'Troca de advogados mostra instabilidade na estratégia de defesa de Vorcaro'
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Fernando
Tati
Maria Cristina Fernandes
- Delação de Daniel VorcaroPolícia Federal · Procuradoria Geral da República · Supremo Tribunal Federal · Valor a ser devolvido · Prazo de devolução · Organização criminosa
- Advogados de Daniel VorcaroDaniel Vorcaro · Estratégia de defesa · José Luiz de Oliveira Lima (Juca) · Valfrido Vardi · Paolo Bottini
- Relação entre PF, PGR e STFMinistro André Mendonça · Independência da PGR · Influência política
- Banco Master e J&FBanco Master · Grupo J&F · Anulação de condenações · Interesses nos tribunais
Tudo é Política, com Maria Cristina Fernandes. Maria Cristina Fernandes, boa tarde. Boa tarde, Tati. Fernando, boa tarde, ouvinte. Boa tarde. Bom.
Polícia Federal, há dois dias, rejeitou a delação de Daniel Vorcaro por considerar que ele não estava trazendo nada muito novo, muito além do que as próprias investigações da Polícia Federal trouxeram até agora. Depois disso, a gente viu algumas movimentações. Flávio Bolsonaro trocou o responsável pela campanha. Vorcaro trocou de advogado, Maria Cristina.
Pois é, Tati, hoje tem essa notícia de que o José Luiz de Oliveira Lima, mais conhecido por Juca, saiu da defesa do, pelo menos oficialmente, saiu da defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A informação que a gente tem é que esses vários advogados que iniciaram na defesa e depois saíram no papel da defesa do Vorcaro, Valfrido Vardi, Perpaolo Bottini, ainda são consultados sobre a estratégia.
a ser seguida nesta defesa. Não deve ser diferente com o Juca. E por que há tantos problemas em torno da defesa do Vorcaro, da delação do Vorcaro? O que aconteceu desde que a PF rejeitou...
é que a defesa passou a investir com ainda mais afinco na possibilidade de delação com a PGR. Agora, isso, de alguma maneira, não pode agastar o ministro, que é o relator do inquérito, André Mendonça, que, ao fim e ao cabo, é quem vai homologar esta delação, se essa delação um dia vier a ser firmada, certo?
E no que diz respeito ao Juca, pelo menos, houve ali problemas no relacionamento entre altercações entre este advogado e o ministro André Mendonça.
Agora, a possibilidade do ministro relator homologar é um obstáculo a ser rompido. Esta proximidade com a PGR não resolve esse obstáculo de convencer o ministro a homologar. Agora, no puxo e encolhe dessa defesa do Varcaro, além da troca de advogados, há alguns pontos muito importantes.
antes dessa notícia de que o Juca havia saído, a gente soube que a jogada da hora era elevar o valor a ser devolvido de 40 bi para 60 bi, que é o tamanho do rombo da FGC até agora. O dinheiro que o Vorcário estaria disposto a devolver. O que não está muito claro e que faz toda a diferença é porque...
Tão ou mais importante que o valor é o prazo com o qual esse dinheiro vai ser devolvido. Porque na proposta que foi feita e que a PF rejeitou, eles propuseram a devolução em 10 anos. Que é aquele mesmo prazo que o JTF conseguiu. Só o grupo JTF dos irmãos Batista.
Só que desde que o Jotir firmou aquele acordo, se dedicou, desde então, com sucesso, a reverter todas as condenações. Então, isso é bastante importante e isso não está claro. E aí, enquanto a defesa mobiliza a PGR, se mobiliza internamente com troca de advogados, e a imprensa também fica mobilizada em torno desse puxa e encolhe da delação.
Ninguém se pergunta sobre a denúncia, porque esta é a responsabilidade da PGR, fazer uma denúncia que venha a ser analisada pelo Supremo, que pode ou não aceitá-la. Sim. E é como se esta etapa inexistisse.
Eu tenho uma dúvida nessa etapa, Maria Cristina. Por que a PGR ainda pode aceitar uma delação se a Polícia Federal já negou essa delação? Supostamente, esta delação teria que ser fechada entre as duas corporações. A PF já está dizendo, com esses elementos aí, eu não aceito.
E a PGR está dizendo, não, mas eu ainda quero tentar. Porque o que está em jogo? Um dia conversando com os procuradores, o que eles dizem? Olha, não já tem elemento para fazer denúncia? Se você considera lavagem de dinheiro, esse crime está bem configurado. Se você considera o crime de gestão fraudulenta, de instituição financeira, é outro crime.
que está bastante configurado. Agora, tem sobra, tem prova de sobra. Agora, o que é que não está muito bem definido e delineado? A organização, o crime de organização criminosa, porque há ramificações a serem esclarecidas, integrantes a serem definidos desta organização criminosa, porque...
