Episódios de Comentaristas

O vício de julgar na internet e o abandono da própria vida

29 de março de 20268min
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Rossandro Klinjey alerta para a “ilusão de expertise” nas redes, critica a cultura da lacração e propõe um caminho prático de autoconhecimento para frear julgamentos e fortalecer relações reais

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Participantes neste episódio2
P

Petria

HostJornalista
T

Tatiana Nando

HostJornalista
Assuntos2
  • Julgamentos precipitados na internetCultura da lacração · Autoconhecimento · Impacto das redes sociais
  • Estratégias práticas de mudança comportamentalFoco na própria vida · Curadoria de conteúdo
Transcrição21 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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O Divã de Todos Nós, com Rossandro Klinger. Rossandro Klinger. Sem boneco. Eu não vou falar nada.

Tá muito bonitão. Ó, você não tá lá no YouTube pra você que quer ver o novo look dele. Maravilhoso, amei. Tá aprovado. Meu amigo querido. Ele ficou até vermelho. Querido, vamos falar hoje sobre o quê? Julgamentos que nós fazemos na internet. E tão fundamental a gente falar sobre isso. Porque isso diz muito a respeito de quem nós somos. E daquilo que a gente abre a boca, né? Pra julgar, pra fazer e se manifestar.

Eu queria falar um pouco mais sobre a perda de tempo, que é o julgamento que nós fazemos. Nós vivemos uma sociedade em que as pessoas estão perdendo tempo com elas mesmas, se tornando especialistas em absolutamente tudo, ou seja, em nada. Então, todo tema você vira um especialista. Ou é guerra do Iraque, ou é Oriente Médio, ou é emitindo opiniões sem nenhum tipo de conhecimento, ou vivendo a dor da jovem que decidiu o que decidiu na Espanha.

Esse universo que todo dia as pessoas estão aí querendo opinar profundamente, algumas de fato querendo contribuir. A pergunta é, e sobre a sua própria história? A opinião que importa? E a atenção a quem está do teu lado? Essa sociedade que nos distrai na internet, ela nos destrói por dentro, porque não cria profundidade nos relacionamentos.

Além do que, a gente vira jogador precipitado. Tudo vai com flaflu. Ou é político, ou é ideológico, ou é religioso, ou é moral. As pessoas estão sempre com essa necessidade de, às vezes, busca de likes. Claro que tem pessoas cujo interesse é somente lacrar na internet, pegar um tema no hype para conseguir mais seguidores. Chega um tempo que você percebe que é muito manjado o discurso. Muitos fazem tudo no chat GPT e fazem aquela leitura que...

Não é isso, é sobre aquilo. É claro que a gente está vendo que está só com o Iá. Mas a gente tem que entender que a vida exige da gente que a gente faça muito mais uma auto-observação do que a observação externa das coisas. Esse caso, por exemplo, a decisão que ela tomou, muita gente pode não concordar. Mas quem estava lá para sentir o que ela sentiu? Ser abusada por várias pessoas? Ficar paraplégica? Perder a esperança? Quem pode julgar o pai que não queria perder a filha, ainda que nessas condições?

a gente pode até se perguntar será que a paz que ela busca vem com essa decisão? Não vou entrar no método da questão, porque cada um tem uma visão do mundo depois da vida muito particular. Mas são perguntas importantes. São perguntas, perguntas que a gente faz sem tom acusatório, sem dizer quem está certo ou quem está errado, porque a vida é muito complexa para poder você querer ser a palmatória do mundo. E talvez se fosse você, que todo mundo estivesse na internet opinando, você não fosse gostar de ver os comentários às vezes tão terríveis que são feitos sobre as coisas.

Precisamos sair desse lugar de ódio, de lacração, de comentar tudo, e de voltar para a nossa própria interioridade, desenvolver habilidades de autoconhecimento que são fundamentais, porque no fim do dia, quando a dor te visitar, e ela vai te visitar, o luto, a separação, a perda, a doença, as decepções, tudo isso vai nos visitar. Se eu estiver muito lá fora, só com raízes muito frágeis, eu não vou aguentar.

