'Os imortais' de Paulliny Tort
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- Os Imortais de Paulliny Tortclã de neandertais · metáfora sobre o mundo atual · relações entre espécies
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Clube do Livro CBN, com José Bodói. Oi, Zé, boa tarde. Oi, Tati, boa tarde. Boa tarde, Fernando. Boa tarde, Zé. Estou muito feliz que você vai falar sobre Os Imortais, o novo romance da Pauline Torte, porque eu tenho ouvido elogios rasgados sobre o livro. Estou ansiosa para te escutar.
Olha, Tati, eu fiquei super surpreso. O livro é impressionante, porque é uma premissa que não é simples. É aquele livro que, talvez na livraria, você lendo a orelha, a quarta capa, você desconfie da capacidade de alguém contar uma história como se propõe na apresentação do livro. Mas a Pauline faz um trabalho que me impressionou muito.
ela conta uma história nos imortais, ela conta a história de um clã de neandertais, essa é a premissa do livro, então ela vai sair do nosso tempo histórico, vai para esse tempo pré-história, essa história contada em livros, para resgatar, para imaginar e narrar a história desse grupo que vai migrando nesse planeta.
muitos milhares de anos atrás, e que vai vivendo o dia a dia dessa relação com esse mundo bastante diferente desse que a gente habita hoje. A cena de abertura já dá amostras da força da literatura da Pauline, da força da ficção dela, de como ela é hábil em contar, em imaginar aquele mundo. Ela é muito...
rapidamente você é transportado para aquele momento, o que dá um estranhamento, porque estranhamento é um prazer, acho que é enorme, porque hoje acho que é ficção, essa ficção de alta qualidade é um dos poucos espaços que a gente tem no nosso mundo contemporâneo para experimentar experiências que a gente não tem contato. A gente hoje em dia meio que já...
Todas as experiências parecem que estão contadas ou recontadas nessa cultura da imagem que a gente vive. E é difícil imaginar ou não ter visto alguma imagem sobre alguma dessas experiências. A Pauline, acho que ela sai desse lugar e vai contar uma história completamente fora desse nosso tempo histórico. E vai nos colocar junto com esse grupo de Neandertais, vai ter essa cena de abertura que eles...
combatem, lutam contra um grupo de javalis, e depois os que sobrevivem seguem caminhando, vão ter um encontro incrível ali com outro grupo, um grupo de homo sapiens, com os quais eles vão começar a se relacionar de uma forma...
complexa, por um lado uma vontade de troca de conhecimento e, por outro lado, aquela necessidade de sobreviver. Isso fica muito colocado pela figura do guia desse grupo. Cada elemento desse grupo tem funções muito específicas.
E tem esse guia, que é um personagem muito interessante, com uma complexidade enorme, ao mesmo tempo tentando lidar com as necessidades do grupo e com dilemas individuais muito profundos. Nesse encontro com esse...
Com esse grupo de homo sapiens, eles vão brigar, guerrear com eles, e vão ter três homo sapiens, três mulheres homo sapiens vão sobreviver, entre elas uma recém-nascida, e a história dessa recém-nascida vai dar um novo ritmo, abre uma nova história nessa narrativa, e vai se abrindo ali uma...
uma história dessa personagem que é muito, muito interessante. É um livro que eu acho que ao mesmo tempo que ele tem essa coisa de fugir desse nosso tempo, ele é uma metáfora muito poderosa sobre o nosso mundo atual.
com essa dificuldade, esse pêndulo que a todo momento a gente vê as nossas sociedades atuais viverem entre a capacidade de dialogar e o conflito a todo momento. A gente parece ver também nesse romance a continuidade de formas muito próximas de viver nesse mundo atual, com questões que até hoje a gente lida.
A Pauline, acho que ela trabalha com muito talento a linguagem, a capacidade de imaginar aquele espaço por meio das palavras dela, que são palavras muito bem escolhidas. Parece que não tem nenhuma palavra fora do lugar. Ela é capaz de inventar esse mundo para nós como leitores e fazer com que a gente tenha vontade de seguir a vida desses personagens.
E é um livro que realmente me chama muita atenção, uma literatura muito madura de uma autora que vai se colocando ali como uma das mais interessantes produzidas no Brasil hoje, Tati. Olha, fiquei curioso sobre o seguinte, quem são os imortais ou quem é a imortal? Não sei se eu estou dando um passo maior que a perna. De certa forma, é a própria espécie que a gente está falando aqui, porque a gente está falando aqui de um momento ali de fusão entre essas...
esses diferentes tipos de grupos que aos poucos vão virar o que somos nós hoje. Então, é um livro que vai mostrar essa perilidade desse...
Dessa espécie que, na verdade, tinha tudo para dar errado, né? Tinha tudo para não sobreviver e, de algum modo, sobrevive e chega até aqui hoje, né? É, entre sobreviver e dar certo, tem a distância, né, Zé Godão? Ah, deu certo para a gente chegar para viver, né? Considerando que toda espécie quer sobreviver, deu certo, né? Agora o como... É, sobreviver, acho que é o verbo certo, sobreviver, tá certo.
É, mas o Como a gente Sobrevive é em São José 500. Muito legal, muito legal. Como eu disse, tenho ouvido falar muito bem do livro mesmo. Estou contente que você trouxe ele para cá. Faz aquele resumo então, porque já tem ouvinte no nosso chat perguntando qual é o livro mesmo sobre o qual o Zé está falando.
Olha, o livro me chama muito a atenção mesmo Tati, ele é muito diferente De tudo que está sendo feito aqui na ficção Nacional e acho que até na ficção Internacional, não é uma premissa Que você vê todo dia por aí Falei aqui de Os Imortais Romance da Escritura brasileira Pauline Torte, Pauline com o Luiz Elis e com Y no final, que está saindo Agora pela editora Fósforo Muito bom
Zé Godoy, não vai se perder. Agora, toda quinta-feira, conosco no nosso Clube do Livro. Mas amanhã também estará por aqui com a gente, né, Zé? Vai ter um bolinho aí hoje, amanhã? Vai ter um bolinho de gente e um bolinho de comer. Aliás, vão ter vários bolinhos de gente.
O Zé vai se embolar com a Patrícia Cogutti, com o professor Pasquale, para a gente falar um pouco sobre livros, séries, a influência dos produtos culturais na nossa linguagem, na maneira como a gente fala e também em que medida determinam tempos culturais. Acho que vai ser legal, né?
Pô, tô super animado e fiquei muito feliz de saber que são nove anos, né, esse programa. É, passa rápido, né? Gente, nove anos no ar não é pouco. Parabéns pra vocês dois pelo trabalho. Parabéns pra Janaína, a titular aí da feira, né? Nossa maestrina. Da banca, né? Dessa banca aí que não é difícil colocar pra funcionar todo dia. E todo o pessoal da técnica aí. Um grande abraço. Não é fácil ficar no ar todo tempo assim.
Obrigada e parabéns pra você também Conosco desde o comecinho Valeu Zé, um beijo, até amanhã Até amanhã Tchau
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