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STF busca destensionar relações com o bolsonarismo, que cresce na corrida pela presidência e Senado

23 de março de 202610min
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Maria Cristina Fernandes fala sobre a recomendação da PGR à favor da prisão domiciliar de Bolsonaro por conta das complicações constantes de saúde do ex-presidente. A comentarista explica que, neste momento, o maior temor dos ministros do Supremo é de que, com o crescimento constante do bolsonarismo nas eleições presidenciais e na corrida pelo Senado, haja o "destravamento" do Impeachment dos ministros após as eleições.

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Assuntos8
  • ImpeachmentChances vitória presidencial · Maioria no Senado · Presidente do Senado · Destravamento de impeachment · Dilema Dias Toffoli
  • Voto Gilmar contra BorcaroPrisão Daniel Borcaro mantida · Peroração contra Lava Jato · Timing sexta-feira noite · Sinalização política · Um no cravo outro na ferradura
  • Política STFAudiências Alexandre de Moraes · Recepção Flávio Bolsonaro · Recepção Michèle Bolsonaro · Redução tensão bolsonarismo · Pressão interna corte
  • Atuação de Lucia na políticaInvasão lógica política STF · Precedente perigoso · Cascata impeachments · Auto-preservação institucional · Risco institucional
  • Pesquisas sobre impeachment ministerialDados Quest · 60% favoráveis impeachment · Alcance além bolsonarismo · Eleitorado Lula sensível · Desfecho desejável vs improvável
  • Críticas a Gilmar MendesOposição impeachment Dilma · Não deixar Lula assumir Casa Civil · Combate corrupção PT · Transformação em protetor STF · Paradoxo posições
  • Prisão de Daniel BorcaroPneumonia bacteriana · Parecer PGR · Ministro Alexandre de Moraes · Hospitalização desde 13 abril · Questões saúde complexas
  • Tentativa golpe 8 janeiroEvento precipitador · Simbiose Executivo-Supremo · Novo relacionamento entre poderes · Mudança institucional · Fronteira política cruzada
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Oi, Maria Cristina, boa tarde. Boa tarde, Tati. Fernando, boa tarde, ouvinte. Boa tarde, Maria Cristina. Bom, a Procuradoria-Geral da República se manifestou a respeito da prisão domiciliar, como vimos aí a nossa reportagem trazendo a informação, prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro por questões de saúde. O que é que isso tem a ver com as conversas a respeito sobre impeachment dos integrantes da Suprema Corte, Maria Cristina?

Como você diz, o Paulo Gonê, proprietor-geral da República, se manifestou hoje pela prisão domiciliar e ele o fez a pedido do ministro Alexandre de Moraes, porque o ex-presidente está hospitalizado desde o dia 13 e o Gonê está tratando de uma pneumonia bacteriana. E o Gonê argumentou que a saúde dele demanda uma atenção permanente

não tem mais condição de propiciar. Então, ele indagado pelo ministério Alexandre Moraes, foi isso que ele respondeu. Ou seja, Alexandre Moraes já tem um parecer que lhe manda fazer isso. Ele já recebeu o filho mais velho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro, senador, pré-candidato a presidente. Vai receber a primeira-dama, Michele Bolsonaro. Ele está se cercando ali,

A defesa pediu, mas ele está se cercando e recebendo esses personagens, esses parentes do ex-presidente. E o que se colhe é que ele, de fato, já foi mais resistente a esta prisão domiciliar. Até porque existe uma pressão da própria corte, que vem não apenas dos ministros que foram indicados por Bolsonaro.

distensionar o ambiente com o bolsonarismo. E essas audiências que o ministro tem concedido também estariam embutidas neste contexto. E por que a necessidade de distensionar esse ambiente? Pelas chances hoje crescentes de o bolsonarismo não apenas chegar à presidência, como fazer maioria no Senado e fazer o presidente do Senado, portanto.

o impeachment de ministros do Supremo ficar, digamos, destravado. Esta é a principal preocupação hoje no Supremo Tribunal Federal. Até mesmo aquele voto do ministro Gilmar Mendes, que manteve a prisão do Daniel Vorcar, o ex-banqueiro do Master, na sexta-feira, já à noite, nós jornalistas ficamos esperando esse voto o dia todo.

