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China e Rússia suspendem exportação de fertilizantes e Brasil corre o risco de desabastecimento futuramente

24 de março de 20269min
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Cassiano Ribeiro destaca que, com o corte da Selic bem abaixo do que era esperado e uma conjuntura ainda bastante complicada e imprevisível na macroeconomia, as expectativas do agronegócio brasileiro quanto a um Plano Safra maior e com melhores condições financeiras não estão se confirmando. Na prática, o custo do crédito rural continuará alto com essa Selic acima dos 14% ao ano e a próxima safra brasileira deve exigir um volume recorde de recursos para custeio. Saiba mais.

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Assuntos11
  • Suspensão de Exportações China e RússiaRússia suspend exportações de fertilizantes · China suspended exportações de fertilizantes · Priorização de abastecimento doméstico · Moment crítico de plantio em Rússia e China
  • Risco de Desabastecimento no BrasilPossível falta de fertilizantes para próxima safra · Sobrecarga na logística de importação · Produção nacional insuficiente · Indústria já considera o risco
  • Aumento de preços de fertilizantesPressão de oferta reduzida globalmente · Especulação de preços · Impacto na margem do produtor · Efeito no custo de produção
  • Conflito Irã-EUAConflito afetando Estreito de Hormuz · Oman e Irã suspendendo fornecimentos · Bloqueio de rotas comerciais · Incerteza geopolítica
  • Relação de Troca Desfavorável ProdutorAumento de sacas de soja por tonelada de fertilizante · Comparação com ano anterior · Diferenças entre soja e milho · Adiamento de compras pelo produtor
  • Impacto LogísticoCongestão nos portos brasileiros · Alto preço do diesel · Frete elevado afetando preço · Bloqueio no Estreito de Hormuz
  • Descolamento de Preços Chicago vs BrasilPreço internacional diferente do local · Impacto do frete na formação de preço · Deságio na exportação por logística · Falta de prêmio ao exportador
  • Crédito RuralTaxa Selic acima de 14% ao ano · Custo alto do crédito rural · Expectativa de Plano Safra reduzido · Necessidade de volume recorde para custeio
  • Inflação e Política MonetáriaAumento de custos de produção · Pressão inflacionária futura · Rentabilidade apertada para produtor · Repasse de custos ao consumidor final
  • Gás NaturalOman como produtor de gás natural · Processo de liquefação · Transformação em fertilizantes nitrogenados · Ureia como exemplo
  • Oportunidades AlternativasAumento de produção nacional de fertilizantes · Cooperação Brasil-Bolívia para gás natural · Viabilidade técnica e timeline · Redução de dependência internacional
Transcrição17 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Cassiano aqui com a gente, tudo bem, Cassiano? Tudo bem, Sérgio Demérico, tudo bem, Cassiano, boa tarde. Boa tarde, Cassiano. Na abertura do programa eu falava da... O assunto era a questão dos bancos centrais, que estão preocupados com a alta da inflação resultante da guerra lá no Oriente Médio. E lá pelas tantas a gente tinha a informação de que a Rússia, tanto a Rússia quanto a China, suspenderam as suas exportações de fertilizantes. São fertilizantes diferentes, mas enfim, China e Rússia

A China ontem e a Rússia hoje suspenderam as suas exportações de fertilizantes. O Brasil é freguês da China nessa questão de fertilizantes. Enfim, há um problema claro aí no abastecimento do setor do agro. Exatamente. Não sei se você lembra, semana passada a gente falou aqui de como a China poderia ajudar como uma alternativa no fornecimento de fertilizantes. Porque o Irã também é um grande fornecedor de fertilizantes.

de todos os países que são importantes em produção. Irã, Oman, Canadá, Rússia, China, são todos produtores de fertilizantes que vendem matérias-primas para o Brasil. O Brasil aqui mistura isso, ou tem uma produção nacional ali também, mas muito dependente do mercado internacional. E com a guerra no Oriente Médio, acontece que Oman e países ali do Oriente Médio que forneciam fertilizantes para o Brasil, suspenderam também,

de hormônio está fechado. E a alternativa, segundo os análises, seria a gente comprar mais da China. Agora, a coisa ficou muito mais complicada, porque a China e a Rússia, que são dois grandes produtores mundiais, restringiram as suas exportações para, claro, priorizar o abastecimento deles, porque eles estão agora lá num momento também decisivo de plantio. Então, isso o que faz? Faz o preço dos fertilizantes subirem. E o que está acontecendo no Brasil, além disso tudo,

é que o produtor brasileiro está adiando essa compra. Então, isso, de certa forma, é uma vantagem, porque o Brasil não precisa comprar fertilizante agora. A safra mesmo, principal, acontece no segundo semestre. Então, a sorte do Brasil é que o Brasil tem essa vantagem de poder esperar um pouco mais. O problema é que, com esse aumento do preço dos fertilizantes e a queda nos preços aqui internos, porque hoje está tendo um descolamento do preço do grão dos produtos brasileiros,

com o mercado internacional, porque a questão aqui dentro está muito complicada. Preço do diesel, logística complicada, portos aí também nessa situação de não saber o que vai acontecer com o estreito. Então está tendo um descolamento do preço. Então o preço da soja, por exemplo, no Brasil, ele está caindo quando os insumos estão subindo. E aí essa relação de troca de produto por fertilizante, que é muito comum no campo, o produtor usa sacas de soja para comprar tudo, até caminhonete,

compra ali em sacas de soja, é a moeda do produtor. Essa relação de troca está desfavorável hoje. Então tem até um dado de uma grande indústria de fertilizantes no Brasil que diz que neste ano, hoje, o produtor precisa comprar para uma tonelada de fertilizante 26 sacas de soja. No ano passado eram 24. Para o milho, que precisa de mais fertilizante ainda, aí a relação está mais desigual aqui, com maior diferença em relação ao ano passado. No ano passado eram 43 sacas,

