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Companhias de Petróleo deixam de lado discurso sobre transição energética e vão continuar explorando petróleo

26 de março de 20265min
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Rosana Jatobá comenta um estudo realizado pela Clean Creatives que mostra uma mudança importante no discurso das grandes petroleiras. A comentarista diz que as empresas 'perderam a vergonha' de dizer que vão continuar explorando petróleo até a última gota.

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Participantes neste episódio1
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Rosana Jatobá

HostJornalista
Assuntos1
  • Mudança de discurso das petroleirasEstudo da Clean Creatives · Exploração de petróleo · Transição energética · Segurança energética · Crise do clima
Transcrição14 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Rosana. Oi, Sardenberg. Boa tarde pra você, pra casa e pros nossos ouvintes. Boa tarde, Rosana.

Até um certo tempo atrás, as grandes companhias de petróleo começaram, inclusive, a mudar o nome. Companhias que chamavam, por exemplo, companhia petrolífera, não sei o que, mudaram para companhia de energia e tal. Não estou querendo citar nomes em particular. Mas, de uns tempos para cá, o pessoal está mudando de ideia. Está chegando à conclusão de que o que vai fazer mesmo é explorar petróleo. Inclusive, a Petrobras.

Isso, e estão falando isso sem a menor vergonha, sem o menor constrangimento, dizendo que vão explorar, sim, o petróleo até a última gota. Isso faz parte de um estudo da organização Clean Creatives, que examinou quase 2 mil peças de publicidade e comunicação do setor de petróleo e gás.

desde vídeos do YouTube, posts nas redes sociais, comerciais de TV e discursos de executivos. Esse estudo concluiu que houve uma mudança radical no discurso, principalmente nas empresas petroleiras dos Estados Unidos e do Reino Unido. Até pouco tempo, como você falou, Sardenberg, essas empresas diziam que estavam se reinventando, fazendo uma transição...

para se tornarem empresas de energia limpa. Falava em neutralidade de carbono, investimentos em fontes renováveis, ou seja, passava a ideia de que tinha um foco na solução para a crise do clima. Agora o discurso defende abertamente a permanência dos combustíveis fósseis, dizendo assim, olha, não adianta essa pressa toda para reduzir carbono, porque o planeta ainda depende de petróleo e gás, e vai depender por pelo menos mais duas, três décadas, inclusive elas têm usado...

o argumento da segurança energética, do tipo, vejam que depois da guerra da Ucrânia, o mundo recorreu aos fósseis e agora, no conflito do Oriente Médio, ficou claro que, sem as petroleiras, a economia entra em colapso. Ou seja, o recado é o seguinte, parem de demonizar o petróleo, gás e carvão, porque eles são fundamentais, não só para mover a economia.

mas para garantir estabilidade em tempos de crise. Imaginem vocês dois, Sardenberg e Cássia, a polêmica que isso está causando entre os ambientalistas, que estão acusando as empresas petrolíferas de traição, de que elas prometeram a transição para a economia de baixo carbono quando era conveniente, mas agora que elas estão lucrando como nunca com o preço do petróleo nas alturas.

eles estão defendendo a permanência dos fósseis sem o menor pudor, sem o menor constrangimento. E o discurso de algumas companhias, como o discurso, por exemplo, da Petrobras aqui, é que o dinheiro do petróleo financia a transição.

Exatamente, usando para financiar, para fazer essa transição e aí assumindo de fato mesmo que vão continuar investindo pesado em energia fóssil. Agora, Rosana, essa mudança no discurso, ela acaba tendo algum efeito prático na luta contra a crise do clima?

Essa pergunta é importante, né, Cássia? Porque, assim, no fundo, com discurso ou sem discurso, essas empresas continuam explorando o petróleo, o gás e o carvão. Agora, tem sim um efeito prático, porque quando uma empresa tenta convencer o mundo de que continuar dependente do fóssil é algo normal e até desejável, isso ajuda a criar uma sensação de que a transição energética pode esperar. E não pode.

Não pode porque a ciência continue dizendo a mesma coisa. Quanto mais o mundo adia a redução dos combustíveis fósseis, maior será o custo climático, também econômico e social de toda essa demora. Então, qual é o grande risco aqui apontado pelos ativistas dessa mudança de narrativa das petroleiras? Uma reconfiguração no fluxo do capital.

Porque se está todo mundo convencido de que não dá para viver sem os fósseis, você acaba incentivando mais e mais o petróleo e o gás e esfriando os investimentos em fontes renováveis.

em eletrificação e soluções de baixo carbono. Então, por trás dessa espécie de sincericídio corporativo, deles assumirem essa narrativa, tem um movimento perigoso na visão dos ativistas para aliviar toda a pressão política, regulatória e social que ainda existe em cima das petroleiras. É bom a gente ficar de olho e esse estudo deixa bem claro isso através da análise dessas peças de publicidade e comunicação. Achei bem interessante. Está certo.

E aqui no Brasil nós estamos nessa questão da exploração do petróleo da margem equatorial. Isso, da expansão do petróleo naquela região que é muito sensível, é um ecossistema delicado, tem muitas implicações. Tá certo. Rosana Jatobal, obrigado, Rosana. Até semana. Um beijo para vocês dois e espero todo mundo no domingo. Até mais, Rosana. Até mais.