Editora volta atrás na publicação de livro após indícios de uso de IA
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- Livro 'Shy Girl' e escândalo de IAPublicação cancelada · 70% gerado por IA · Autora nega uso de IA · Trama de terror com sequestro · Problemas de escrita e metáforas sem sentido · Recolhimento do livro
- Explosão de autopublicação de ficçãoCrescimento exponencial · 2,5 milhões para 3,5 milhões em um ano · Mercado de língua inglesa versus Brasil · Ficção comercial com uso de IA
- Ética, autoria e transparência com IASe livro bom importa origem · Mentalidade sobre autoria humana versus IA · Desonestidade e transparência · Futuro da propriedade intelectual · Mérito criativo com IA
- Limitações técnicas de detectores de IAFalsos positivos · Textos antigos identificados como IA · Precisão questionável dos programas · Discussão sobre confiabilidade
- Impacto nas grandes editoras e revisãoNecessidade de verificação de livros · Novo tipo de trabalho (fiscalizador de IA) · Estratégia de compra afetada · Sommelier de IA
A de Expediente. Com Dan Stubak, José Godoy e Luiz Gustavo Medina. Muito bom dia pra você, Dan Stubak. Muito bom dia, Milton. Bom dia, Cassia. Bom dia pra todos. Fly Me to the Moon foi lançado há 70 anos. 72 anos. Vamos ouvi-lo agora. Ah, taxista. Ah, alberista.
Aos arquitetos, engenheiros que constroem esse país, olha lá. Para todo mundo que está ouvindo e está se perguntando, ah, dama, você não falou o nome do cantor. Também não vou falar, que se você não sabe, não sou eu que vou dizer. Categoria obrigatória dos Frank Sinatra com Countdown.
Zé Godói.
gatos que adoram ver pés se movendo rapidamente. É verdade. Meus tornozelos que o digam. Sei como é. José, já que você está com a palavra e você que está com o pé de valsa por aí, conta pra nós essa história de um livro, de um romance que é um sucesso. Aliás, essa autora é um sucesso. Só que, peraí, é tudo inteligência artificial? É só parte inteligência artificial? Que parada é essa, meu amigo?
É Milton, acho que esse nome a gente vai guardar porque é o primeiro grande caso comercial envolvendo criação por IA na ficção, na ficção comercial. É Shy Girl, Garota Tímida. É um romance que foi publicado, o primeiro ele apareceu como autopublicação. Uma das grandes editoras do mundo se interessou. Isso foi lançado em autopublicação no comecinho do ano passado. Essa grande editora comprou os direitos, colocou no mercado, um grande mercado.
comercial, das grandes livrarias, na Inglaterra. Já estava programado para ser lançado por essa editora nos Estados Unidos agora, nesse semestre, quando aconteceu o escândalo. O fundador de um daqueles programas de detecção de IA foi fazer o teste no livro e descobriu que 70% dele tinham sido gerados por IA. Aí começou a bagunça, né? Todo mundo começou a verificar, o New York Times verificou, todas as outras plataformas verificaram, foram feitos os testes
provado isso. Acho que é uma história bem interessante porque, primeiro porque houve uma explosão assim, uma explosão, o número é absurdo de autopublicação, que é um mercado que no Brasil não é grande ainda, mas que o mercado de língua inglesa é gigantesco, explodiu o número. Só para vocês terem uma ideia, em 2024 foram publicados 2,5 milhões de livros autopublicados. O ano passado subiu para 3,5 milhões, ou seja, 1 milhão a mais de
autopublicados foram criados de um ano para o outro. Parte considerável desses livros, principalmente ficção comercial, estão sendo considerados criados por inteligência artificial. E as editoras simplesmente, as grandes editoras, editoras comerciais, as que realmente fazem o mercado, não sabem até agora como lidar com isso. Porque, normalmente, quando um livro explode em autopublicação, cria interesse nas grandes editoras, elas compram, colocam no mercado, só que agora vão ter que checar
tudo que está sendo comprado para não querer passar por esse mico. O livro vai ser recolhido na Inglaterra, onde ele já tinha sido lançado, e o contrato nos Estados Unidos foi cancelado. Ou seja, não vai circular mais. Mas olha só, se o livro é bom, tanto faz quem fez, não é? Essa é uma boa discussão. Essa é uma ótima discussão. Porque a pergunta que eu ia fazer é a seguinte, o livro é bom? Eu não conheço, tá? Eu não sei. As avaliações de leitor variam.
