OMS: água potável e saneamento poderiam prevenir 1,4 milhão de mortes por ano
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- Saneamento como Intervenção MédicaÁgua limpa e saneamento como poderosa intervenção · Simplicidade da solução vs. tecnologia cara · Impacto imediato ao melhorar ambiente · Diferença entre medicamento e ambiente · Higiene básica como base da saúde
- Diarreia e Mortalidade PrevenívelDiarreia como causa evitável de morte · 70% das mortes ligadas à falta de saneamento · Principal causa de morte em crianças · Redução de 45% com intervenção de saneamento · Subestimação da gravidade da doença
- Retorno sobre Investimento4 dólares de retorno por 1 dólar investido · 5,5 dólares de retorno em saneamento específico · Até 7 dólares de retorno em contextos africanos · Redução de gastos hospitalares · Aumento de produtividade laboral · Melhor aprendizado escolar · Maior renda ao longo da vida
- Saneamento como Política de Saúde PúblicaDiferença entre obra de infraestrutura e política pública · Importância na agenda política · Mensagem chave para decisores · Contexto de eleições e políticas públicas
- Impacto no Desenvolvimento InfantilAtraso no crescimento · Atraso no desenvolvimento cognitivo · Maior risco de infecções · Prejuízo no desempenho escolar · Vulnerabilidade a longo prazo
- Infancia e PobrezaInfecção inicial · Má absorção de nutrientes · Desnutrição · Pior desempenho escolar · Menor renda no futuro · Perpetuação do ciclo
- Doenças InfecciosasCólera · Hepatite A · Febre tifoide · Verminose e esquistossomose · Tracoma (cegueira evitável) · Infecções causando desnutrição
- Saúde no BrasilMilhões sem acesso a esgoto tratado · Milhões sem água segura · Determinante maior de saúde · Determinante de desigualdade · Internações por diarreia e infecciosas · Impacto desproporcional na infância
- Resistência AntimicrobianaDisseminação de bactérias resistentes · Falta de higiene adequada · Desafio atual da medicina · Saneamento como estratégia de prevenção
Doutor Luiz Fernando Correia gravou o comentário dele e você acompanha agora. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Já parou a pensar que uma das intervenções mais poderosas da medicina não está no hospital? Não é um medicamento novo, não é uma tecnologia de ponte, é algo simples. Água limpa e saneamento básico. Segundo a OMS, falta de água potável e coleta de esgoto e higiene adequada é responsável por cerca de 1,4 milhões de mortes.
Só a diarreia, que muita gente subestima, continua sendo uma das principais causas de morte evitável, principalmente em criança. E aí vem um ponto. 70% dessas mortes por diarreia estão ligadas diretamente à falta de saneamento e água segura. Ou seja, não é a doença em si, é o ambiente. E quando a gente melhora o ambiente, o impacto é imediato. Uma grande revisão científica recente mostrou que intervenções de saneamento podem reduzir em até 45% a mortalidade infantil por diarreia.
falta de saneamento está ligada a uma série de doenças, cólera, hepatite A, febre tifoide, verminose, esquistossomose, infecções que levam à desnutrição e até mesmo problemas como cegueira evitável, como tracoma. Além disso, crianças que vivem em ambientes sem saneamento têm maior risco de atraso no crescimento e no desenvolvimento cognitivo. Isso é um ciclo infeccioso, gente. Infecção, má absorção, desnutrição, pior desempenho escolar, menor renda no futuro,
volta a acontecer de novo. E tem mais um detalhe que ganha importância recente. A falta de higiene adequada também contribui para a disseminação de bactérias resistentes a antibióticos. Ou seja, saneamento também é a estratégia contra a resistência antimicrobiana, um dos maiores desafios da medicina atual. Agora, para tentar convencer os políticos, vamos olhar do ponto de vista econômico. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cada dólar investido em saneamento e água potável gera cerca de 4 dólares de retorno.
Quando esse investimento é especificamente em saneamento, esse retorno pode chegar a 5,5 dólares para cada dólar investido. Alguns estudos da OCDE e do Banco Mundial chegam a mostrar que esse retorno pode ser ainda maior, chegando até 7 dólares para 1 em alguns contextos, como por exemplo na África. E de onde vem isso? De três grandes fatores. Menos doença, menos gasto com hospital, remédio, internação, menos pessoas doentes, maior produtividade, mais dias trabalhados,
melhor aprendizado, mais renda ao longo da vida. Vamos pensar no Brasil. Ainda temos milhões de brasileiros sem acesso pleno a esgoto tratado e água segura. Isso se traduz diretamente em internações por diarreia, doença infecciosa e impacto na infância. Ou seja, saneamento no Brasil ainda é um dos maiores determinantes de saúde e também de desigualdade. E aqui vai uma mensagem. Se a gente tivesse que escolher uma única intervenção para melhorar a saúde de uma população inteira, não seria um remédio caro?
logística sofisticada, seria água limpa, esgoto tratado e higiene básica. Que saneamento não é só obra de infraestrutura, é política de saúde pública. Lembre disso agora em outubro desse ano, tá, viu, gente?