‘O que podemos saber’, novo romance distópico do inglês Ian McEwan
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Fernando
Tati
José Godoy
- Saber PráticoIan McEwan · Romance distópico · Futuro em 2119 · Poema perdido de 2014 · Thomas Metcalf
- Obras de Ian McEwanReparação · Na Praia
- BioID· TecnologiaMobilidade para todos · Tecnologia automotiva
O futuro não começa com o carro, começa com energia. Enquanto outros faziam promessas, a BioID já estava construindo baterias. Enquanto o mercado discutia, nós colocávamos milhões de veículos nas ruas. Aqui, tecnologia não é um acessório, é a base. Bateria, chip, motor, software, tudo construído junto desde o início. Por isso, somos mais seguros, mais eficientes e mais acessíveis. Não construímos carros para poucos, criamos mobilidade para todos. BioID, uma revolução global. No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.
Clube do Livro CBN com José Bodói. Pois é, boa tarde. Boa tarde, Tati, boa tarde, Fernando, boa tarde. Boa tarde, Zé. Lá vem o Zé, hoje, pra falar do romance novo do inglês Ian McEwan.
Pois é, Tati. Romanção, livro bastante esperado. Romanção mesmo, porque é um livro grande, né, Zé? É, mas é um livro bom de ler também. Porque também tem livro pequeno que são mais custosos do que muito livro grande, né? Tem razão. Esse é um livro, assim, brilhantemente escrito, como boa parte da produção do Maquil. E um livro bastante instigante.
Eu acho, provavelmente, o livro mais interessante que ele escreveu nessa fase mais madura da carreira dele. O Maquinha, para quem não conhece, não lembra, é um dos grandes autores ingleses. Ele surge ali uma geração bastante importante na Inglaterra, no começo dos anos 80.
onde vai aparecer o Salman Rush, o Martin Ames, o Julian Barnes, todos os autores que vão fazer muito sucesso internacional e o Maquia, especificamente, muito sucesso aqui no Brasil. Ele faz aqui um experimento que é bem interessante, muito instigante. A ação do livro acontece daqui a 100 anos, em 2.119.
O protagonista, o narrador, é um professor de literatura chamado Thomas Metcalf, que está vivendo ali um obcecado por uma pesquisa acadêmica, no qual ele investiga o desaparecimento de um poema...
porque tudo indica, era brilhante, escrito pelo mais importante poeta da nossa época, da nossa época aqui, 2000. O poema foi escrito em 2014, então ele está voltando 100 anos atrás para tentar entender, para tentar entender para onde vai parar esse poema, que desaparece depois de um jantar de intelectuais, onde o poeta Francis faz uma leitura dele. Então...
O que ele vai fazer? Ele vai ter toda uma certa investigação, ele aproveita esse vasto arquivo digital que nós aqui, na nossa contemporaneidade, estamos gerando no nosso dia a dia, nossas mensagens de celular, nossos e-mails, nossos diários.
Então ele vai resgatar não só esse arquivo do poeta, da esposa dele, mas de outros participantes daquele jantar, tentando recuperar o que aconteceu naquele encontro, naquela noite, durante aquela leitura, e a repercussão da leitura desse poema nas vidas dessas pessoas. Enquanto ele segue essa investigação nesses arquivos, o Metz Kalf vai revelando o mundo no qual ele vive, o mundo que...
Uma que eu imagino que a gente viverá daqui a 100 anos nesse planeta. E é um mundo, ao mesmo tempo que é um mundo pós-apocalíptico, é um livro que tem uma pegada distópica no sentido de imaginar um futuro muito difícil, muito complicado, como consequência da catástrofe.
climática e da catástrofe bélica também, com uma série de conflitos no mundo inteiro, ao mesmo tempo que ele imagina esse mundo, é um mundo que não foi totalmente destruído, o homem segue existindo, a humanidade, ela diminuiu pela metade, mas a humanidade já consegue se reconstruir.
num mundo muito mais precário, com muito menos recursos materiais, mas ela consegue se reorganizar e a vida seguir como ela pode. É muito interessante também o livro, porque ao mesmo tempo que ele revela a nossa época atual, nesse momento que é realmente uma época que no futuro vai se revisitar muito para tentar explicar as consequências do que a gente está fazendo hoje.
O narrador, o Matt Kauf, tem uma certa nostalgia da nossa época, uma nostalgia muito desse mundo que era ainda incrível, que é um mundo que a gente existe ainda, onde os continentes estão preservados, você ainda pode visitar, você pode viajar de uma ponta do mundo para o outro, você tem uma possibilidade, uma potencialidade de vida que vai se perder na geração dele, na vida que ele vive. E é, sobretudo, um livro...
onde a nossa época é confrontada pelos nossos filhos, netos, bisnetos, que vão viver daqui a 100 anos. Ele, como professor, é confrontado de uma forma bastante assertiva pelos próprios alunos, que se recusam a olhar a nossa época, a se interessar pela nossa época atual.
e se colocando de uma forma muito forte, se recusando a embarcar no resgate dessa época nossa, que eles leem como uma época extremamente arrogante e comandada por personagens repugnantes.
Eu acho que o Maquinha consegue aqui algo incrível, que é viajar o futuro para poder olhar criticamente o nosso momento atual e acaba entregando um livro altamente instigante e incômodo para nós que poderíamos estar fazendo algo diferente com esse mundo. Nossa, eu fiquei pirado na sua descrição. É legal demais, eu também. Porque você vai cem anos para frente, depois você volta um monte para depois voltar. E tem a ver com o título, o que podemos saber.
Até onde a gente consegue prever, controlar o mundo, sei lá.
E o quanto a gente também consegue saber sobre a vida dos outros, porque todo o trabalho dele como acadêmico é tentar recuperar o que aquelas pessoas foram, o que elas sentiram, o que elas pensaram. E ao mesmo tempo, por mais material, por mais que a gente gere documentos minuto a minuto na nossa existência atual, com os nossos WhatsApps, mensagens, áudios, ao mesmo tempo tem uma dimensão nossa que é inalcançável para quem...
a revisita, né? E eu acho que ele mostra isso também um pouco da nossa dificuldade de recuperar vidas alheias, né? Legal demais. Eu tô tentando lembrar o que eu já li do Iamak, que eu acho que foi Na Praia, que eu li inclusive Na Praia.
É um livro super triste, né? É, não tem nada dessa coisa que o título talvez sugira. Ô Zé, o que você recomenda de iniciação? Quem nunca leu o Ian Maquian? Um título, para começar.
Ah, Tati, eu acho que o Reparação é incontornável. É um dos grandes livros das últimas décadas. Ele até gerou uma boa adaptação cinematográfica, mas é um livro brilhante. Eu acho incrível. Acho que é uma aventura literária maravilhosa. Maravilhoso. Então, faça aquele resumo para facilitar a vida do nosso ouvinte, por gentileza.
Então, Tati, falei hoje aqui do O Que Podemos Saber, mais recente romance do Ian McKinnon, traduzido, o pessoal que me pediu, importante valorizar os tradutores, aliás, um tradutor maravilhoso, o Jório Duster, que é um dos maiores tradutores do inglês no Brasil, e sai pela Companhia das Letras aqui no Brasil. Muito bom. Clube do Livro, com José Godoy, toda quinta-feira, às três e cinco da tarde. Obrigada, Zé, até a semana que vem.
Tchau, um abraço para vocês.
No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.
BYD
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