Poluição do ar e as crises de enxaqueca
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Milton
- Poluição do ar e enxaquecaDióxido de nitrogênio · Partículas finas PM 2.5 · Mudanças climáticas · Gatilhos de enxaqueca
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Saúde em Foco Com Luiz Fernando Correia Muito bom dia, doutor Luiz Fernando Correia Tudo bem? Bom dia
Tudo bom? Bom dia, Milton. Bom dia, Marcela. Bom dia, ouvintes. Bom dia, doutor. Doutor Luiz Fernando, logo cedo quando a gente traz a previsão do tempo, nesses últimos dias aqui, a Marcela, que agora está tomando água enquanto nós conversamos, ela sempre comenta que o tempo está muito seco. Eu não sei se isso gera dor de cabeça em você. Muita, muita. Por isso você tem essa preocupação. E esse é o tema do doutor Luiz Fernando Corrêa. Fala pra gente. Pois é, Milton. É justamente sobre isso, né?
Um estudo publicado recentemente na revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia, acabou de mostrar que poluição do ar pode estar ligada diretamente ao aumento das crises de enxaqueca. Enxaqueca, a gente sabe que é um problema...
de saúde pública, e é um problema que tem impacto enorme na sociedade, uma das maiores causas de falta ao trabalho e perda de produtividade no país. Esses pesquisadores acompanharam mais de 7 mil pessoas, mil tupus e enxaqueca ao longo de mais de 10 anos. O que eles encontraram foi uma correlação consistente. Dias com maior poluição aumentavam as idas ao hospital por crises de enxaqueca.
E não é qualquer poluente, estão falando de poluentes tipo o dióxido de nitrogênio, que é tipicamente produzido por veículos nas vias de trânsito.
As partículas finas que volta e meia a gente fala aqui, o PM 2.5, que são ligadas à queima dos combustíveis, a obras e construções, também tiveram um impacto importante. Então, para você ter ideia, a correlação que eles acharam foi de que pessoas expostas a níveis mais altos do dióxido de nitrogênio tinham 41% mais chance de procurar atendimento para enxaqueca.
A gente faz aquele reparo de sempre que isso é uma observação, isso não quer dizer que uma coisa cause a outra, mas é um indício a ser pesquisado de que uma coisa pode estar ligada com a outra. Isso mostra uma coisa relevante, ou seja, quem tem enxaqueca sabe do problema que existem os gatilhos que deflagram as crises de enxaqueca.
Então, esse pode ser um alerta de que a poluição do ar, especialmente com esses poluentes, pode ser um dos gatilhos importantes em quem já tem predisposição para ter enxaqueca. E se somar isso com calor intenso, baixa umidade e radiação solar elevada, a gente fala de uma combinação climática, ambiental, que pode ser o deflagrador dessas crises.
E se a gente pensar nas grandes cidades, estou falando de Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, você tem trânsito intenso, tem as chamadas ilhas de calor, são aqueles locais no centro urbano onde a temperatura aumenta por conta do...
da construção, por conta da definição da cidade, períodos de baixa qualidade do ar. Tudo isso junto é o cenário que o estudo demonstrou. E cada vez mais, gente, com as mudanças climáticas, essas situações, calor extremo, poluição, baixa umidade, são mais frequentes.
Então, a gente tem que passar, de repente, a pensar numa coisa para enxaqueca especificamente, para orientar um serviço para os nossos ouvintes que têm enxaqueca. Passar a escutar a previsão meteorológica pensando que essa previsão pode sinalizar para ele um aumento do risco.
do deflagração de uma crise, nos dias onde tem mais poluição no ar, mais calor e principalmente a secura, a baixa umidade. O que você pode fazer para se proteger? Além de se hidratar muito bem, como o Marcelo está fazendo, ambientes com ar filtrado, facilita muito isso, obviamente, mas lembrando que no ambiente com ar filtrado, especialmente ar refrigerado, ar-condicionado, você tem que se hidratar mais ainda, porque esse ar é mais seco.
e eventualmente, se forem pessoas que têm crises com muita frequência e muito intensas, fazer medicação preventiva, que funciona bem na probabilidade de diminuição da quantidade de crises de enxaqueca ao longo do ano. Então isso mostra, Milton, que está tudo interligado, gente. Saúde, a medicina, o meio ambiente, é uma coisa só, a gente está vivendo a natureza. Então enxaqueca não é uma doença do cérebro.
O ambiente tem a ver com isso e se a gente conseguir entender isso, a gente pode brigar para melhorar a qualidade de vida na cidade. Diminuiu a sobrecarga disso nos serviços de saúde. E lembrando, como eu falei no início, enxaqueca é uma grande causa de quebra de produtividade para o país como um todo. Muito obrigado, doutor Luiz Fernando Correia, e um bom dia para o senhor. Bom dia para você, Milton, Marcela e todos os ouvintes. Muito bom dia, hidratem-se.
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