Saúde mental no trabalho: virou lei, falta virar realidade
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- Mercado de Trabalho BrasileiroTranstornos mentais · Idade média do trabalhador afastado
Refletir para viver, com Rossandro Klingey. A nova NR1 chegou. A regulamentação que obriga as empresas a identificar e gerenciar riscos psicossociais no trabalho.
Boa notícia. Recebo com cuidado. Lei no Brasil tem uma peculiaridade. Nasce no papel e leva anos para chegar na vida real. Às vezes não chega. Os países nórdicos não cuidaram da saúde mental no trabalho por bondade. Entenderam que trabalhador adoecido sai mais caro para o Estado do que trabalhador cuidado pela empresa. O que me preocupa é a tradução brasileira dessa lei.
Muitas empresas daqui têm uma criatividade notável para cumprir norma sem cumprir norma. Coloca treinamento de duas horas no calendário e declara conformidade. Distribui folder sobre bem-estar enquanto o gestor que humilha a equipe todo dia continua no cargo, continua sendo promovido, continua sendo protegido porque bate meta.
Sofrimento psíquico não some com folder. Gestor tóxico não vira gente boa em treinamento de duas horas. O sinal que mais se repete antes de uma empresa parar de fingir é simples e caro. O afastamento em série. Quando o RH percebe que está perdendo gente boa rápido demais, que o absenteísmo subiu, que os melhores pedem demissão sem dar satisfação, aí a conta chegou. Regulamentação é o começo. Prática é outra conversa.
E os números já disseram o que a empresa ainda finge não ouvir. Em 2024, o Brasil registrou 472 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior da década. Em 10 anos, os casos mais que dobraram. O trabalhador adoecido tem, em média, 41 anos. Profissional em plena fase produtiva, com família, com responsabilidade, com conta para pagar.
E o argumento financeiro, esse que a empresa entende melhor do que qualquer outro, para cada real investido em saúde mental, o retorno pode chegar a R$ 4,00 em produtividade e redução de custos, 4 para 1. E ainda assim, o folder continua no lugar do gesto real.
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