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O brasileiro está trabalhando mais para pagar juros?

25 de março de 20269min
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O custo do crédito está pesando cada vez mais no bolso do brasileiro. Dados recentes do Banco Central mostram que 30% da renda das famílias está sendo destinada apenas para pagar dívidas e, desse total, mais de 10% vão só para pagamento de juros, o maior nível em pelo menos 20 anos. Ouça a análise de Ana Leoni e Nathália Bertão.

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Participantes neste episódio2
N

Natália Larghi

HostJornalista
M

Maria Cristina Fernandes

ConvidadoEspecialista
Assuntos1
  • Custo do crédito no BrasilTaxa Selic elevada · Endividamento das famílias · Impacto no consumo · Feirão Limpa Nome
Transcrição24 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Chegou a hora de deixar os carros da idade da pedra pra trás. O BYD Dolphin Mini foi o elétrico mais vendido no varejo por dois meses consecutivos. Pela primeira vez, um carro 100% elétrico lidera essa posição no Brasil. E chegou a sua vez de ter um carro mais econômico que moto. BYD Dolphin Mini, a partir de R$ 109.990,00 pra CNPJ. Fala até uma concessionária BYD e faça um test drive. Consulte condições em byd.com.br. No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.

Pode isso, meninas. Na CBN, com Ana Leone, Nayara Bertão e Natália Largue.

Natália, Ana, boa tarde. Olá, pessoal, boa tarde. Ai, meu Deus, meu dinheiro não dá mais pra nada, minha gente. Será que estou pagando esses juros exorbitantes que o Brasil anda praticando? Tamo ou não tamo, Natália?

Tati, infelizmente a resposta é sim. O custo de crédito está pesando cada vez mais no bolso do brasileiro. E isso vem de dados recentes do Banco Central, que eles mostram que 30% da renda das famílias está sendo destinada apenas para pagar dívida. E desse total, mais de 10% vão só para o pagamento de juros. É o maior nível em pelo menos 20 anos.

Então, o que isso quer dizer? Que uma fatia relevante da renda não está nem reduzindo aquela dívida, só pagando os custos de ter contraído aquela dívida, aquele empréstimo, aquele financiamento. Esse movimento é um reflexo dessa estratégia recente que o Banco Central fez para conter a inflação.

que resultou numa taxa Selic elevada por um tempo bem prolongado. Então, na prática, isso encareceu todas as linhas de crédito, porque quando a Selic está elevada, a gente sabe que acaba puxando junto, por exemplo, o cartão de crédito, o cheque especial, financiamentos, empréstimos de um modo geral. Então, mesmo que o endividamento não tenha crescido nessa mesma proporção, as pessoas não estão mais endividadas, o que acontece é que o custo da dívida aumentou. Então, as famílias estão pagando mais.

sem necessariamente estar devendo mais. E isso ajuda a explicar por que sobra menos dinheiro disponível no nosso bolso no fim do mês. E aí o impacto é direto. A gente diminui o consumo, a gente diminui também a capacidade que a gente tem de juntar dinheiro, de investir, de fazer a reserva financeira, como a gente sempre fala, porque esse cenário, claro, tem pressionado o orçamento das famílias. No fim das contas, sobra menos dinheiro.

Ainda que o Copom tenha reduzido a taxa Selic na semana passada, para quem não se lembra, a Selic caiu 0,25 ponto percentual e foi para 14,75% ao ano, ainda assim é um juro muito alto. Então, além do efeito da redução, nunca tem o mesmo efeito da elevação. Então, o que acontece? Na redução da Selic, ela demora um pouco mais para que isso tenha um impacto, no fim das contas, no bolso das pessoas, porque ela é uma referência.

A taxa que o cliente paga na ponta, ou seja, quando ele contrai um empréstimo, um financiamento, depende também de outros fatores. Depende, por exemplo, de impostos, do risco de inadimplência, que a gente sabe que quanto mais alto é o risco de inadimplência, mais o banco, a instituição financeira, pode cobrar por aquela dívida para acabar arcando com os eventuais calotes que ele vai tomar.

Fora, sim, custos operacionais das empresas, das instituições financeiras, dos bancos e tudo mais, e a margem de lucro também que eles têm que ter. Então, numa subida da Selic, é mais fácil você repassar o valor, mas numa queda você precisa balizar, você enquanto banco, digamos assim, você precisa balizar todos esses outros itens para fazer com que, efetivamente, os juros sejam menores ali na ponta que está sendo cobrada do consumidor.

