O que está acontecendo em Cuba agora?
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Bruna Santos
- Pressão dos EUA sobre CubaIndiciamento de Raul Castro · Visita do diretor da CIA a Cuba · Limitação de acesso a combustível · Sanções contra núcleo econômico militar · Política interna dos EUA e diáspora cubana
- Crise energética em CubaFalta de diesel e óleo combustível · Sanções dos EUA · Ameaças a México e Venezuela
- Cenários para o futuro de CubaSobrevivência do regime com concessões parciais · Transição controlada por dentro (modelo Delci) · Escalada militar · Colapso rápido e espontâneo do regime · Raulito (Raul Guilherme)
- Decisão da Suprema Corte sobre Havana DocksReivindicações de empresas e cidadãos americanos · Paralelo com a Venezuela · Lobby coordenado da diáspora cubana
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CBN pelo mundo com Bruna Santos
Bruna, boa tarde. Boa tarde. Tudo bem? Tudo bem. Você riu do meu que ano é hoje, mas... Eu rio. Há quanto tempo, vira e mexe, a gente tem que voltar a falar de uma nova crise entre Estados Unidos e Cuba.
Sei lá, pelo menos nos últimos 60 anos tem sido assim. O Fernando já antecipou para a gente, desde a semana passada acabou o diesel em Cuba, eles estão com uma questão energética bastante grave. O que está acontecendo agora lá?
Então, a gente até falou umas duas semanas aqui sobre o quanto as coisas estavam, a temperatura estava subindo aqui em Washington em relação à Cuba. A crise energética hoje é brutal, o país ficou sem diesel, ficou sem óleo combustível e é um momento em que, ao mesmo tempo que se está estrangulando energeticamente o país, outros movimentos políticos vêm acontecendo, como o indiciamento.
do Raul Castro, numa sequência coordenada. A gente vê aí, desde janeiro, Washington vem limitando severamente o acesso de Cuba a qualquer tipo de combustível, inclusive ameaçando o México e a Venezuela, que eram fornecedores importantes para a ilha.
e ele, com ameaças fortes em relação a tarifas, acabou desabastecendo a ilha. Aí, no topo disso, você veio com mais sanções, os Estados Unidos vieram com mais sanções contra o núcleo econômico militar. Em seguida, uma visita do diretor da CIA à Cuba. Então, assim, aumentando aí a pressão. Com o indiciamento do Raul Castro, aí você passa aí por uma sinalização militar clara,
de que, olha, a crise realmente está escalada e essa semana foi só o que se falou aqui em Washington, nos debates no Congresso, por toda parte. E é interessante que você falou que ano é hoje, né? A visita é altamente simbólica, porque foi a segunda visita de um diretor da CIA à Cuba desde a Revolução, em 59.
E é realmente muito uma demonstração de que, de alguma forma, os Estados Unidos estão aí tentando identificar onde estão as lacunas do regime para que eles possam buscar um caminho militar ou não, a gente ainda não sabe.
para resolver este problema. Então, Bruna, os Estados Unidos falam, Donald Trump fala, ou Marco Rubio, sobre tem que haver mudanças no regime. Mas qual seria o plano? Seria prender Raul Castro, um senhor de 94 anos, que não manda mais em Cuba? Tem plano?
Então, ainda é nebuloso isso, mas tem uma coisa que eu acho importante salientar, que é quando a gente fala de Cuba nos Estados Unidos, a gente não está falando apenas de política externa, a gente está falando, em alguma medida, de política interna. A Cuba tem um contingente, a diáspora cubana é muito grande aqui, são 3 milhões de pessoas nos Estados Unidos, mas da metade disso mora na Flórida, no sul dos Estados Unidos.
E quando você fala da Flórida hoje, você está praticamente falando da segunda capital americana. Você está falando, ecoa muito, tudo que acontece na Flórida ecoa de forma muito direta em Washington e no Partido Republicano. Então esse é um primeiro ponto. Cuba é um ponto muito sensível. Eu acho que...
O plano, a opção militar passou a ser muito considerada. A ideia inicial parecia ser pressionar com sanções, com bloqueio, e agora para buscar uma intimidação e forçar reformas políticas e econômicas no país. Mas a avaliação de Washington nos últimos meses tem sido, desde janeiro, tem sido frustração em cima de frustração. Teve uma pessoa da Casa Branca que me disse assim...
