Episódios de Comentaristas

Você sabe o que significa ‘grado’?

25 de março de 202610min
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O ouvinte Hugo quer saber sobre a expressão ‘de bom grado’. Qual a raíz da palavra ‘grado’? O Professor Pasquale explica. Ouça o comentário.

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Participantes neste episódio2
P

Professor Pasquale Caminha

HostProfessor
M

Maria Cristina Fernandes

Co-hostEspecialista
Assuntos1
  • Significado de 'grado'Expressão 'de bom grado' · Raiz da palavra 'grado' · Uso da palavra 'grado' · Relação com gratidão
Transcrição29 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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A nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale. Oi professor, boa tarde. Tati, Solita, boa tarde, boa tarde ouvintes.

O Daniel está terrível hoje, professor. Terrível. Excepcionalmente hoje. Ele não para, cara. Ele está doido hoje. Mas vamos lá. Para de me desconcentrar, cara. Vamos embora. A dúvida hoje, na nossa língua de todo dia, é, segundo o próprio Hugo Limarque, que é revisor de textos da cidade do Rio, diz que a dúvida é curta e grossa. Na expressão de bom grado, de onde vem esse grado, hein, professor?

Porque a gente não costuma usar a palavra sozinha, mas quem sabe a raiz dela não esteja presente em outras circunstâncias. Gesaque Hugo. E está presentíssima, super presente, mais do que presente. De fato, hoje a gente não usa grado como palavra sozinha quando se trata...

do sentido que ela tem na expressão de bom grado. Ela tem também um uso solitário, grado, que é da geometria e por aí vai. Mas o sentido que ela tem na expressão de bom grado...

Sozinha a palavra praticamente não aparece. E diz aqui o nosso glorioso Wais que sozinha essa palavra significa vontade, desejo. E é do português antigo. Ou seja, realmente...

não tem uso hoje com esse sentido, embora na expressão de bom grado o sentido seja exatamente esse. Eu faço de bom grado, eu faço de boa vontade, eu faço sem que isso me cause desgosto, sem que isso me cause desprazer, sem que isso me cause nada desse...

Desse tipo de sentimento, não é? Bom, eu tenho auxílios para a gente ver o uso disso. Uma canção...

interessante, chamada Coco Partido, composta por Franco Arlindo Cruz, o grande Arlindo Cruz, e por Assir Mendes, uma canção que está no disco Fogo da Vida, de 85, disco da queridíssima Alcione. Vamos ver como aparece isso na letra dessa canção. Vamos lá.

Dá o doce de coco que Yaya mandou, Yaya mandou, Yaya. Já cansei de pedir, mas Yaya não quer dar, Não quer dar, não quer dar, não quer dar, Yaya. Dá o doce de coco que Yaya mandou, Yaya mandou, Yaya. Já cansei de pedir, mas Yaya não quer dar, Fui no doce de coco que Yaya mandou, Yaya mandou, E aí Já cansei de pedir Maior e ou não é? Foi?

É mole ou não? Subiu, pegou o coco, abriu o coco, deu água pra quem tava lá, ralou o coco de bom grado, bem ralado, né?

Ralei coco de bom grado, de boa vontade, né? Ralei com toda a vontade do mundo, com todo o prazer do mundo, com toda a alegria do mundo e por aí vai. Quer ver mais um? Vamos ouvir. Verônica Ferriani, que vai cantar pra gente uma canção chamada De Salto Agulha. Salto Agulha, Tati, é aquilo mesmo que a gente está imaginando, é o salto mesmo. De Salto Agulha.

Composição de Mauro Aguiar e Chico Saraiva. Está no disco Sobre Palavras de 2009. Vamos ver como aparece a expressão aí. De salto a agulha, ela me tritura. A cada passo em falso dela, eu subo num cada falso. O tablado ali é...

Aos pés daquela que pisa leve na área da minha coronária, morro de bom grácio.

Descarpina casqueira, ela é maneira. Vou a salta refinica ao som do samba. E como anda a vela abrindo janelas nos olhares dos meus pares. Pantera dos safares, só na tela.

Você viu que ela portuguesou aí o famoso escarpão. Ela diz de escarpim. Eu achei muito legal. Muito legal. Mas ela diz, a letra diz antes, e ali acorrentado ao pés daquela que pisa leve na área da minha coronária, olha só, morro de bom grado.

Morro sem reclamar, esse é o sentido, morro sem objeção.

morro voluntariamente, de boa vontade, e por aí vai. Bom, agora para o terceiro item lá do nosso ouvinte, para o último item do que diz o nosso ouvinte, quem sabe a raiz dela não esteja presente em outras circunstâncias, e eu disse sim, está presentíssima. Vamos ouvir Paulinho da Viola, a composição dele.

E hoje, quando eu ouvi a abertura do programa, eu vi que você ia conversar com o Álvaro. E já conversou, né? Foi muito legal a conversa, inclusive.

Foi muito legal a conversa sobre gratidão. Exatamente. Então, tem a ver. Vamos ouvir Paulinho da Viola, uma canção dele que se chama Guardei Minha Viola. Está num disco antológico dele, de 72, A Dança da Solidão. Vamos lá. Minha Viola vai pro fundo do baú Minha Viola vai pro fundo do baú

Não haverá mais ilusão. Quero esquecer, ela não deixa. Alguém que só me fez ingratidão. Minha viola, minha viola vai pro fundo do baú. Não haverá mais ilusão. Quero esquecer, ela não deixa. Alguém que só me fez ingratidão.

Alguém que só me fez ingratidão. Está na moda hoje as pessoas responderem.

Há uma mensagem com aquela palavra gratidão, né? Você já viu isso, né, Tati? Gratidão. As pessoas não dizem mais obrigado e tal. Gratidão. Gratidão, ingratidão, que é o contrário. Isso é da mesma família dessa palavra grado, que vem do latim gratus, né?

que se refere a pessoas e a coisas, como está na origem do termo, e a família é imensa, imensa. Agradecer.

O nosso agradecimento vem de gratidão, de estar grato. E por aí vai. Então, essa palavra ingratidão, que está na letra do Paulinho, assim como gratidão e tantas outras, tudo isso é da mesma raiz latina da qual vem a palavra grado, que se usa na expressão de bom grado, e também se usa na expressão de mau grado.

e esse Mau, Mau

Com o, eu fiz de mal grado, fiz contra a vontade, fiz aborrecido. E cuidado, porque existe uma palavra que é mal grado, é uma palavra só, tudo junto, e se usa, é, se usa sobretudo como preposição, mal grado você tivesse me advertido, eu burro fiz, o que não devia ter feito.

No sentido de apesar de, não obstante, por aí vai. É isso, Tati, o relógio bateu aqui e vamos lá. Muito bem. Beijo para você. Obrigada, professor. Um beijão. Gratidão. Até amanhã. Beijo, beijo. Beijo. Quem agradece com gratidão em geral diz que não é obrigada a nada. Então, agradece com gratidão.

Já cansei de pedir, mas eu não quero dar. Não é quindim que eu quero pra mim, nem bombocado também. Não é pudim, nem bolo de aipim que vai me fazer bem. Não é cocadinha, nem é queijadinha. Não é glacê, nem bombom, nem pavê. Eu só quero doce de coco que eu ajudei a fazer.

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