Episódios de Comentaristas

Oriente Médio: ‘primeira guerra da IA literalmente’

23 de março de 20267min
0:00 / 7:12
Pedro Doria traz detalhes sobre o uso da tecnologia no conflito no Oriente Médio. Comentarista destaca que Estados Unidos e Israel estão usando muita Inteligência Artificial contra o Irã. Saiba mais.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Assuntos9
  • Inteligência Artificial MilitarAnálise de alvos em 10 segundos · Eficiência 3x maior que equipes humanas · Processamento de dados de satélite e inteligência · Seleção automática de alvos estratégicos · Morte de figuras proeminentes do governo iraniano
  • Primeira Guerra da Precisão em MassaDiferença com Guerra do Golfo (1991) · Múltiplas operações por dia · Democratização da precisão de alvos · Informatização do conflito moderno · Evolução tecnológica da guerra
  • Conflito Irã-EUAQuarta semana de conflito · Participantes principais · Escalada de ataques · Respostas iranianas em múltiplas formas · Dinâmica militar internacional
  • Conflito Rússia-Ucrânia71% dos ataques iranianos com drones · Design simples (4 hélices + explosivo) · Fabricantes múltiplos (Irã, Rússia, Ucrânia) · Custo unitário de $35 mil · Eficácia tática contra defesa aérea
  • Economia Financeira da Defesa AéreaCusto de interceptação ($4 milhões) · Custo do drone ($35 mil) · Proporção 1:100 · Inviabilidade econômica da defesa contínua · Desvantagem econômica de Israel e EUA
  • Evolução das táticas e armas modernasLockheed Martin: 600 mísseis Patriot/ano · Meta de 2 mil mísseis até 2027 · Gap entre demanda e produção · Ineficiência da indústria militar americana · Vantagem numérica do Irã em produção
  • Drones Interceptadores UcranianosCusto de produção ($2 mil) · Capacidade produtiva (10 mil/mês) · Experiência em guerra Ucrânia-Rússia · Eficiência operacional · Tecnologia não implementada pelos EUA
  • Erro de Inteligência e Ataque a CivisAtaque a escola com crianças meninas · Primeiro dia de ataque ao Irã · Erro de mapeamento de informação · Falha em detectar civis · Limite da tecnologia de IA em precisão real
  • Futuro da Guerra com IAExpansão da tecnologia para países pobres · Mudança radical no tipo de conflito futuro · Ameaça ao poder de exércitos convencionais grandes · Precisão em massa acessível globalmente · Reconfiguração do poder militar internacional
Transcrição12 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Vida Digital, com Pedro Dória. Muito bom dia para você, Pedro Dória. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, Pedro. Entramos já na quarta semana da guerra no Oriente Médio, guerra provocada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, com resposta do Irã de diferentes formas. Pedro, essa pode ser a primeira guerra que nós estamos acompanhando, em que a inteligência artificial está sendo usada em grande peso? Mais do que isso.

Milton, essa é a primeira guerra da IA, literalmente. Porque os Estados Unidos e Israel estão usando muita inteligência artificial. O pessoal do Council of Foreign Relations, que é um grande órgão de pesquisa de política internacional, está chamando isso de a primeira guerra da era da precisão em massa. Ou seja, se a guerra do Golfo, lá atrás, em 1991, nós éramos muito jovens naquela época,

Se aquela foi a guerra da precisão, a primeira guerra da precisão, porque os mísseis americanos conseguiam atingir alvos detalhados no Iraque, agora a gente está na era da precisão em massa. Ou seja, primeiro, todo mundo tem a capacidade de precisão de alvos. E dois, você consegue fazer isso múltiplas vezes por dia. Por quê? Primeiro, inteligência artificial. O Pentágono está com os números que são bem surpreendentes.

consegue determinar recomendações de alvos precisos em 10 segundos e numa quantidade que é de três vezes mais do que equipes exclusivamente humanas. Isso quer dizer o seguinte, você junta informação de satélite, você junta informação de inteligência, mistura tudo, o modelo lê, ela diz, olha, tem um sujeito aqui que é importante que vocês querem atingir, te diz isso em 10 segundos, você aperta no míssil, de forma que os iranianos não têm qualquer chance de sequer ter percebido

que tem um problema de segurança naquele determinado lugar. E é por isso que tanto americanos quanto israelenses estão matando uma quantidade muito grande de figuras proeminentes do governo iraniano. Isso é por causa de inteligência artificial. Agora, os iranianos também entraram na era da precisão? Como? Usando drones. Para vocês terem uma ideia, 71% dos ataques iranianos ao Golfo não são feitos com mísseis ou com foguetes, são feitos com drones.

drone que a gente vê usado para fotografia, para filme, com quatro hélices, só que ele é uma bomba. Ele vai, ele olha para o lugar que ele quer atingir e atinge aquele lugar e explode ali. Qual o grande problema dos americanos e dos israelenses nesse momento? Bem, o problema é aritmético. Um drone desses que os iranianos estão usando, que eles fabricam, que os russos fabricam, custa por volta de 35 mil dólares.

para interceptar esses ataques custa 4 milhões de dólares. É o preço de 100 drones. Então, vocês vejam, para cada drone que é interceptado e, portanto, não atinge o seu alvo, cada drone desses custou 35 mil dólares aos iranianos e os americanos têm que gastar 4 milhões de dólares para interceptá-lo. Ou seja, a gente observa aí que tem avanços de vários lados e uma questão importante é que existem diferentes fabricantes e fornecedores desses drones.

exemplo. Tem diferentes fabricantes, esses drones são fabricados pela Ucrânia, pela Rússia e pelo Irã, principalmente. Por que a Ucrânia? Porque os ucranianos aprenderam. Eles estão numa guerra com a Rússia há bastante tempo, essa tecnologia de drones foi sendo aperfeiçoada entre Irã e Rússia, tem sido usado muito na Ucrânia. E os ucranianos, eles já estão com uma solução, que os americanos ainda não conseguiram implementar, mas a solução é

Os ucranianos fabricam drones interceptadores, que custam 2 mil dólares. E você consegue fazer numa quantidade de 10 mil drones por mês. Porque esse é um outro ponto importante, né, Cássia? Para você ter uma ideia, a Lockheed Martin, que faz esse míssel Patriot, produz 600 mísseis por ano. Tem a meta de, até 2027, conseguir fabricar 2 mil mísseis.

mil drones por dia. Então é aquela coisa de os iranianos têm uma capacidade de se armar muito maior, infinitamente maior do que a capacidade americana de produzir mísseis para retornar, para defender a coisa. Mas enfim, é um novo tipo de guerra e é um tipo de guerra em que a precisão começa a deixar de ficar apenas nos países muito ricos. Você começa a vê-la espalhada.

países mais pobres, a precisão da inteligência artificial, isso fatalmente vai acontecer nos próximos anos, o tipo de guerra que a gente vê vai mudar radicalmente. E talvez até o poderio dos exércitos muito grandes comece a ser ameaçado e questionado. E o que você nos traz aqui torna ainda mais escandalosa a informação de que os Estados Unidos teriam atacado uma escola com crianças, meninas, no primeiro dia de ataque no Irã, por erros

de informação, porque havia mapeado errado e imaginava que lá haveria uma célula terrorista ou do Irã, quando de verdade havia uma escola. Chamaram a atenção que toda essa tecnologia não tenha sido suficiente para impedir esse tipo de situação. Milton, você tem toda a razão, não tem nem o que falar, Tuxê. Muito obrigado, um abraço, até mais. Até a próxima semana.

Oriente Médio: ‘primeira guerra da IA literalmente’ | Castnews Index — Castnews Index