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Água e gênero: o impacto desigual da escassez

23 de março de 20267min
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No CBN Sustentabilidade, Rosana Jatobá comenta a nova campanha da ONU sobre a escassez de água, onde o problema não é apenas um tema ambiental. A ONU decidiu abordar a relação entre água e gênero, mostrando que quando falta água, saneamento ou quando a estrutura falha, esse peso recai majoritariamente sobre as meninas e mulheres. Ouça.

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Assuntos8
  • Campanha da ONU sobre águaDesigualdade de gênero na coleta de água · Mulheres e meninas como coletoras · 53 países afetados · 70% da coleta no Brasil por mulheres · Relação entre acesso à água e igualdade
  • Impacto da escassez de água na autonomia femininaMulheres deixam de ir à escola · Perda de oportunidades de trabalho · Tempo perdido em coleta de água · Sobrecarga no tempo pessoal · Impacto no desenvolvimento feminino
  • Redução de tempo de banho para economia de águaBanho de 10 minutos gasta 150 litros · Redução para 5 minutos economiza 75 litros · 2 mil litros de economia por pessoa/mês · 70% da população toma 2 banhos diários · Dica mais impactante de economia
  • Saneamento básico em São PauloAvanço de 20% em 10 anos · 16% da população sem acesso · 33 milhões de pessoas afetadas · Desafios em zonas rurais e semiárido · Necessidade de políticas públicas
  • Privatização da ÁguaAvanços com setor privado · Governos estaduais e municipais privatizando · Eficiência da iniciativa privada · Necessidade de regulação · Papel público vs setor privado
  • ODS 6: água e saneamento como meta globalObjetivo de desenvolvimento sustentável · 2 bilhões sem água segura no mundo · Descaso dos países em cumprir · Importância da sustentabilidade internacional
  • Economia de água na máquina de lavar roupaEncher máquina completamente · Evitar lavagens parciais · Economia significativa possível · Hábito simples de mudar
  • Eficiência de equipamentos e temperatura ideal de banhoAquecedor moderno eficiente · Economia de energia no aquecimento · Aquecimento rápido de água · Temperatura ideal 35-36 graus · Proteção de pele e cabelo
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CDN Sustentabilidade, com Rosana Jatobá. Rosana Jatobá, boa tarde pra você. Oi, Cássia, boa tarde pra você e pros nossos ouvintes. Rosana, vamos falar a respeito de água. Ontem tivemos uma data importante e como é difícil, né, Rosana, lidar com água de uma forma racional. Pois é, por isso que eu tô aqui, viu, Cássia, pra comentar sobre a campanha da ONU deste ano, pra combater a escassez de água no mundo.

Muito interessante porque amplia a conversa. A água não apareceu só como um tema ambiental. A ONU decidiu abordar a relação entre água e gênero. Ou seja, quando falta água, quando falta saneamento, quando a estrutura falha, esse peso recai majoritariamente sobre as meninas e mulheres. As pesquisas mostram que em 53 países são as mulheres que saem de casa para coletar água para a família. E aqui no Brasil é a mesma coisa.

de 70% da coleta de água, sobretudo em áreas mais vulneráveis, como as zonas rurais e o semiárido. Então, Cássia, é tempo que a mulher deixa de ir para a escola, para o trabalho, para o descanso. Isso é muito interessante, essa abordagem sobre desigualdade de gênero, para a necessidade mesmo, Cássia, que a gente tem de os governantes criarem políticas públicas para compensar esse fardo que recai sobre as mulheres. Você é uma estudiosa sobre esse assunto e sabe quanto isso interfere

na autonomia feminina, né? Sem dúvida, é uma questão mesmo, né? Mulheres deixando de fazer outras coisas porque tem que lidar com essa questão da água, né, Carlos Alberto? Pois é, a gente vê isso, essa cena, a gente vê, enfim, é bastante comum nos países mais pobres, nas regiões mais pobres de alguns países, como é o caso aqui do Brasil. E, bom, no caso também, né, Rosana, tem muita...

