CPI do Crime Organizado pouco avançou e ‘tentou fazer manchete a qualquer preço'
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- CPI do Crime Organizadorelatório do senador Alessandro Vieira · indiciamento de ministros do STF · investigações das facções criminosas · reação do Supremo Tribunal Federal · crise de imagem do STF
- Eleições e Políticacampanha de Lula · campanha de Flávio Bolsonaro · pesquisas Datafolha e Quest
Viva a voz com Vera Magalhães.
A gente faz aqui uma pequena pausa na cobertura especial da morte de Oscar Schmidt, essa lenda do esporte, para tratar de outros assuntos aqui no Brasil, principalmente de política. Oi, Vera, boa noite. Oi, Débora, boa noite para você, para a Carol, para os ouvintes, para quem nos assiste nesse dia muito triste, né? Que perdemos uma grande referência brasileira. Boa noite, Vera.
Vera, falando aqui do nosso cercadinho de Brasília, na verdade. Essa semana, mais uma CPI terminou de forma melancólica, por assim dizer. Foi a do crime organizado. Qual foi o erro do colegiado para não conseguir aprovar o relatório final? E o que pode vir em termos de mudanças no funcionamento das CPIs?
Acho que eles cometeram um erro grave de avaliação ao tentar concentrar o relatório final no indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, e no Procurador-Geral da República, Dr. Paulo Monnet.
E com isso desviaram o foco do que era o central da CPI, que era justamente a investigação das facções criminosas, o seu entranhamento na estrutura do Estado brasileiro, na economia brasileira, e tentar chegar a alguma medida para fazer frente a isso.
e para elucidar um pouco esses mecanismos. Então, a CPI pouco avançou naquilo que era o seu aspecto central e tentou fazer uma manchete a qualquer preço, forçando o indiciamento dessas autoridades. Isso levou a um efeito contrário.
Há uma união do Supremo, que até então estava bastante dividido, muitas críticas vindas de lá, e uma coalizão entre governo e Centrão para trocar integrantes na última hora e, com isso, derrubar o relatório do senador Alessandro Vieira, que foi o que acabou acontecendo. Então, as duas mais recentes CPIs, essa e a do INSS, terminaram de forma assodada.
e sem produzir resultados. Isso mostra que esse modelo está mesmo esgotado, que ele carece de uma revisão, mas a revisão que se quer fazer não é uma revisão necessariamente para melhorar a capacidade de investigação das CPIs, e sim para coibir, para tolher essas investigações. Então, toda ação que não é bem calculada gera uma reação.
que também é muitas vezes desmesurado. E aí a gente tem, por parte de ministros, ameaças a senadores, ameaças de tolher o trabalho de CPIs, o que também não é razoável, não é aceitável numa democracia. Então, no Brasil, você sempre pode saber que o mesmo fato tem, muitas vezes, dois lados errados.
E esse é um deles, né? Uma ação errática da CPI gerou uma reação exacerbada e desarrasoada por parte de ministros do Supremo que partiram para a ameaça para cima de senadores e para cima das CPIs como um todo. Nenhuma das duas coisas condiz com o papel que se espera das instituições, né? Que fique cada uma no seu quadrado e que se apoiem mutuamente.
para contribuir para que a gente tenha transparência, que a gente tenha ali um sistema de presos e contrapesos realmente democrático.
Vera, muito dessa briga tem a ver com o caso Master e uma tentativa dos ministros do Supremo de se blindarem nessas investigações. Hoje o presidente da corte, Edson Fachin, voltou a mandar recados numa palestra em São Paulo. A ministra Carmen Lúcia também falou sobre a crise de imagem, de credibilidade do Supremo. Não está na hora deles discutirem mais a sério uma reação para essa crise de imagem na corte, Vera?
É, me parece um pouco infantil esse sistema em que um fica mandando indiretinha para o outro, né? A gente faz isso na quinta série, na sexta, ali, até por volta do ensino médio, ainda é aceitável, mas...
Se você pensar em magistrados na mais alta corte do país, que em vez de tratar os assuntos que são graves, que são relevantes e que estão fazendo a imagem do tribunal ser absolutamente arranhada, ficam mandando em direta por meio de jornal, em nota cifrada, por meio de palestra, por meio de entrevista, aí você vê que realmente tem uma crise grave.
acontecendo. E isso não é de hoje, né? Isso vem desde o ano passado, se agravou nesse ano, a presidência do Fachin vem sendo quase toda ela marcada por essa crise e pela dificuldade que ele tem de impor a sua autoridade perante os colegas, de fazer prosperar uma agenda.
que ele definiu, mas que ele não tem impulso para implementar. Então, eu acho que é um momento muito complicado esse do SDF, em que você tem um grupo ali que está mais ou menos numa trincheira, reativo a qualquer tentativa de autocontenção.
ou de estabelecimento de regras de conduta, regras éticas, etc. E outro que é composto quase que exclusivamente pelo ministro Edson Fachin, pela ministra Carmen Lúcia, que fica posando de diferente, olha, eu sou moralmente superior aos meus colegas, mas em compensação não faz nada de efetivo.
para que essa agenda saia da cabeça deles, que saia do papel e vai em frente. Então, acho que estava na hora deles, como adultos, como pessoas imbuídas de grande responsabilidade e muita autoridade.
fazerem para ler essas togas, nem que seja para divergirem, quebrarem um palco e fechem lá numa sala, com a garantia de que ninguém vai gravar, como já aconteceu recentemente, e decidam, decidam essas questões, botem para fora. Quem está insatisfeito com o Fachin, diga. Fachin, diga também que, olha, vocês, por outro lado, estão comprometendo a imagem do Supremo, mas que saia alguma coisa de concreto.
e não só esses secadinhos aqui e ali, porque isso já passou do tempo. Ainda sobre o caso Master, Vera, as investigações avançaram essa semana e nós vimos aí desvendada a relação entre Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que inclusive foi preso, uma relação bastante próxima. Isso turbina ou esvazia uma eventual delação?