Ana, como é que... Bom, o cenário é péssimo, né? Pelo que a gente está vendo. Como a gente se defende? Como a gente se protege desse impacto? Esse ponto último aí que a Nath falou é interessante da gente observar, porque quando tem uma redução da taxa de referência, que é essa ali, a gente espera que imediatamente as pessoas se sintam no bolso, mas não é bem assim. E aí, para proteger, é a gente ficar realmente mais diligente na forma como a gente se endivida.

Porque esse dado que a gente está trazendo hoje aqui, ele traz um alerta que é bastante importante, porque a gente está falando que o problema não é só estar endividado, mas é o custo dessa dívida, porque uma dívida, ela não necessariamente é sempre ruim, ela pode ser uma forma de acelerar a construção de um patrimônio.

Mas muitas vezes esse juro elevado faz com que a gente não consiga nem acelerar a construção de patrimônio e a gente acaba se endividando. Então quando o juros consome uma parte maior da renda, como foi dito, a gente fica mais apertado e perde a flexibilidade de manobra dentro do que a gente precisa organizar nas finanças.

E tem um comportamento que pesa bastante, e quando a gente aprende sobre ele, a gente talvez se proteja um pouco, é que muita gente toma uma decisão de financiamento só olhando para o valor da parcela, sem considerar o custo total da dívida. Tem vários memes até nas redes sociais falando assim, gente, não me fala o preço cheio, por favor.

e fala só a parcela, porque a parcela eu consigo pagar, o valor cheio não. E é uma forma irônica de dizer que às vezes é assim que as pessoas de fato olham para a sua decisão de assumir um crédito, uma dívida. Lembrando que uma parcela, você comprar alguma coisa e parcelar no cartão de crédito é uma dívida que você vai pagar, mas não deixa de ser uma dívida.

Então, num cenário desse que a gente está de juros altos, isso dá uma sensação de controle, porque a gente consegue colocar a parcela dentro do nosso bolso, mas o valor total dessa dívida acaba crescendo bastante. Outra coisa também é que a gente toma uma decisão de endividamento tomando em consideração o contexto atual. Então, o que significa isso? A renda que a gente tem, o que a gente quer...

para a nossa capacidade de honrar aquele compromisso. Só que existem dívidas que duram anos. Se a gente olhar para um financiamento do imóvel, por exemplo, isso pode demorar até 30 anos. Então, você tomou a decisão, tomou o crédito em um momento em que você tinha determinada renda.

determinado comprometimento da sua renda, mas isso vai se prolongar por muitos anos e muita coisa pode acontecer nesse tempo todo. Então, por isso que o primeiro passo é sempre priorizar quitar essas dívidas mais caras para conseguir estancar o problema, que são as dívidas de cartão de crédito, cheque especial, antes de começar a assumir outros compromissos, porque a gente sempre consegue dar um jeito na organização e fazer com que a gente ajuste ou minimize esses efeitos.

até o crédito, para muita gente, acaba sendo uma extensão da renda e aí esse efeito vai se multiplicando.

Então, até tem aí um dado de que 80% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida, segundo a Confederação Nacional de Comércios e Bens, Serviços e Turismo. E também vale lembrar, Tati, que existem caminhos para reverter quem está numa situação muito complicada, que é isso aí, tem gente que compromete uma parcela tão grande da renda que não tem nenhuma flexibilidade.

Então, essa semana, para quem está afim de organizar um pouco isso, renegociar, ou fazer a portabilidade do seu crédito, ou seja, levar sua dívida para outra instituição com condições melhores, está tendo um feirão do Serasa, que é o feirão famoso deles lá, Limpa Nome, que é uma boa oportunidade para quem quer renegociar e organizar a vida financeira.

E o feirão, ele acontece de forma online em todo o Brasil e em São Paulo, que está acontecendo também de forma presencial até o dia 1º de abril, vai ser lá no novo Anhangabaú, no centro aqui de São Paulo. Inclusive amanhã e segunda-feira, na parte da tarde, vão ter planejadores financeiros certificados com a certificação CFP.

à disposição para tirar dúvidas e ajudar as pessoas numa espécie de clínica financeira, sabe? Para dar os primeiros passos. Porque também não adianta você só reorganizar se você também não tiver uma estratégia para não cair na dívida novamente. Então, essa é uma boa oportunidade para quem está querendo se organizar de vez aí. Muito bem. Natália, Ana, obrigada por hoje. Um beijo para cada uma. Até a semana que vem.

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