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Os estilos de conflito no amor e o que eles dizem sobre nós

23 de março de 202621min
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Carol Tilkian discute os estilos de conflito em um relacionamento, abordando como as pessoas lidam com discussões e o que isso revela sobre elas. A especialista explica que entender os comportamentos diante de um conflito é essencial para promover uma comunicação mais saudável. Ouça.

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Assuntos12
  • Reparação e compreensãocapacidade de reparo · simbolização · compreensão do que magoa o outro · disposição para entender · prioridade da compreensão sobre estar certo
  • Comunicação Não Verbalnomear sentimentos sem acusar · escuta sem justificação automática · compreensão de limites alheios · pausa antes de responder · informação versus acusação
  • Estilo aberto e produtivoescuta antes de responder · relativização da verdade · busca de resolução conjunta · respeito pela diferença · tolerância pela emoção
  • Reconhecimento e vulnerabilidadenecessidade de pedir · direito de reconhecimento · exposição de limites · medo de ser invadido · desejo de ser compreendido
  • Escuta ativa e empatiaescuta sem justificação imediata · recepção de queixa como informação · pausa antes de responder · compreensão de limites · ampliação da escuta
  • Estilo defensivojustificação automática · negação da falha · proteção da imagem idealizada · evitar admissão de erro · impedir desculpas genuínas
  • Estilo evitativo e retirantesilêncio e ghosting · congelamento emocional · fuga e retirada · impossibilidade de permanecer · autorregulação pela angústia
  • Estilo acusatóriogeneralizações (sempre/nunca) · juiz e dono da verdade · transformação de dor em denúncia · afastamento emocional · necessidade de pedido encoberta
  • Linguagem bélica nas relaçõesconflito como disputa de poder · agressividade na comunicação · mentalidade vencedor/perdedor · instauração de linguagem do mundo · violência simbólica
  • Ambiguidade e ambivalêncialógica tudo ou nada · ameaças de separação · reconhecimento de contradições · capacidade de reparação · pluralidade de verdades
  • Herança familiar de padrõesinfância moldando argumentação · famílias que não falam de sentimentos · famílias bélicas · observação de modelos · possibilidade de reaprendizado
  • Diferenças de ritmo e intensidadenecessidade de falar na hora versus tempo para processar · desencontro de linguagem · dessincronização emocional · ansiedade e paciência · contemporização
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CBN, Amores Possíveis, com Carol Tilguian. Oi, Carol. Boa tarde. Boa tarde, Tati. Boa tarde, Nando. Boa tarde, ouvinte. Boa tarde, Carol. Carol, hoje traz... Você sabe discutir? Você sabe brigar? Você sabe defender um ponto na discussão da relação sem atacar abaixo da linha da cintura? Esse é nosso assunto hoje, Carol? E é interessante, Tati. Já vou ser bem psicanalista provocando.

Quando você começa, você sabe, a gente pressupõe que tem um jeito certo. É verdade. E o que eu quero trazer é que a gente... E supor que existe um jeito certo também é algo que gera conflito. É claro que... Eu lembro de uma frase de uma tia minha que eu amo muito, que era a minha mãe postiça. Ela fala, não é o que você fala, é como você fala. Então, nada justifica a violência.

estilos de conflito nas relações. E o que eles dizem sobre nós. Porque muitas vezes, quando a gente fala você sabe brigar, você sabe discutir, a gente espera que o outro discuta na mesma chave que a gente. E aí, a gente não só está discutindo pelo problema em si, mas pela nossa própria organização psíquica. Porque tem gente que ataca para não zabar, tem gente que se defende para não assumir,

a própria falha, tem gente que silencia para não ser invadido ou porque está muito angustiado e tem medo de, ao falar, transbordar. Então, até queria perguntar para os ouvintes se vocês identificam uma maneira de vocês se colocarem quando vocês estão discutindo com as suas relações pessoais, sejam companheiros, companheiras, familiares, amigos,

outro, de discutir com você, que mais te incomoda e por quê? Eu vou trazer aqui esses cinco estilos de argumentação para a gente pensar um pouquinho, não neles como rótulos, mas como defesas para a gente tentar pensar como é que eu estou me defendendo e como será que o outro está se defendendo para a gente poder também, ao discutir,

