Exposição 'Um Certo Mundo Caipira' une arte, móveis e gastronomia para resgatar tradições do interior
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Exposição 'Um Certo Mundo Caipira'tradições do interior · arte contemporânea · gastronomia caipira
- Influências da modernidade no mundo caipiramigração de mão de obra · globalização · mudanças culturais
- Ressurgimento de tradiçõesresgate de alimentos tradicionais · valorização de práticas locais
CDN Gastronomia, com Luísa Fecarota. Acontece em São Paulo. Apoio Prefeitura de São Paulo. Luísa, bom dia, tudo bem? Agora sim, a Luísa Fecarota vai nos ouvir e a gente vai também ouvi-la. Luísa, tudo bem? Oi, Gui, oi, Nadédia, tudo bem? Tudo bem, bom dia. Hoje a gente vai ter um papo aqui sobre o mundo caipira, gastronomia, todas as simbologias e sobre isso tem também um convidado especial.
honras da casa, Lu? Olha, a gente vai conversar com o João Ferraz hoje. João Ferraz é um historiador muito ligado ao mundo da arte. Ele é filho de um marceneiro, posso dizer assim? João Ferraz, você está aí já? Estou, estou arquiteto, acho. Bom dia, arquiteto. De um arquiteto que também tem a Marcenaria Baraúna, que eu acho que é um lugar super importante dos nossos móveis aqui no Brasil.
E também é um super afeito à cozinha, né, João? Acho que você já viajou o mundo inteiro, recebe na sua casa os chefes do mundo inteiro também para cozinhar. Enfim, fiquei muito interessada com essa exposição que a Barauna abriu agora, Um Certo Mundo Caipira, e queria te ouvir um pouco, né? Você é curador de arte também. Então, assim, de onde surgiu essa ideia de falar sobre esse mundo caipira tão rejeitado hoje, né?
Em primeiro lugar, a ideia do mundo caipira tem muito a ver com a própria Paraúna, uma vez que dois dos seus fundadores, dos três fundadores, são de uma região caipira, do sul de Minas, da Serra da Mantiqueira. Então, não por nostalgia, mas porque a convivência com esse espaço, com o modo de vida desse espaço, e com o contato que eles tiveram ao longo do tempo no trabalho com a Alina Bobardi, que tinha um olhar muito afiado para o Brasil como uma estrangeira,
no Brasil, isso formou um jeito de olhar para as coisas do Brasil, não como uma maneira de ver folclore, de ver uma coisa interessante, mas sim como uma maneira de encontrar ali soluções que pudessem ser traduzidas para a contemporaneidade. Então, eu acho que a Barana nasce um pouco dessa situação, desse olhar enriquecido pelo contato com a Lina, e isso marcou, então desde sempre a Barana foi buscar inspirações na maneira de se sentar, na maneira de viver
viver e isso foi uma influência forte na formação da machinaria. João, e como é isso? Vai lá, Lu, vai lá. Não, queria entender como que isso se liga à comida, né? E depois pra você contar um pouquinho da exposição em si. Então, eu acho que se liga e não se liga. Acho que no primeiro lugar, enfim, claro que eu esqueci de falar que isso foi filtrado por um olhar da estrutura moderna e contemporânea. A gente não faz móveis imitando móveis caipira, que são bem diferentes.
Seria estranho para alguém que viesse até aqui olhar e falar, mas o que tem a ver com caipira? Enfim, tem essa leitura e essa influência por trás. Eu acho que o que mais interessa aqui para a gente é esse mesmo olhar sem nostalgia que a gente tem na hora de ver os móveis e de procurar soluções que podem enriquecer o móvel contemporâneo nas soluções caipiras. Acho que a gente pode falar de um processo que eu já venho estudando, a gente já conversou sobre isso em um outro contexto,
de que o mundo caipira é um dos mundos do interior do Brasil que está morrendo, ele está se desfazendo aos poucos com a exportação do modo de consumo da cidade grande e da globalização e através um pouco das redes sociais também para esses interiores. Primeiro a gente tem um processo nos anos 60 e 70 de migração de parte dessa mão de obra caipira para a cidade, de marginalização dela, de uma parte grande dela nas periferias da grande cidade.
Depois, agora, a gente tem um segundo processo que é muito forte e muito intenso, que é através das mídias, dos padrões de consumo, das redes sociais, das propagandas, dessa maneira de se alimentar, de cozinhar, de fazer, de viver, ser exportada para esse interior. E isso acaba suplantando um tipo de cultura que era anterior que existia lá.
que eu sou no mundo caipira, quando vê, vai no Lobozoi, vê os pratos de comida caipira desse restaurante que é dedicado à comida caipira da paulistana, da grande paulistana, que é São Paulo, Minas, Goiás, enfim, Paraná, olha e fala, ah, minha avó cozinhava isso, meu avô cozinhava isso, mas isso deixou de acontecer nas nossas mesas. Então, acho que tem um paralelo aí simbólico bonito, que é essa coisa de que existia, deixou de existir, porque a cidade, a vida da cidade grande,
consumir na cidade grande, acabou suplantando isso. E com isso se perdeu o refeituário, se perdeu maneiras de cozinhar, se perdeu maneiras de plantar, maneiras de consumir. Tem um exemplo até muito simbólico, que é o do porco caruncho, que agora está sendo resgatado por alguns artesãos de produtos, como o Rafael da Bucãe, o Joãozinho Laura do Queijo Regéria Santos Antônio, mas que é um porco que estava em extinção, não porque o ecossistema dele estivesse sendo degradado, mas que a indústria
A indústria não interessava, porque não crescia suficientemente para produzir commodities. Claro, inclusive a indústria faz com que essas raças caipiras e crioulas se desapareçam, né? Então é um trabalho belíssimo do Rafa Bocaina, a gente já falou dele várias vezes aqui. Então, olha, temos o mundo caipira. Um certo mundo caipira está lá na rua Harmonia número 101, certo? Exatamente. Isso, na Marcenaria Baraúna.
na sexta das dez às seis da tarde. Maravilha, ótima dica. João Ferraz, obrigado pela sua participação, parabéns aí pelo seu trabalho, pela exposição e obrigado também, Lu. Um beijo pra vocês, até. Um beijo.