As avaliações estão acima da média, mas tem uma série de elementos que são muito fáceis de perceber que foram criados por IA. Não, Zé, mas, desculpa, se o cara mentiu que foi ele é uma coisa, daí tem que pegar o livro mesmo. Mas se ele não mentiu, não mentisse, e dissesse que é IA e o livro é bom, qual seria o problema de publicar e das pessoas comprarem e tudo mais? Acho que isso vai ser uma questão cada vez mais ética. Vai ter gente que vai querer comprar livro de autor,
verdade e fabricado. A autora, ela nega, né? A autora nega que tem utilizado a inteligência artificial pra escrever o livro. Ah, daí já é mentira, né? Mas eu digo assim, se o cara não nega e tem uma maneira de fazer com a IA também, né? De conduzir o prompt ali pra dar certo e pra ficar bom, não é? Tem um mérito. Ou não? A trama, eu acho que a trama funciona bem, tanto que acho que é um tipo de livro de trama, é um livro de terror, que a mulher é sequestrada, e sequestador
cria lá jogos com ela e tal. Mas a escrita tem uma série de problemas ainda, metáforas que não fazem sentido, frases estranhas que ficam sendo repetidas, uma série de adjetivos. Quero ouvir sua opinião profunda sobre o tema, Teto. Bom, basicamente sou contra, mas eu quero deixar registrado que falaram que a IA ia resolver problemas, mas ela está criando, porque a editora vai ter que contratar um monte de gente para checar se o livro é de verdade ou não. É um trabalho que não existia, né?
Que o revisor agora tem o fiscalizador de A, é isso? O sommelier de A. É isso. Cara, eu tomara que não, mas tudo me parece que propriedade intelectual será uma coisa do passado. Na China já é um pouco assim, né? Isso. É. Como assim? Bom, eu não vou estar aqui quando isso acontecer. Vai sim, Zé, daqui a pouco, cara. Zé, já aconteceu, Zé, você não se deu conta só.
meu livro ainda. Eu tô tranquilo quanto que eu escrevo, eu garanto que fui eu que escrevi, as partes boas e as partes ruins. Se os meus textos não tem lógica, a culpa é minha, né? A culpa é totalmente minha, usa errado em metáforas, tudo é meu. Metáforas sem sentido, frases redundantes, fui eu mesmo. Eu já fazia isso antes de inteligência artificial. Antes de ser modinha. Agora tem uma discussão também sobre esses mecanismos que são usados pra identificar se é inteligência artificial.
artificial. Também tem uma discussão sobre isso, se eles têm essa capacidade de identificar o volume. Porque no passado já se fez, no passado eu tô falando coisas assim de seis meses, tá? Porque o passado da inteligência artificial é logo ali. Se fez isso e depois se pegou textos de autores, se submeteu a alguns equipamentos como esse e eles disseram que era inteligência artificial ou tinha um volume grande. E não, eram textos originalmente criados de uma época em que nem havia inteligência artificial. Dando um falso positivo pra inteligência artificial.
tem toda essa discussão, é por isso que a gente passa. A coletiva do Roger Machado depois do jogo contra o Palmeiras, se não é inteligência artificial, aquilo é o que? Me digam. Aquilo ali é inteligência artificial. A gente está em todo lugar já. Um abraço pra vocês. Tchau. Até mais. Até.