no final do prazo, foi na sexta-feira à noite, foi entendido no Supremo dessa maneira. Por quê? Com aquele voto, o ministro manteve a decisão do André Mendonça, que foi deixar Daniel Borcaro preso. Mas fez uma longa peroração contra o Lava Jatismo. Uma no cravo, outra na ferradura, para não, digamos assim, espicaçar, não tensionar mais o ambiente.

dando, digamos assim, fazendo um aceno para a política, que não quer a ressurreição do lavajatismo, que é esse combate à corrupção. É preciso ter os olhos voltados para essa conjuntura política para você entender o voto do ministro Gilmar Mendes. Não adianta tentar entender, tendo em consideração outros votos dele. Eu fui recuperar a corda,

relativos à votação do impeachment da ex-presidente Dilma, não dá para entender, porque são manifestações que se degladiam, porque lá o ministro Dilma Mendes não deixou o ex-presidente Lula assumir a Casa Civil, se manifestava abertamente contra a corrupção dominante no PT, no governo Dilma, e agora ele, digamos assim,

é um dos líderes deste movimento no Supremo para proteger a instituição, a corte, contra o impeachment. Eles temem que você, abrindo a porteira de um impeachment, o Supremo passa a ser invadido pela lógica da política, que é pode tirar um presidente aqui, outro acolá, tirou um, pode tirar outro.

guiarem pela lógica da política, eles não querem ser tragados pela lógica da política. E o ministro João Mendes viu isso muito antes de todo mundo, porque lá atrás, o ouvinte há de lembrar, no ano passado, ele tinha dado um liminar praticamente inviabilizando o impeachment de ministro, porque restringiu a propositura ao Procurador-Geral da República e elevou o quórum de impeachment de ministro para o mesmo quórum de impeachment

impeachment de presidente da República. E aí, depois de um puxo e encolhe, ficou apenas a elevação do quórum e o ministro recuou nessa iniciativa exclusiva do PGR. Então, essa preocupação do impeachment já está guiando Gilmar Mendes há algum tempo. A questão é, eles vão conseguir evitar o impeachment

Não. Há hoje um consenso de que, para evitar este impeachment, eles vão ter que ceder alguns anéis, ou pelo menos um anel, para manter os dedos. E este anel seria o ministro Dias Toffoli, que não admite aposentadoria, se amarrou à cadeira do Supremo Tribunal Federal. E aí a questão é como desamarrá-lo.

Cristina, uma questão envolvendo o eleitor, porque eu não me lembro de ter visto uma eleição para senador em que o interesse desse candidato, caso eleito, trabalhasse para o impeachment de membros do Supremo Tribunal Federal. E isso agora já até aparece, essa pergunta já aparece em pesquisa eleitoral. O eleitor está efetivamente preocupado pensando nisso na hora de escolher o seu candidato a senador?

Quem está muito focado em eleição somos nós jornalistas. O eleitor, de uma maneira geral, está completamente desfocado, dissociado de eleição. Geralmente se dá conta de que tem eleição algumas semanas antes. Mas eis que há pesquisas. Esses institutos mandam seus pesquiseiros às ruas. E nessas pesquisas eles são diretamente indagados.

sobre se estão cientes do que está acontecendo no Supremo, e aí tem um esquenta, você está ciente, ministro Dias Toff, ministro Alexandre de Moraes, e aí depois desse esquenta vem a pergunta sobre impeachment de ministro, e a gente viu nessa pesquisa Quest, de cada 10 entrevistados, 6 são favoráveis ao impeachment de ministro do Supremo.

extrapola a votação do Bolsonaro em 2022. Já estaria invadindo, inclusive, o eleitorado mais à esquerda. Então, tendo em vista que desde a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, o Executivo e o Supremo passaram a ter uma simbiose, esta é uma fronteira, ter cruzado, que a opinião pública tenha cruzado esta fronteira,

digno de nota, porque tem o eleitorado do presidente Lula que passou a ver o impeachment como um cenário de desfecho não mais improvável e até desejável. Então, é isso que eles estão tentando dar tratos à bola, de tentar responder de alguma maneira à opinião pública sem que

apele ao Instituto do Impeachment, que é como a abertura de uma porteira, para ser, digamos assim, para usar um francês castiço. Maria Cristina, você é demais, tá bom. Você quer complementar ou te manda um beijo já? Me manda um que eu te mando outro, Tati. Um beijo, até amanhã, obrigada. Outro Tati para você, para o Fernando e para os ouvintes.

Amanhã. Que seria da gente, a Maria Cristina Fernandes, todos os dias aqui no nosso Tudo é Política. A porteira.