Esses possíveis integrantes, estejam eles na política ou no judiciário, eles podem não ter cometido exatamente o crime de lavagem de dinheiro ou de gestão fraudulenta. Mas eles podem ter cometido outros crimes nos vínculos estabelecidos com o Vorcaro, crimes para os quais as provas não estão suficientemente claras.
Então, o que o PGR pode estar protelando esta denúncia que muito provavelmente espera obter desta delação indícios de envolvimento de personagens numa eventual organização criminosa. O timing político tem a ver com isso?
É possível que sim. É possível que sim. É possível que se esteja querendo protelar isso ao longo de toda a campanha para que se faça, digamos assim, um novo acordo sobre a nova gestão.
ainda que o presidente da República não esteja relacionado com isso. Isso não passa pela presidência da República. Isso é algo que está sendo negociado entre Polícia Federal, Procuradoria Geral da República e Supremo Tribunal Federal. O Executivo não tem nada a ver com isso. Mas o fato é que...
Há uma tentativa também de se protelar, até porque alguns personagens, como esse próprio filme, Dark Horse, mostrou que podem estar envolvidos aí nesta organização criminosa. O filme teve dinheiro do Master, quase que exclusivamente, dinheiro roubado. Porque se é um dinheiro que vai ser devolvido, é porque ele foi subtraído indevidamente.
Então, acho que não tem outro nome para isso, que não seja roubado. Então, até que ponto a configuração desses crimes envolverá a família do ex-presidente e o pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro?
É algo a gente se indagar se uma delação, uma denúncia pode vir a ocorrer ainda durante esta campanha. O que nenhum roteirista, eu acho que de Brasil, neste filme, este sim, este bastante incrível. É esse filme da vida real, a gente está falando desse filme da vida real.
nenhum roteirista foi capaz de prever, Tati Fernanda, que a gente tivesse uma Polícia Federal, hoje, subordinada a um executivo petista, que hoje parece muito mais próxima das exigências do relator do inquérito, que é o ministro indicado por Jair Bolsonaro. Veja você, o mundo capotando. Pois é, EPF e André Mendonça, afinados em relação às exigências, ao que eles acham que precisa e esse sentido. E aí
dito nessa delação para que ela seja aceita, enquanto a PGR, que é um órgão independente, ou pelo menos deveria ser, pelo menos do Supremo deveria ser, porque é o tribunal que aceita suas denúncias neste caso.
em uma posição que está destoando e que nós todos esperamos que esteja sendo destoando e sendo protelada apenas para que o PGR tenha certeza de que este crime de organização criminosa ele abarcará todos os personagens que de fato, de alguma maneira, colaboraram para este grande assalto ao...
aos investidores e aos servidores e pensionistas do país. Agora, Maria Cristina, do que adianta fazer um acordo de 40, 60 bilhões num prazo de 10 anos, se nesses 10 anos encontram ali sempre brechas na lei para anular essas condenações? Aconteceu com a JIF, como você disse, pode acontecer com o Banco Master, mas já aconteceu com várias outras grandes empresas.
Pois é, esse o ponto, Fernando. Esse prazo que eles não abrem mão, eles querem colocar esse prazo aí, que é o problema. Você vai devolver em 10 anos, você não vai devolver. Porque ao longo desse período, as decisões vão sendo anuladas, os acordos vão sendo feitos e a inserção desse grupo e dos seus...
dos seus aliados nos tribunais é gigantesca. A inserção dos advogados, das causas que eles defendem, os interesses ali em comum e os conflitos de interesse ali.
que estão aí arrolados neste tema e neste caso são gigantescos e vão sendo anulados. A gente já viu esse filme. Esse daí a gente viu. E o final nunca é feliz. A gente não quer ver de novo. Maria Cristina Fernandes conosco diariamente. Em Tudo é Política. Obrigada, Maria Cristina. Um fim de semana de paz para você. Até segunda-feira.
Não vamos ainda sair de paz, não, porque no fim da tarde tem um data folha, tá? É mesmo, a gente não vai ter paz hoje, não. Sobretudo quem trabalha com jornalismo político, que é o caso da Maria Cristina. Então, eu só torço que você se alongue e vai que vai. Até segunda. Um beijo. Um beijo, Tati e Fernando. Até segunda. Boa tarde e bom fim de semana para os ouvintes.
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