conversar sobre esse como. Então, primeiro, e cada vez mais, a gente tem visto um estilo acusatório, que é a pessoa que se coloca como juiz, como dono da verdade e tende a usar as generalizações. Então é, você sempre faz isso, você nunca faz isso, você é assim. Mais do que apontar o erro do outro, então,

a pessoa está mexendo no celular, no jantar, enquanto você está contando numa conversa difícil que você teve com a sua irmã. E aí, de repente, seu companheiro está lá mexendo no celular. Ao invés de você falar, eu já estou sensível, estou incomodada com essa situação, jura que você vai mexer no celular? Agora, não estou me sentindo ouvida. Está vendo? Você sempre mexe no celular quando eu falo coisas importantes.

usa o sempre ou nunca para já grudar algo da personalidade da pessoa e essa força tende a encobrir essa nossa vulnerabilidade, a necessidade de pedido, tipo, escuta, estou precisando que você me escuta com atenção ou estou querendo colo. Como cada vez menos a gente se autoriza a precisar e a pedir, a gente já teve colunas aqui falando sobre a importância do pedir,

a gente acusa para transformar a dor em denúncia. Isso faz com que o outro vire quase que um rival. E ao usar as generalizações, a gente afasta ainda mais e tende a fazer com que a discussão ou o ponto que são aquele incômodo específico tendam a se perder. Porque a pessoa vai falar, não, isso na verdade, porque ontem eu estava te ouvindo e quem pegou o celular para atender a amiga

na vigésima crise com o namorado, foi você. E aí a briga vai escalando. Isso tem a ver com o nosso segundo estilo, que é o estilo defensivo. Ao invés da pessoa ouvir o incômodo do outro, ela já se justifica, se explica, nega, como se ela estivesse tentando se proteger de uma acusação. E aí pensando que muitas vezes a gente tem um estilo de ataque, o outro tende a ir nessa chave defensiva.

Ao invés de sustentar a falha, porque você pode ter feito algo na melhor das intenções, mas aquilo machucou a pessoa. Então você, pegando esse exemplo do celular, na verdade você estava ali mandando uma mensagem para cancelar um almoço de trabalho, porque você ia logo se oferecer para almoçar com a sua companheira que estava desabafando.

a negar, e muitas vezes isso faz com que a gente evite simplesmente dizer desculpa. Não queria que você tivesse se sentido assim, porque parece que qualquer erro é um indício de que nós não somos dignos de sermos amados, que não somos bons amigos, bons irmãos, bons filhos, bons companheiros ou companheiras.

É como se a crítica virasse um aniquilamento do eu. E aí a gente está o tempo inteiro, cada vez mais, tentando se defender dessa ameaça, porque no fundo a gente está, ao tentar se defender da ameaça, tentando preservar o vínculo. Só que ao tentar preservar o vínculo, na verdade você está tentando salvar essa imagem idealizada de você mesmo.

validada nas dores e essa discussão vai para poucos lugares produtivos. Aí a gente tem um terceiro estilo que tem sido cada vez mais frequente em tempos de ghosting e silenciamento, que é o estilo evitativo e retirante, aquela pessoa que simplesmente não fala, cancela, o famoso tratamento do silêncio.

de silêncio, muitas vezes só olhando como uma ferramenta de gaslighting, de manipulação, de fazer o outro duvidar da própria percepção, mas humanizando aqui essas nossas reações disfuncionais, é importante ver que a pessoa que se retira nem sempre está sendo fria, manipuladora, calculista. Muitas vezes ela está inundada pela própria angústia.

pelo medo, pela raiva e ela não sabe como permanecer. A gente vê muitos homens nesse estilo retraído e evitativo e talvez também porque são homens que não cresceram exercitando o poder falar das emoções. Então esse silêncio, a fuga e o congelamento são estratégias de autorregulação que eles aprenderam e a retirada vira essa defesa

da angústia. É uma impossibilidade de permanecer ali sem se desorganizar. E a gente vai ter que se desorganizar, porque não há saídas possíveis sem que a gente desorganize a nossa lógica, a nossa postura da pessoa que tem sempre certeza, que tem sempre razão. Aí a gente chega para um dos estilos que é um dos estilos mais produtivos, que é o estilo aberto.