A gente fala sobre o caos que a ilha está enfrentando, o fato de estarem sem combustível, sem energia elétrica, economia completamente desfuncional, e aí os cubanos nos olham e dizem que podem resolver isso atraindo mais investimento para hotéis, por exemplo. Então tem uma dissonância na conversa. A ideia, o que parece hoje estar em curso...
respondendo seu plano seu sua pergunta sobre o plano é Washington quer criar uma situação em que parte do regime conclua que o custo de manter a linha dura é maior do que o custo de negociar
E mesmo que parte da liderança cubana prefira resistir e ir para o martírio, o caminho acho que mais racional para a população cubana seria trabalhar aí algumas concessões, alguma libertação de presos políticos, algum caminho de sinalização de uma possível abertura política, talvez algumas medidas para fortalecer o setor privado.
mesmo que o chamado alinhamento geopolítico não esteja na mesa, porque uma das reivindicações grandes dos Estados Unidos é de que Cuba é um país...
que é, na verdade, um polo de inimigos americanos. É um polo da inteligência russa, um polo da inteligência iraniana, um polo da inteligência chinesa, exatamente. É a Guerra Fria em 2026, né? É uma coisa chora. Que ano é hoje. Que ano é hoje, a minha pergunta faz sentido, poxa vida.
Tem uma pergunta de ouvinte que eu acho que faz bastante sentido também, Bruna, que é qual é a ameaça que Cuba representa aos Estados Unidos para o governo agir dessa maneira? E aí acho que você responde dizendo que eles são... É um pouco... Em que medida isso é real, sabe? Não é também um pouco das teorias conspiratórias que cercam tanto o governo Donald Trump, né?
É, assim... Porque soberania, respeito à soberania, passou longe. Eles estão tratando Cuba como trataram a Venezuela. Quer dizer, podemos considerar que eles vão invadir um país e sequestrar outro mandatário? E aí eu não estou dizendo... Não importa se você gosta de Cuba ou não. A gente está só dizendo que aqui é um país autônomo, soberano e que as regras do direito internacional não permitem a Donald Trump fazer o que ele fez na Venezuela, por exemplo, com o Maduro. E aí
Não permitem, mas aparentemente não estão sendo aplicadas. Eu acho que tem uma realidade...
que eu brinquei assim, como diz a Cássia Ehler, bobeira não viver a realidade. Tem uma realidade clara em Cuba que Cuba não é Venezuela, simples assim. Cuba, o Nicolás Maduro tinha ali dentro do governo uma série de facções, de grupos, então existia o Madeuci Rodrigues. Hoje aqui em Washington e pessoas muito próximas do governo me dizem, os Estados Unidos não sabem quem realmente manda em Cuba e se há ali o Madeuci cubana.
Além disso, eu acho que o histórico dos países, a relação entre forças armadas, Ministério de Interior, o Partido Comunista, os serviços de inteligência, é muito distinta da Venezuela.
Então, acho que o caminho de existir uma extração do Raul, que é um cara com muito mais de 90 anos, não é um sujeito como... Ele pode, inclusive, morrer numa extração dessas. É muito mais simbólico. Eu acho que a questão do indiciamento do Raul faz mais parte de uma escalada de pressão psicológica do que necessariamente nesse momento.
uma extração seguida de uma busca de uma Delci. Porém, eu acho, e tenho fontes aqui que me confirmam, essa é a busca hoje do governo americano, encontrar uma Delci cubana. Bruna, teve uma decisão da Suprema Corte, acho que foi ontem, quinta-feira, que...
votou a favor, ficou a favor de uma empresa portuária americana que teve o seu CAIS confiscado em 1960 pelo regime cubano. Foi uma decisão por 8 a 1 favorável a uma empresa chamada Havana Docks Corporation. E aí, o que se pensa agora é o seguinte, é que essa decisão pode abrir caminho para reivindicações semelhantes de empresas ou de cidadãos americanos que tenham perdido tudo o que deixaram lá e fugiram do país em 59 ou 60, por exemplo. Viu isso? Repercutiu aí? De que forma? Repercutiu, repercutiu.