61 sacas de milho para comprar uma tonelada de fertilizante. Ou seja, o produtor não está vendendo, não está travando esse custo e está jogando para frente. Qual que é o risco? Logística lá na frente, na hora que o produtor decide comprar ou não esse fertilizante, vai ter que chegar fertilizante de algum lugar em algum momento. Então, vai ter uma sobrecarga aí, de novo, na logística de trazer fertilizante. Pode ter um risco, tem um risco de desabastecimento. Hoje, a indústria já considera esse risco.

Estão falando aí que tem alternativa para trazer de outras fontes, tem a produção nacional também que está crescendo, mas ainda é muito pouca coisa. O fato é que tem esse risco de desabastecimento e tem um mercado hoje travado para produtor e para a indústria. Então está todo mundo aí esperando o que vai acontecer. O produtor esperando que o preço da soja, dos grãos subam e o preço dos fertilizantes, dos insumos caiam. Agora eu não entendi bem por que o preço da soja e do milho está em queda no Brasil.

muito em função também do que está acontecendo no Estreito de Hormuz. E aí você tem o preço do diesel alto, o preço do frete subindo, os portos aí também num momento muito importante de grande movimentação com atraso nesse fluxo internacional. Então hoje a questão logística, ela tira preço do produtor. Então o preço de Chicago, ele é balizado geralmente por dólar, o preço de Chicago e o frete. Hoje você tem o dólar,

Beleza ali, está sustentando o preço. O preço de Chicago também está alto, mas o frete tirando o preço do produtor. A logística é prejudicando. Então, normalmente você tem, em algumas épocas do ano, um bônus para o produtor exportar a soja naquele momento. Então, o exportador oferece um prêmio lá. Centavos de dólar por tonelada. Ou poucos dólares por tonelada.

Neste momento, a gente tem um deságio nesse prêmio. Você tem um desconto por causa da logística. Isso está fazendo o preço da soja ficar mais baixo do que o preço lá de Chicago. Então, não está favorável o produtor. Não está favorável mais ainda, Sardenberg Cássia, para o produtor dos Estados Unidos. Por quê? Porque nesta época é a época que o produtor americano está precisando plantar. Certo. Ele está precisando de fertilizante. Então, hoje, você tem essa situação em que as entidades,

dos Estados Unidos lá de produtores, já tem mais de 60 entidades pedindo para que o governo isente lá tarifas de fertilizantes que vão do Marrocos para os Estados Unidos, por exemplo. Então eles estão tentando também driblar esse problema logístico que está afetando todo mundo por causa do Estreito de Hormuz e toda essa guerra no Oriente Médio. E das tarifas do Trump também, lá do ano passado, ano passado, ano retrasado. E tudo isso num cenário de absoluta imprevisibilidade. Total imprevisibilidade, como disse bem o Sardamag no início,

Tem aí uma questão de custos subindo para quem está produzindo que de alguma maneira ou outra vai chegar para o consumidor. E a gente está falando de inflação. Está falando de muito possivelmente ter um aumento de custo, rentabilidade apertada e um problema de inflação lá na frente. Está certo ou não? Está tudo errado. Está preocupante. Está tenso. Está preocupante a situação. Enfim, a guerra está causando esses problemas todos.

os países ali por perto, né? Eu não sabia que o Oman era exportador de fertilizantes. De gás natural, né? O gás natural é essencial para a produção de fertilizantes, principalmente os fertilizantes nitrogenados. Então, ureia é um exemplo, o próprio... A ureia vem do Irã. É, a ureia é pronta, exatamente. Mas o gás natural, ele precisa, o Oman também é um produtor de gás natural que é uma matéria-prima para a produção de fertilizantes.

Então, a gente compra lá e tem uma questão logística de fazer esse produto chegar, ele tem um...

uma liquefação, e aí vem liquefeito pra cá, e aí aqui eles transformam esse gás natural em fertilizantes. E o Eman ficaria na pontinha do Estreito de Hormuz ali, até daria pra vir sair, né? O Eman também na pontinha do Estreito de Hormuz, e tem um litoral aqui que tá fora do Estreito, né? Quem sabe eles pudessem escapar por ali, né? E tem agora a história, que a gente até falou semana passada aqui, da Bolívia, né? Tem uma cooperação de Brasil-Bolívia, semana passada teve um evento,

aqui em São Paulo, com representantes do governo boliviano, e a possibilidade de aumentar essa cooperação, porque Bolívia pode fornecer gás natural para o Brasil. Mas aí é por uma questão de quanto tempo, essa é a dúvida, quanto tempo isso vai acontecer entre se viabilizar isso de fato. Cassiano Ribeiro, obrigado, Cassiano. Até a semana. Até a semana, Cassiano Invec. Até mais.