Então é a pessoa que escuta antes de responder, justificar, reagir, que relativiza, porque conversar e discutir não é fazer com que o outro concorde com a sua opinião. Muitas vezes a gente vai terminar uma discussão e cada um continua acreditando no ponto de onde partiu, mas a gente precisa entender aonde aquilo atravessa o outro, aonde, apesar de discordarmos,

É preciso que haja respeito, reconsideração de limites, de perspectivas. É buscar uma resolução que seja conjunto. Mas, de novo, não é não ter afetos intensos. Acho que a gente vai, muitas vezes, ser tomada pela raiva. A emoção vai vir. A gente vai chorar. E tudo bem. Acho que a gente tem que poder...

Não achar que o aberto e o maduro é não estar na dor e sim poder entender como a gente vai lidar com essa dor sem atacar o outro, sem se defender ou sem se retirar. Porque, no fundo, a gente está discutindo não só pelo fato que nos incomoda, mas pelo nosso direito de reconhecimento. E a gente tem olhado pouco uns aos outros.

Conhecido pouco os limites do outro, as dores do outro, as incoerências do outro. Quando a gente fala você sempre se fecha, talvez a gente esteja querendo falar eu estou ficando sozinha nessa relação. Estou precisando de mais troca. Ou quando a gente fala você me critica por tudo, talvez a gente esteja querendo dizer eu já me sinto insuficiente e insegura.

E você tá reproduzindo algo que me machuca tanto. E que eu falo pra você o quanto isso foi ruim na minha relação com os meus pais. Carol. É. Pode falar, ok? Desculpa te cortar. Mas já que você falou do silêncio dos homens, eu separei dois aqui que vão ilustrar bem esse exemplo que você deu. O Lucas, olha que interessante. O Lucas, ele faz um link dessa conversa com uma outra coluna em que falamos sobre silêncio. E é usado como forma de dizer que há um incômodo.

mesmo sem nomear o incômodo. Ele vem de uma família que se ama muito, mas pouco se fala, não fala muito, não. Ele mandou, inclusive, aquela coluna para todos do grupo, virou uma revolução, diz ele aqui. Estamos tentando melhorar. No final das contas, diz ele, o resultado é que, apesar de saber que somos muito amados, ficam lacunas grandes em palavras, em atos de serviço. O amor real é o amor completo. No caso dele, ele faz um shutdown, dá um ghost e sai andando.

mas esfria com seus afetos em diversos tipos de relação, tentando dar a entender que não há nada de errado. E o outro é o Ricardo, que fala assim, eu deixei, apenas deixei de discutir hoje em dia, assumo todas as minhas falhas, e mesmo quando eu não falho, eu deixo a companheira dizer que estou falando só para não ter a discussão. E aí quando ela estiver com a cabeça fria, aí eu argumento alguma coisa ao meu favor,

outras coisas. E aí, Carol? Primeiro eu queria falar sobre o primeiro ouvinte. É muito gostoso saber o quanto as nossas colunas reverberam e fazem vocês repensarem e se transformarem. E realmente, quando ele fala da família, a infância sim molda a forma como a gente aprende a argumentar. Então muitas vezes é isso, você tem uma família que não fala dos sentimentos, ou tem uma família

que é muito bélica. É importante a gente reconhecer isso. Como a gente aprendeu a falar ou não falar dos incômodos? Tem sempre alguém que humilha, que grita, que finge que nada aconteceu, ou alguém que pede desculpas o tempo todo. Muitas vezes as mulheres entram nessa chave para não abandonar, ou até esse segundo ouvinte. Não, tudo bem, eu deixo lá falar que eu falhei.