e eu acho que isso entra também num paralelo quando a gente olha, por exemplo, para a pressão que empresas que foram violadas pelo Partido Comunista, pelo regime comunista na Venezuela, barganharam aqui e quando puderam vir uma oportunidade.
de reaver com o que foi ali expropriado. E eu acho que cria esse mesmo momentum aqui, um movimento de que, bom, uma boa parte dessa diáspora, desses 3 milhões de pessoas, que são extremamente coordenados, tanto as empresas americanas quanto a diáspora cubana aqui, as empresas que têm interesse nos Estados Unidos, é um lobby extremamente coordenado.
elas estão hoje trabalhando, sim, no momento de qualquer brecha, enquanto se reaver com o que foi perdido pelo regime. Mas hoje essa brecha não está ali, né? Isso eu acho uma questão importante da gente perceber. Por enquanto, Cuba está resistindo. A população está sofrendo uma realidade muito dura. E eles estão resistindo. O Trump, ele aposta, apostou que Cuba... O Trump...
ia ser uma vitória rápida, uma coisa que ele poderia resolver muito rapidamente. E assim como no Irã, eu acho que, de novo, essa história vai se arrastar. Vamos lá, então, Bruna. Cita pra gente quatro cenários possíveis para o desenrolar. Consulta aí a sua bola de cristal e conta pra gente o que a gente pode esperar do cenário hoje.
Pois é, a minha bola de cristal, então, lembrando que o que aconteceu na Venezuela ninguém previu, né? Todos os analistas aqui em Washington, as maiores firmas de risco geopolítico, ninguém viu aquilo acontecendo, então é muito difícil ter bola de cristal nesse momento. Mas assim, para mim o primeiro, o mais provável é a sobrevivência do regime com concessões parciais. É o regime tentando ganhar tempo, o aceite ali de alguma ajuda, algum gesto limitado.
E mostrando, claro, que esse cerco genocida para estrangular o povo cubano, como chamou o presidente cubano, ele realmente representa uma pressão americana e Cuba está resistindo. Então, acho que esse é um cenário que, para mim, é hoje o mais viável.
O segundo, que é uma transição controlada por dentro, que seria o modelo Delci na Venezuela, eu acho muito pouco provável nesse momento, porque não existe uma Delci dentro do regime. Em Cuba, hoje, isso é muito difícil, porque os canais de contato que estão acontecendo não estão abertos a essa possibilidade. Um deles é, inclusive, o neto do Raul Castro, que a gente chama de Raulito, que é o Raul Guilherme. O terceiro cenário...
que é drástico, é uma escalada militar. A gente sabe que existem porta-aviões americanos no Caribe hoje, ainda que eles supostamente estão em exercícios, não estão ali para nenhum tipo de invasão, mas havendo algum tipo de ataque limitado, alguma ameaça se concretizando. E esse cenário eu acho perigoso porque...
as coisas podem sair do controle muito rápido por um erro de cálculo. Capturar uma única pessoa, como foi o que aconteceu na Venezuela, não garante que o Estado cubano desmorona sem necessariamente haver um plano. Então, esse cenário eu acho pouco provável. E o quarto, acho que ainda menos provável, é o colapso rápido e espontâneo do regime de anti...
dessa crise brutal, porque a gente já viu, em outros casos no mundo, que regimes fechados não necessariamente colapsam diante de uma pressão econômica. Então, acho que a gente ainda não está no momento do vamos invadir Cuba. O objetivo não parece ser também só punir o Raul, mas é, por enquanto, testar se existe dentro do regime cubano alguém com força e vontade suficientes para negociar uma saída.
à lá a Venezuela, mas sem uma negociação do lado cubano, eu acho que isso ainda vai demorar, a gente ainda vai ver cenas dos próximos capítulos, porque como sempre, de tédio a gente não morre, né? Um país no tamanho dos Estados Unidos, vão sufocando, sufocando, sufocando, tem aí um embargo já de 60 anos, e agora sem energia, as coisas vão, como é que chamou o presidente cubano? Um cerco genocida? Um cerco genocida.
Com a população cubana. Não está de tudo errado, né? Muito bem. Bruna... Muito sofrimento. Obrigada, gente. Obrigada a você. Bruna Santos está com a gente toda sexta-feira no nosso CBN pelo Mundo, falando conosco diretamente de Washington. Um beijo. Até semana que vem.
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.
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