Coelho. Está vendo? Então a letra é do Paulo Coelho. E a melodia do Raul. Pronto. Muito bem. Professor, muito obrigada por hoje. Um beijo. Até amanhã. Obrigado eu. Beijo para vocês. Beijo para os ouvintes. E até amanhã. Até amanhã.
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