Pode parecer uma elaboração, mas também é uma fuga. Não, tá bom, tá bom. Você tem razão. Você tem sempre razão. Se você sempre responde, você tem sempre razão, o outro também se sente invalidado. Porque você está se retirando dali. Tem algo de uma pedagogia do conflito que sim vem dessas primeiras formas que a gente aprendeu e observou, mas que a gente pode treinar outras linguagens.

com a pessoa que está aqui hoje, porque muitas vezes a gente entra com o corpo preparado para a guerra de ontem. Eu tenho uma grande amiga psicanalista que tinha um ex-namorado muito, muito bélico e foi uma relação super turbulenta. E a primeira discussão que ela teve com o novo namorado, ele falou para ela, com quem você tem isso que você está falando? Aqui está tudo bem.

está cancelando um almoço comigo no sábado para ir almoçar com uma amiga que está precisando. Mas ela já estava ali defendida e atacando porque foi como ela se relacionou por anos com uma pessoa que ela amava. Então acho que vale a gente prestar atenção se a gente está ecoando essas antigas formas de discutir e também entender o quanto não é só sobre o conteúdo, mas o quanto as

brigas e as discussões vêm também pela diferença na linguagem, diferença do ritmo e diferença na intensidade. E talvez a gente tenha que nomear isso para o outro, porque às vezes um quer falar na hora para aliviar a angústia e a outra pessoa precisa de um tempo para digerir. A gente tem que poder dizer isso para o outro. Olha, eu preciso de um tempo para digerir antes de simplesmente não atender ou ficar em silêncio. Ou a pessoa que quer falar, para mim isso está muito difícil.

Eu queria poder levar essa conversa até o final. Até para poder ouvir da amiga, do irmão, da namorada. Hoje não. Eu preciso de espaço. Depois, pensando nesse desencontro da intensidade, a gente poder entender o quanto esse excesso de preciso falar muito, quero cutucar até o final.

não está encobrindo uma ansiedade. E a gente tem que dar o tempo de novo para que algo se assente, para que a gente pense, para que a gente contemporize. E pensar muito no desencontro de linguagem. A gente falou recentemente como a linguagem bélica do mundo está se instaurando nas nossas relações. E a gente preste muita atenção. Voltando para a frase da minha tia, não é só o que você fala, é como você fala.

fala. A gente está usando linguagens agressivas para agredir o outro, para entender conflito como disputa de poder. E se a gente está querendo que alguém ganhe, todo mundo sai perdendo. Então, pensando em conflitos menos destrutivos, acho que sempre vale levar para a lógica da comunicação não violenta. Então, nomear o que a gente está sentindo,

sem transformar em acusação. Estou me sentindo despriorizada, estou com raiva, fiquei chateada, estou triste. Depois, poder ouvir o outro sem se justificar automaticamente. Escuta a queixa, não como acusação, mas como informação dos limites da pessoa, do sentimento da pessoa, que a gente possa pausar antes de abandonar.

vínculo, cada vez mais eu vejo essas coisas. Quer saber? Então vamos acabar. Parece aquelas crianças que falam, vai embora de casa, pai, vai embora de casa, mãe. Cada vez mais eu vejo as pessoas trazendo isso no consultório, sabe? Quantas vezes elas falam para companheiros e companheiras, então é melhor que a gente se separe. Então eu vou morar na casa da minha mãe de volta. Acho que então essa amizade não dá para continuar. Vamos fazer menos essas ameaças do tudo ou nada.

Isso é ambivalência. Talvez os dois estejam feridos. Os dois estejam certos e errados. E que a gente possa reparar. Eu sempre trago aqui... Às vezes é menos sobre estar certo e errado e mais sobre a capacidade de compreender o que chateou o outro, como o outro está se sentindo a partir de algo que talvez a gente tenha feito, como você disse no começo, sem nem perceber e que magoou o outro.

entender o que magoa o outro do que ter razão ou estar certo, né? Exatamente, Tati. Eu acho que a saída é exatamente essa da gente não eliminar o conflito, não achar que alguém está certo, mas poder ampliar a escuta, a capacidade de reparo, a simbolização e entender que somos todos ambíguos, ambivalentes e que os nossos sentimentos e limites não são medida do outro.

pessoa tá mais sensível, hoje ela tá mais sensível. Também não usa o passado dela como gabarito. Perfeito. Carol Tioqueta com a gente toda segunda-feira em Amores Possíveis. Carol, obrigada por hoje. Um beijão pra você. Boa semana pra gente. Um beijo. Beijo, Carol. Boa semana.

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