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Mosquitos que transmitem a malária estão desenvolvendo resistência genética a inseticidas

27 de março de 20265min
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Luis Fernando Correia traz detalhes de uma pesquisa sobre o DNA de mais de mil mosquitos da espécie Anopheles darlingi, que é o principal vetor da malária na América do Sul. O estudo mostra que existem populações geneticamente diferentes e principalmente isoladas por regiões. Essa evolução genética está ligada à resistência a inseticidas. Saiba mais

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Participantes neste episódio1
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Luiz Fernando Correia

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  • Evolução genética de mosquitos Anopheles darlingiAnopheles darlingi · Malária na América do Sul · Evolução genética dos mosquitos · Subnotificação de casos · Populações indígenas e garimpo
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Saúde em Foco. Com Luiz Fernando Correia. Oferecimento. Você luta pela sua saúde. A gente também. Alice. Plano de saúde como deve ser. Muito bom dia, doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, doutor. Que novidades ou que informações o senhor nos traz sobre a malária?

Milton, uma das poucas coisas que a gente pode ter certeza nesse mundo é que a natureza evolui sempre. E a gente está no meio dessa história por quê? Porque malária é uma coisa que a gente não fala muito no Brasil, não dá a primeira página de jornal, não é uma coisa assim, todo mundo conversa, principalmente nas áreas urbanas, mas é uma doença muito importante e agora a ciência mostra uma coisa.

Esperada, não é inesperada. O mosquito que transmite a malária também está evoluindo. A gente evoluiu bastante no tratamento, estamos caminhando para uma vacina eficaz, porém, por enquanto, nós temos um mosquito transmitindo a malária e ele está evoluindo. A pesquisa foi publicada na revista Science e estudou o DNA de mais de mil mosquitos da espécie Anopheles darling, que é o principal vetor da malária na América do Sul.

E a descoberta foi o seguinte, Milton. Apesar de ser uma espécie de mosquito conhecida, não existe um mosquito só.

Ou seja, existem populações geneticamente diferentes e principalmente isoladas por regiões desse mosquito. Na região amazônica, bacias fluviais, áreas costeiras, os mosquitos são geneticamente diferentes. E qual é a consequência disso? A estratégia de controle que se estabelece por uma região pode funcionar nesse lugar e pode fracassar completamente no outro.

Então, principalmente porque essa evolução genética, ela está ligada à resistência a inseticidas. A natureza é assim. Se a gente tentar acabar com aquele mosquito, ele dá um jeito de sobreviver. Então, ele aprende a resistir aos inseticidas. Então, é isso. E o Brasil, gente, a gente não pode esquecer. Dados de 2023, são mais de 140 mil casos de malária. 63 mortes registradas. A gente sabe que esses números são subnotificações. Tem uma subnotificação importante.

Estamos melhorando, mas em 25 tinha acontecido uma queda de 26% dos casos no primeiro trimestre, mas não quer dizer que a gente está controlando. Mais de 99% dos casos acontecem na Amazônia, daí por conta disso a subnotificação acontece, é natural, porque são áreas muito isoladas, acontece com alta incidência em populações indígenas, áreas de garimpo, áreas rurais, e aí também é outro problema que ajuda a complicar esse quadro todo, porque...

Se nós estamos falando de população indígena, garimpo, área rural, existe uma grande mobilidade de população dentro desse espaço. No caso das populações indígenas, mobilização é natural. No caso do garimpo e áreas rurais, muitas vezes, ilegal, com invasão. Então, isso espalha a doença num ambiente ideal para eles. Ou seja...

As Américas, a Organização Polo-Americana de Saúde reforça, alerta, mais de 500 mil casos de malária nas Américas em 2023, 92% na América do Sul e 80% dos casos Brasil, Venezuela e Colômbia, ou seja, na região ali norte, principalmente na floresta amazônica. Então, eu desculpe. Desculpe, eu fiquei preocupada que fui pesquisar. A gente não tem vacina no Brasil para malária, né?

Não, nós estamos participando de pesquisas internacionais, Cássia, para buscar uma vacina eficaz. Não existe uma vacina completamente eficaz para ser usada de maneira populacional ainda. Então, a gente tem sim uma doença importante, uma região do Brasil com alta carga dessa doença. É tão presente a malária que o próprio Amazônida, ele muitas vezes nem se toca, isso faz parte da vida dele.

Só que isso leva à morte, principalmente de crianças. Então, você tem esse cenário perfeito. Essa pesquisa mostra que, por mais que se faça esforço, monitorar um mosquito é importante, tentar tratar um mosquito é importante. Mas o que a gente precisa, gente, é entender como é que essas populações se deslocam, o que a gente pode fazer para educar essas populações, para tentar diminuir o impacto dessa doença.

Muito obrigado, doutor Luiz Fernando, e um bom dia. Bom dia para você, Milton, Castro e todos os ouvintes. Aproveitem o final de semana. Bom dia, doutor.