O que o verbo 'espinafrar' tem a ver com o vegetal 'espinafre'?
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- Origem do verbo espinafrarEtimologia · Etimologia não é ciência exata · Especulações sobre a origem · Origem do vegetal espinafre · Persa isbaná · Contaminação com espinho
- Significado e uso de espinafrarRepreender com dureza · Dizer muito mal · Criticar duramente · Criticar fazendo cair no ridículo · Contradizer com firmeza
- Etimologia de PalavrasEmpipocar de pipoca · Palavra tupi · Música de Itamar Assunção e Alice Ruiz · Letra inteligente · Abobrinha como sinônimo de bobagem
- Uso do verbo espinafrar na músicaMúsica Mercado Central · Zé Beto Correia · Caio Junqueira Maciel · Mercado Central de Belo Horizonte
- Natureza da LinguagemCriatividade linguística · Multiplicação de sentidos · Língua viva e incontrolável
O futuro não começa com o carro, começa com energia. Enquanto outros faziam promessas, a BioID já estava construindo baterias. Enquanto o mercado discutia, nós colocávamos milhões de veículos nas ruas. Aqui, tecnologia não é um acessório, é a base. Bateria, chip, motor, software, tudo construído junto desde o início. Por isso, somos mais seguros, mais eficientes e mais acessíveis. Não construímos carros para poucos, criamos mobilidade para todos. BioID, uma revolução global. No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.
A nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale. Oi professor, boa tarde.
Tatiana, boa tarde. Fernando, boa tarde. Boa tarde. Ouvintes, boa tarde. Professor, hoje dúvida... O Ariel tá aí ainda ou já foi embora? Acabou de sair, deixou um doce de leite maravilhoso. Nossa senhora, eu vou me retirar aqui da tela em dois minutos. De ouvido ligado na aula.
Bom demais. Vamos lá. Dúvida de Odair Batista Oliveira, de São Bernardo do Campo, São Paulo. O verbo, ai que ótimo, espinafrara, tem a ver com o vegetal espinafre? Em algum momento da história batia-se com espinafre naquele, aquele quem queria criticar, professor? Espinafrara alguém. A pergunta é excelente.
obriga a gente a pesquisar bastante, porque etimologia, pra quem não sabe, eu já disse isso aqui um milhão de vezes, mas não custa repetir, a etimologia é um dos ramos dos estudos linguísticos, e ela se ocupa da origem e da evolução das palavras. A etimologia não é uma ciência exata, não dá pra dizer olha...
Isto vem daquilo, aquilo vem daquilo outro e não sei o que, não sei o que. Tem-se muita certeza, mas tem-se muita dúvida. E é o caso de espinafrar. Existem especulações a respeito da origem da palavra. Mas vamos para um auxílio para a gente ver o uso disso, depois a gente entra na discussão. Tem música com espinafrar. A gente vai ouvir uma canção.
Ah, claro, eu acho tudo, eu acho. É uma música que se chama Mercado Central, e esse Mercado Central, na letra, é o Mercado Central de Belo Horizonte. Vocês já foram lá ou não? Não, mas sei que é demais. Tem que ir, tem que ir. O Mercado Central de BH é uma instituição, é um negócio... É? É, já te falasse, professor. É muito legal, legal demais.
A música se chama Mercado Central, composta por Zé Beto Correia e Caio Junqueira Maciel. Quem canta pra gente é o Zé Beto Correia. Isso está num disco que ele lançou em 2009, Recados de Minas. Prestem atenção, porque a letra é bem divertida. Eu separei um trecho, claro, não a letra toda, mas vamos lá.
Quem sabe o gosto da vida Quem dá a volta por cima Horizonte zoa pelo Do céu da minha canção No coração da capital O nosso mar é o bar mercado central Alface é o gás da rafeta Somente nesse lugar Mineiro não come quieto
É o lugar de se julgar, conversa dentro do amigo. E ninguém fica perigo. Do mesmo saco farinha ninguém vem a espinafrar. Se a gente fala abobrinhas. Tô chocada que você achou uma música com o verbo espinafrar.
É muito legal, eu conheço o Zé Beto, conheço um pouco do repertório dele. E espinafrar, ninguém vem espinafrar se a gente fala abobrinhas. É muito legal isso. Bom, o que dizem os dicionários, o que dizem as obras todas sobre esse verbo? Primeiro, espinafrar é verbo do português brasileiro.
Não há, na versão que eu tenho aqui de papel do dicionário da Academia das Ciências de Lisboa, não há referência a esse termo no português de Portugal. E a palavra espinafre...
tem a palavra espinafre antes de espinafrar, né? Tem uma origem duvidosa. O que se diz é que provavelmente venha do árabe hispânico, lá do árabe do tempo da dominação Moura, né? Que seria espinar, né? E que, por sua vez, isso viria do persa isbaná, né? O dicionário...