do saneamento de água, depende muito de políticas públicas. E eu noto, não sei se você concorda, eu noto que houve um avanço no Brasil recentemente, desde que houve a possibilidade de privatização desse setor pelos governos estaduais e pelos municípios. E de todo modo, tem dois lados nessa história. A atuação do setor público e a atuação das pessoas.

dos indivíduos, das pessoas que teriam que fazer a economia de água. Isso, Sardenberg, foi muito bom você ter tocado nesse ponto da entrada da iniciativa privada para a gente tentar solucionar a escassez de água. Inclusive, a própria ONU nessa campanha toca nesse aspecto, falando do descaso dos países com relação ao cumprimento do ODS nº 6, que trata de água e saneamento. Aqui no Brasil, como você falou, a gente teve um avanço de 20% no acesso à água potável

Nos últimos 10 anos, exatamente graças à iniciativa privada, mas precisa avançar muito, porque mais de 16% da população ainda não tem acesso à água potável. São 33 milhões de pessoas e no mundo todo são 2 bilhões sem acesso à água segura para o consumo. Agora, com relação ao peso de cada um de nós, a importância do cidadão, da mudança de comportamento.

com isso, porque se a gente muda os hábitos, a gente reduz o consumo doméstico de água em cerca de 30%. E aí eu vou perguntar para vocês dois, qual é o hábito mais eficiente para quem está nessa luta de combate à escassez de água? Crise hídrica no mundo todo. Olha, tem uma coisa bem simples que dá para fazer todo mundo na sua casa, que é o seguinte, quando você for lavar roupa, espera você ter a quantidade para encher a máquina.

Tem gente que sujou uma pecinha, põe na máquina, sujou mais duas, põe na máquina.

gasta um monte de água. Se você esperar ter uma máquina cheia para fazer a lavagem, já vai ser uma bela economia. É o que eu faço lá em casa. Essa é uma ótima dica, mas está em quarto lugar nessa lista da ONU. O mais eficiente é reduzir o tempo de banho e evitar a água correndo ali sem uso. Um banho de 10 minutos chega a gastar 150 litros. Então tem que reduzir para 5 minutos para você ter uma economia de 75 litros por banho. Isso uma pessoa só durante o mês, se ela fizer essa redução,

ela consegue economizar dois mil litros. Imagine numa família de quatro pessoas, você tem uma economia de até oito mil litros. Agora é difícil, é um desafio e tanto, porque no Brasil, setenta por cento da população toma dois banhos por dia. É o meu caso, imagine que seja de vocês também, ou não? É, é o caso, mas dá pra fazer. Mas tá errado isso? Tá errado, Sardenberg. Ah, tá brincando. Não, ué, mas se você tomar dois banhos rápidos por dia, por exemplo... Dois de cinco dá dez.

Dá pra tomar dois de três, vai. Sabe como? Não, dá. A Rosana falou que tem que ser cinco minutos. Então, dá pra tomar dois de dois e meio. E eu vou te explicar como fazer, mesmo tendo o cabelo comprido e passando condicionador que tem que ficar três minutos o condicionador. É uma mágica, não? Sabe como? Você desliga o chuveiro. Você passa lá o seu shampoo, condicionador, desliga o chuveiro. Aí fica ali pensando na vida um pouquinho, dá três minutos.

Abre de novo e só enche a água. Abra de novo, espera esquentar. Não, mas aí... Então, mas aí você tem que contornar essas coisas. Por exemplo, há uns dois anos eu troquei meu aquecedor, que o antigo tinha esse problema aí. Você ligava e levava uma vida pra esquentar. Isso. Baixa eficiência energética. Baixa eficiência energética. Agora o novo é uma beleza, Carlos Alberto. Você vira ali, ó, o misturador, já sai água quente. E melhor, você regula a temperatura no próprio aparelho e não fica usando muita energia pra esquentar.

demais a água que ainda faz mal pra pele e pro cabelo. Eu só tomo banho a 35, 36 graus hoje. Você é uma especialista. Vou indicar você como embaixadora da ONU para combate ao desperdício de água no Brasil. Aí, Carlos Alberto, cola em mim que você brilha. Boa. Obrigado, Rosana. Um beijo e até amanhã. Até amanhã.