Então, é importante entender que para suportar a complexidade do mundo que a gente vive, em vez de se tornar um especialista em tudo, doutor, pós-doutor em especialidade do nada, tenta se tornar pelo menos especialista na própria vida, que já você está fazendo muito, já contribui muito com a sua própria existência. É sobre muito mais a gente olhar para o que a gente pode mudar, que é a nossa vida, comentar com muito respeito o que a gente vê lá fora sem saber, sem ter calçado os sapatos.

ou ter vestido a roupa da dor que o outro vestiu. Ninguém sabe o que passa nos quartos das vidas das pessoas cujas vidas nós julgamos. As dores, as angústias e os medos. Nós sabemos dos nossos. E precisamos ter consciência dessas nossas dores para a gente ter uma vida aí. A internet é algo novo, avassalador. A coluna que você faz antes com o Silvio e com... Como é o nome? Esqueci agora. Marco Rudiger.

que fala de internet, é uma contribuição profunda a essa reflexão. Precisamos fazer isso, é algo novo, estamos refletindo, estamos tentando entender, estamos tentando legislar sobre isso para que seja advento de algo que quer contribuir com a humanidade mais do que prejudicar a humanidade. E nesse sentido, a contribuição individual de todos nós, enquanto não vem uma legislação ou uma forma clara de ver tudo isso, é muito fundamental.

Maravilhoso. E eu vou te fazer só uma última pergunta. Eu acho que muitas vezes, muitas vezes mesmo, a pessoa está te ouvindo aqui, sendo tocada, entendendo o que você está falando. Mas está entendendo com a cabeça.

E não está entendendo com atitude. E continua fazendo isso. Precisa de algum treino. Precisa de alguma ação para de fato botar isso em prática. E não só ouvir e achar que o Rossandro está falando palavras bonitas. Nossa, como ele é inteligente. A gente precisa ter um gatilho para acionar a nossa ação e transformar esse tipo de coisa. Porque está todo mundo fazendo isso, Rossandro. Acho que uma das coisas que a gente vai fazer para a mudança.

A primeira coisa quando você quer mudar algo na vida é não querer mudar tudo, senão você vai surtar. Você vai ver uma lista de coisas que você deve a você mesmo que vai dar uma sensação de falência. Escolha aquilo que mais te incomoda ou aquilo que você acha que é mais fácil. E decida que você vai passar no mínimo três meses focado apenas em mudar aquele comportamento. Então, por exemplo, eu decido, a partir dessa conversa, vamos imaginar que fosse assim, que a partir de hoje eu não vou mais lacrar na internet.

Então a primeira coisa que você tem que fazer é deixar de seguir pessoas que estão lacrando, porque elas vão estimular você à lacração, ao ódio, à divisão. Deixa de seguir quem só prega divisão, ódio e lacração e fica pautando conteúdo só para poder ter seguidores. Começa a consumir conteúdo que te elevam. Nós precisamos disso. Nós precisamos estar ouvindo quem nos eleva, quem eleva o nosso estado de consciência, de princípios, de valores. É importante estarmos juntos dos mestres.

para que nós possamos se tornar um dia um mestre. Senão você fica andando num lugar em que as pessoas estão muito mais paradas do que avançando. E aí você pensa, o que me faz comentar, lacrar? E você pensa, pô, eu vi, não gostei, mas eu não vou comentar. Vou passar dez minutos respirando para, se for comentar, comentar com razão, com ética, com um mínimo de empate e compaixão.

muito mais preocupado em contribuir com o debate do que apenas de dividir e odiar as pessoas. Se você gosta disso, isso já é uma resposta para você. Se você gosta desse ódio da divisão, isso fala do estado que você está. Acredite, pode ser divertido, instigante, te deixa vivo, mas é um tipo de combustível que destrói o carro. Um dia isso vai virar uma doença muito séria. Então, a gente não vive construindo...

Ódio e depois vai querer dormir em paz, ter saúde, não ter gastrito, não ter dor de cabeça, nem muito menos um câncer. Escolhe o que você vive na tua interioridade, porque isso vai se refletir no teu mundo externo. Por isso é importante fazer essa curadoria. E escolha um comportamento e tente durante três meses se focar na mudança deste comportamento.

É ele, Rossandro Klinge. É outro que eu preciso... Gente, é isso que você tem que compartilhar. Bom, muita gente compartilha ele já. Muita gente, mas mais ainda. Time Rossandro. Querido, emblemático essa conversa de hoje. Beijo. Até semana que vem. Beijo. Até.

Oi, pessoal. Aqui é a Astrid. Deixa eu te falar uma coisa como mãe, tá? A gente tenta acompanhar tudo, mas quando o assunto é internet, é insano conseguir ver de perto. Por isso, eu achei legal dividir uma coisa com vocês. No TikTok, contas de adolescente já vem com mais de 50 configurações de segurança e privacidade ativadas automaticamente. E ainda tem a sincronização familiar, onde pais e responsáveis conseguem ajustar conteúdo e tempo de tela de um jeito bem simples. Assim, a gente fica mais tranquila, né? Clique no banner e saiba mais.

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