Eu acho que deveria turbinar, mas tem chance de desvaziar. E eu explico o porquê, Débora. O que foi revelado é muito grave e mostra que não havia limites ali na busca de Daniel Vorcário por blindagem para o esquema fraudulento que ele estava.
levando a cabo no Master. Então, o que se viu foi a armação de um esquema de propina na casa de centenas de milhões de reais oferecidos em imóveis para comprar um dirigente de um banco e, portanto, um negócio que era para salvar a instituição. Então, se isso foi feito com um executivo de nível médio...
que era o Paulo Henrique Costa, a gente tem muitos motivos para imaginar que em esferas ainda mais altas, Daniel Vorcar operava com essa mesma falta de limites e com esses mesmos métodos. Mas o que se houve desde ontem é o seguinte, olha, se já se está descobrindo tudo sem a delação...
Então, não tem sentido uma delação, porque delação é só para que você descubra coisas que ainda não vieram à tona de pessoas com maior poder do que quem está delatando. Então, o discurso reinante nos meios políticos e judiciais é que não vai precisar de delação, porque a PF já está investigando tudo.
Mesmo no Ministério Público, o que a gente apura quando vai tentar sentir o pulso é que não tem muito apetite para essa delação e que ela não está sendo levada a ferro e fogo como outras recentes por parte da equipe do procurador Paulo Goneta. Então, tem muita gente interessada em que essa delação nunca veja a luz do dia.
E eu acho que estão usando a prisão de ontem, os valores envolvidos e as descobertas que a PF fez sem precisar da delação para dizer que ela não é necessária. Quando, para mim, o sentido é justamente o oposto. Ela mostra o grau de alavancagem em que o Daniel Vercaro estava operando.
e a ousadia do modus operandi dele. Então, o que ele puder contar e o que ele puder principalmente ressarcir de recursos, porque delação também é sobre isso, importem muito. Vera, a semana também foi marcada pelas pesquisas Datafolha e Quest, mostrando empate entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, e muitas dificuldades para o governo. Quais as estratégias de cada campanha a partir desse retrato e das pesquisas?
Do lado do Lula, acelerar medidas para tentar responder ao mau humor da população com o governo. Então, a questão do endividamento, taxa das blusinhas, tentar colocar ali para andar o fim da escala 6x1. Tem várias frentes em que o governo está atuando mais dinheiro para Minha Casa Minha Vida, para o programa também de...
financiamento de obras e reformas. Então, tem todo um arsenal de pequenas medidas para tentar fazer frente a esse mau humor. E, na frente eleitoral, uma antecipação da estratégia de desconstruir o Flávio Bolsonaro, que começou a aparecer com mais frequência nas redes dos principais nomes petistas e lulistas. Guilherme Boulos, Fernando Haddad, todos eles caminhando.
nessa linha de desconstrução do Flávio Bolsonaro. E do lado da direita, a gente até abordou isso nessa semana aqui no Viva Voz, aquela preocupação de mostrar um Flávio Bolsonaro preocupado com mulheres, preocupado com o Nordeste, que vai ter um plano de governo diferente do Lula para enfrentar a questão do endividamento, ou seja, a construção...
de uma personalidade para o Flávio Bolsonaro para além de ser só o filho do Bolsonaro, porque é isso que está ditando o voto nele até aqui. As pessoas muitas vezes não conhecem nada da biografia dele, estão dizendo que votam nele porque ele é o filho do Bolsonaro, então está aí na incubadora uma espécie de projeto, este é o candidato para que ele tenha ali alguma coisa para dizer, além do meu pai-pai, além do Bolsonaro e do meu pai.
Vera, muito obrigada pelo resumo da semana, mas tem música para a gente se despedir? Ah, sim, tem, né? A gente tem uma relação com os nossos ídolos que não é tão calorosa como de países vizinhos como a Argentina ou mesmo dos Estados Unidos. Então, eu fico me perguntando se as novas gerações têm ideia do tamanho do Oscar, né?
E não tem nenhuma música sobre ele. Fiquei procurando, falei, vou achar aqui uma música que fale do basquete brasileiro, que fale da geração do Oscar, ou que fale do Mão Santo, e não achei. Então eu importei um hino aí do Queen, que fala da magia. O basquete é geralmente associado a essa magia pelas jogadas maravilhosas que ele produz. A gente teve a Magic Paula lendo.
Mão Santa e da Rainha Hortência. Então, eu trouxe um pouco de magia para a gente se despedir desse gigante. Vera, obrigada. Bom fim de semana para você. Até. Obrigada. Um bom fim de semana para vocês também. Até segunda. Beijo, Vera.