‘Obesidade é uma doença complexa e multifatorial’
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- Interdisciplinaridade no tratamentoMédicos endocrinologistas · Nutricionistas · Educadores físicos · Assistentes sociais · Psicólogos · Trabalho coordenado de especialistas
- Obesidade e SaúdeComplexidade clínica · Natureza multifatorial · Necessidade de abordagem integrada · Diferença de outras doenças simples
- Abordagem multidisciplinar do tratamentoAconselhamento nutricional · Saúde Mental · Mudança alimentar · Exercício Físico · Medicamentos e Tratamentos
- Serviços especializados do SUS para obesidadeOferta de atendimento público · Preparação de infraestrutura · Organização nas secretarias de saúde · Expansão para todo o país · Atendimento adequado
- Medicamentos GLP-1 e obesidadeAvanço farmacológico · Medicamentos mais eficazes · Indicação correta · Uso personalizado · Evitar generalização de uso
- Inadequação estrutural da infraestrutura de saúdeEquipamentos mal calibrados · Cadeiras inapropriadas para pacientes obesos · Macas frágeis e inadequadas · Consultórios não preparados · Medições incorretas de pressão arterial
- Obesidade no BrasilMais de 50% com sobrepeso ou obesidade · Cobertura do SUS em 75% da população · Impacto epidemiológico nacional
- Feira de Serviços para Pacientes com ObesidadeEvento no Rio de Janeiro · Instituto de Endocrologia e Diabetes · Conscientização da população · Chamada ao setor público
Saúde em Foco, com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, doutor. Doutor Luiz Fernando, que conversa conosco hoje, e você pode acompanhar, claro, por vídeo também, se estiver aí no YouTube, da Feira de Serviços para Pacientes com Obesidade. Que novidade o senhor traz e encontra nesse evento?
muito, inclusive, no nosso podcast na CBN, Além do Peso, um dos pontos é a necessidade do serviço público, ou seja, o SUS, oferecer serviços especializados no atendimento às pessoas com obesidade. Então, hoje está acontecendo essa feira de serviços aqui para a obesidade no Instituto de Endocrologia e Diabetes no Rio de Janeiro, para justamente ressaltar essa necessidade. Gente, a gente está falando e repete sempre, não é por pura e simples repetição. Obesidade é uma doença complexa, é multifaceted,
E para que a gente possa tratar a obesidade de forma adequada, a gente precisa de interdisciplinaridade, ou seja, a gente precisa de vários especialistas trabalhando juntos para que isso aconteça. Eu estou falando aí de médicos endocrinologistas, mas tem que ter nutricionista, idealmente tem que ter educador físico, tem que ter também um assistente social, psicólogos, porque esses pacientes, eles têm todas essas necessidades a serem atendidos.
Então, essa feira é uma chamada para a população, para entender essa necessidade, Milton.
e também uma chamada ao serviço público, aos setores, às organizações, os responsáveis pelas secretarias de saúde, para que se organizem, que tenham nos seus estados, não só nos serviços universitários, mas também em todo o local, para ele ter pelo menos um serviço em cada cidade capaz de atender esses pacientes com obesidade. Tem umas coisas que parecem triviais, mas quer saber de uma coisa? Um paciente com obesidade, por exemplo, vai no consultório do médico,
de pressão, aquele manguito, sabe aquela coisa que bota em volta do braço? O habitual, o que todo mundo tem, o que eu tenho na minha malinha, o que eu tenho no consultório, ele foi desenhado e programado por uma média da população brasileira. Agora, se eu tenho um paciente com obesidade, eu vou ter um braço muito mais largo. Então, aquele aparelho, quando eu colocar aquele aparelho teoricamente adequado para a população na média, num paciente com obesidade, existe uma chance muito grande da medição da pressão arterial
errada. E eu vou ter um diagnóstico de hipertensão, por exemplo, no paciente que não tem. Eu vou medicar inadequadamente. Por quê? Porque o aparelho não está capaz de medir a pressão real daquela pessoa. Então, você vê que a coisa é muito mais na base, é muito estrutural. Você chega num serviço de saúde, quantos serviços de saúde tem cadeiras na recepção adequadas a receber um paciente com obesidade extrema? Capaz de caber o paciente? Vamos falar isso bem claro. Ter uma maca, pelo menos
consultório dentro de uma clínica capaz de resistir ao peso de um paciente acima de 150 quilos, por exemplo. Então, esse déficit estrutural, essa interdisciplinaridade é fundamental para que a gente possa combater a obesidade. E vamos lembrar, a gente fala aqui sempre, o Brasil tem mais de 50% da sua população acima do custo sobrepeso com obesidade. Então, o serviço público que atende 75% do povo brasileiro tem que estar adequado à tendência pública.
Sem dúvida, tem que estar preparado para atender a esse público. E quando a gente pensa, doutor, nas abordagens em relação à obesidade, hoje nós temos boas notícias no sentido de que o arsenal está mais amplo em relação ao que pode ser utilizado, mas, ao mesmo tempo, a gente também precisa redobrar o cuidado, porque existe uma certa generalização de uma ideia de que determinados medicamentos poderiam ser utilizados
por todo mundo, o que não corresponde à realidade, né? Com certeza. Nenhum medicamento, né, Cássia, pode ser usado por todo mundo. Tem que ser usado por quem precisa. Mas é mais do que isso. A gente tem hoje em dia, ainda bem que a gente tem um avanço farmacológico de ter ferramentas e medicamentos mais eficazes, mas a gente tem que lembrar para a população sempre. É uma abordagem multidisciplinar. O médico vai utilizar e vai indicar corretamente um medicamento correto para aquele paciente. Mas o paciente, idealmente, tem que ter também
aconselhamento nutricional, tem que ter muitas vezes um aconselhamento psicoterápico para poder reverter essa condição. E vamos entender, ninguém vai curar a obesidade. Vamos acabar com essa história. A gente vai controlar a obesidade. O paciente tem que ter... A meta não é curar. É uma doença crônica, como diabetes, como pressão alta. O paciente vai ter que lidar com isso a vida inteira e para isso tem que principalmente mudar seus hábitos. É aí que está o segredo de você reverter doença crônica. Na mudança de hábito,
hábitos alimentares, hábitos de exercício físico. E aí você também, graças a Deus, hoje em dia já temos a opção terapêutica dos remédios. Mas volto a dizer, como qualquer remédio, é o remédio certo para o paciente certo na hora certa. Muito obrigado, doutor Luiz Fernando. Um bom dia para o senhor. Bom dia para você, Milton, Cassi, para todos os ouvintes. Um serviço aí para quem está no Rio de Janeiro. O IED fica aqui na rua Montcormo Filho, no centro da cidade. É super fácil, bem perto da Central do Brasil.
Muito obrigado, doutor Luiz Fernando Corrêa, conversando com você no Saúde em Foca.