Episódios de Comentaristas

Vício do brasileiro nas ‘bets’ e o crescimento do endividamento

16 de abril de 20267min
0:00 / 7:22
Luiz Gustavo Medina apresenta os dados da Anbima – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro – que analisam a relação com o dinheiro de diversas maneiras. De acordo com a divulgação, o índice de pessoas que apostam no país tem crescido exponencialmente, e 27% da geração Z aposta. Ouça.

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Participantes neste episódio2
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Luiz Gustavo Medina

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Teco Medina

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Assuntos2
  • Vício em apostasGeração Z e apostas · Educação financeira · Endividamento familiar
  • Comportamento de apostadoresPercepção de apostas como investimento · Diferença entre apostas e loterias
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O assunto é dinheiro. Com Luiz Gustavo Medina.

E aí, Teco? Oi, Sardenberg, boa tarde. Boa tarde, Muniz. Boa tarde aos ouvintes. Tudo bem? Tudo bem, Teco. Boa tarde. Tem se falado muito aqui do vício de jogo, do vício de jogar nas bets, da influência que está tendo aí no endividamento das pessoas, nos orçamentos familiares e tal.

E a Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro, a Ambima, ela vai fazer uma pesquisa, está fazendo uma pesquisa sobre como é que é o comportamento desses jogadores, né?

Ela soltou, na verdade é um estudo bem legal que a Ambima solta todo ano, que chama Raio X do Investidor, que eles entrevistam gente para burro, todo mundo acima de 16 anos, para mapear a relação com o dinheiro de diversas maneiras. Quem poupa investimento, preocupação com a aposentadoria. E de uns anos para cá, o assunto da Betis entrou nessa pesquisa.

Tem bastante coisa legal para a gente falar sobre esse estudo, mas hoje acho que a história das bets era a que mais me interessava. Primeiro, para mostrar o seguinte, é que subiu de novo o número de pessoas que apostam no Brasil. Então, eram 14, dois anos atrás, 15 ano passado, esse ano já são 17%.

aumentou também de novo o número de pessoas mais novas que investem. Aliás, quanto mais nova a geração, maior o percentual dela que aposta. Então, 27% da geração Z aposta, 22% dos millennials, 10% da geração X e 4% dos boomers. Então, a gente vai vendo que quanto mais novo, mais metido nas bets a pessoa está.

E aí, tem uma pergunta, assim, que é quando a pessoa joga, né? Esse número me chamou um pouco a atenção, até esperava para a Flavidade que fosse um pouco maior. Mas, assim, 1% das pessoas jogam todo dia.

2% mais de uma vez na semana, 2% uma vez na semana, 1% mais de uma vez no mês, 2% uma vez por mês. Quando você soma tudo aqui, a gente está falando de 8% da população que admite que joga pelo menos todo mês.

que aposta numa bet. O número do dia, eu achei que fosse maior do dia da semana, mas o número do mês é altíssimo. A gente está falando de 8% das pessoas com mais de 16 anos que todo mês estão apostando nisso.

E, por fim, uma outra coisa também que aparece é o seguinte, até conversei sobre esse assunto outro dia com o Fernando Andrade, a percepção, quanto mais rico, quanto mais educação financeira você tem...

Mas você classifica o evento BET como entretenimento. É uma diversão, entretenimento é uma brincadeira. Quanto menos educação financeira você tem, menos renda e menos educação financeira, mais isso está colocado para você como um investimento, o que é uma completa loucura.

E eu acho que eu iria um pouco mais além. Quanto menos educação financeira e menos renda você tem, você coloca mais fichas na ideia do tipo, preciso ganhar R$70 para pagar essa conta de luz. O que eu vou fazer? Vou apostar numa bet.

Como é que é exatamente? Você vai apostar numa bet para... Ah, para pagar uma conta, para ter um dinheiro para o fim de semana. A pessoa acredita que vai ganhar ali. Sabe por que tem uma diferença importante aqui? É que quando você joga na Mega Sena, você não tem controle nenhum sobre o jogo. Você aposta lá o número e...

Deu, deu, não deu, não deu, né? Em geral, não dá, né? É, infelizmente. Agora, nas bets, você aposta num jogo de futebol, por exemplo, a pessoa acredita que conhece o jogo, conhece os jogadores, conhece as regras e tal, e que vai, portanto, vai ganhar.

Ela acha mais fácil, né, Soutenberg? Ela entende, né? Ela entende do que está... E acha que vai ganhar porque ela é perspicaz, sabe que tal time vai ganhar de tal outro e tal. E é dinâmico, né? Cada semana, cada rodada tem um contexto ali diferente que a pessoa pode achar. Agora eu vou saber no que apostar. E o problema, né, Muniz, é o seguinte, é que cada rodada tem 300. Eu tenho certeza que A vai ganhar. Se você pega a rodada do brasileiro desse final de semana, são 10 jogos que...

que a maioria dos homens, principalmente, olha e fala, vai dar tal time aqui, né? Não é um negócio, parece um negócio mais fácil até, parece óbvio às vezes, né? É, só que quando é óbvio e mais fácil, paga pouco, né? É, o curioso, né, Salaim Baraguay, que a gente tem falado aqui muitas vezes que alguma coisa precisa ser feita, e realmente eu acho que é um assunto muito complexo, que envolve muitas áreas, inclusive, eu imagino que tenha muita gente quebrando a cabeça com isso.

Mas está evidente que um dos caminhos ali é, de alguma maneira, reforçar ou forçar ou começar com a história da educação financeira. Porque eu acho que quando você coloca a Bete como investimento, você está muito longe do zero ali. Você não tem a menor ideia.

do que você está falando e do que está acontecendo. E acho que o resto a gente precisaria trabalhar, porque faz diferença, o exemplo que eu dei com o Fernando na época foi a história do cassino. Quando o cara vai ao cassino, ele separa lá 30, 50 dólares, 100 dólares, sei lá, depende de quanto a pessoa é, mas ele, em tese, não tem a menor perspectiva de ganhar do cassino. Ele vai para brincar.

eventualmente ele ganha, algumas pessoas ganham às vezes, mas a imensa maioria separa um dinheiro que já sabe que não vai voltar. E a bete deveria ser um pouco por aí. Eu quero brincar com meu filho, estamos aqui num churrasco, vamos apostar. Mas assim, você partir do princípio que isso vai virar fonte de renda, é uma distorção completa do princípio da aposta. Tá certo.

Teco Medina, obrigado Teco até amanhã até amanhã, tchau

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