Trecani, dicionário italiano, porque em italiano espinafre é spinacho, mas se usa sempre no plural, spinachi, em inglês é spinach, em espanhol é spinaca.
Há uma referência aqui a uma possível contaminação desses termos aí do persa e tal, cruzado com espina, espina que é o espinho, né? O espinho...
que muitas frutas têm, que muitas verduras têm, que a rosa e seus espinhos têm. E aí a ideia de aplicar o espinafre como um elemento de bater, de xingar, de pegar e dar em alguém com isso, por causa justamente da ideia de espinho, da forma de espinha.
que existe em alguns tipos de espinafre. E aí, por esse, entre aspas, castigo, espinafrar acaba sendo falar mal, julgar mal, esculhambar, xingar, usar com esse sentido bem pejorativo. Então, uma suposta origem para esse espinafrar, mas que, pelo jeito, tem sim a ver com...
a verdura, com o vegetal. Bom, estou vendo aqui no dicionário da Academia das Ciências de Lisboa, a última versão, a versão eletrônica, eles registram o espinafrar, mas tudo...
ligado ao Brasil. Brasil, gíria, repreender com dureza. Brasil, dizer muito mal, criticar duramente. Brasil, criticar, fazendo cair no ridículo. Brasil, contradizer com firmeza e tal, bababá. E um ouvinte, um outro ouvinte que não esse que está na mensagem de hoje, que é o Odair Batista Oliveira, de São Bernardo, cidade da Grande São Paulo.
Um outro ouvinte chamado, já participou do programa, Gustavo Carale, ele me fala aqui que ele estava pensando na palavra empipocar, e ele diz dessa relação entre alimentos e outras coisas na formação de palavras portuguesas, empipocar de pipoca, pipoca, que é uma palavra tupi.
que dá a ideia justamente daquilo que é a pipoca, coisa que pula e tal. E por isso eu peguei um outro auxílio que tem a ver com um monte de coisa desse ramo aí. E a gente vai ouvir uma canção composta por Itamar Assunção e Alice Ruiz, melodia do Itamar, letra da Alice. Quem canta pra gente é o Itamar, disco...
Preto Brás, atenção, não é o nome da companhia de petróleo, não, é Preto, Preto Brás, de 98, eu não vou dizer o nome da música pra não dar spoiler, mas é bem engraçadinha a letra, bem interessante, vamos lá. Preciso de ouvir abobrinhas, consultar escarolas, prefiro escutar salsinhas.
Peder socorro às pápulas e às carambolas. Pedir um help ao repolho. Indagar umas espigas. Aprender com pés de alho sobre bugalhos. Ou verdicas das ortigas e dessas tulivas.
Uma letra inteligente, né? Porque cansei de ouvir abobrinhas e a gente usa a palavra abobrinha com esse sentido, né? De esse cara só fala abobrinha, né? Fala muita bobagem, coisa sem sentido. Qual é a origem de dizer que fulano fala abobrinha? Sabe Deus, né? Sabe Deus de onde veio isso, é uso popular.
daquelas coisas que os dicionários dão como origem obscura. Mas aí a Alice, que é a letrista, já vai de abobrinha, ela diz, melhor consultar escarolas, né? Prefiro escutar salsinhas, pedir consolas papoulas e as carambolas, pedir um help ao repolho, e por aí vai, porque realmente... Isso foi em 98, hein? Se a Alice fosse escrever essa letra hoje...
ela teria, nossa senhora, o que há de abobrinhas e besteiras no tal do mundo das redes antissociais não é fácil. Mas em suma, o espinafrar tem a ver com espinafre e muito provavelmente com a relação que há entre determinados tipos de espinafre que tem nas suas folhas, como é que chama aquilo? É ramo? Como é que chama o que fica embaixo da folha? Talon.
Tem talo, isso não me vem a palavra, ainda bem que você está com o cérebro aceso aí, querida Tati. O talo em muitas espécies... Tudo bem, vamos nessa, vamos em frente.
Mas em suma, muitas espécies de espinafre tem no talo espinhos, como as rosas tem nos seus talos também, e por aí vai. É por aí, mas a criatividade é uma coisa muito interessante, porque daí vai para frente o negócio e os sentidos se multiplicam e tudo isso mostra que a língua é absolutamente viva e deliciosamente incontrolável. É isso.
Um beijo, professor. Obrigada. Beijo. Beijo pra vocês. Beijo, Fernando. Beijo, Tati. Beijo, ouvintes.
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