Qual é a participação da China na guerra do Oriente Médio?
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Tati
Marcelo Ninho
- Participação da China na guerra do Oriente Médioapoio militar ao Irã · diplomacia chinesa · fornecimento de petróleo · cessar-fogo · relação com os Estados Unidos
CDN Pelo Mundo, com Marcelo Ninho. Eu conversei com o Ninho mais cedo hoje. Vamos acompanhar.
Marcelo Ninho, diretamente da China, conversando conosco no nosso CBN pelo Mundo. Oi, Marcelo, tudo bem? Oi, Tati, tudo bem e você? Bem, tudo joia. Bom, vamos falar sobre a participação da China na guerra no Oriente Médio, pelo menos a imprensa dos Estados Unidos noticiou com base em fontes de inteligência do país.
que a China estaria prestando apoio militar ao Irã, fornecendo equipamentos estratégicos, por exemplo, baterias de defesa antiaérea. O governo chinês negou a informação. O que a gente sabe até agora sobre o papel da China na guerra, Ninho?
Bom, Tati, até agora o papel da China a gente pode resumir em três partes. Primeiro, condenação à campanha militar americana, comunicação com o Irã para continuar o fornecimento de petróleo do Irã para a China.
e uma ação diplomática nos bastidores por um cessar-fogo para que tenha uma solução diplomática, digamos, para esse conflito. Agora, fornecimento de armas para o Irã, por parte da China, não fazia...
parte desse jogo, não estava, pelo menos não oficialmente, o porta-voz da diplomacia chinesa, como você mencionou, negou com veemência essas notícias da imprensa americana há tempos circulam informações nos meios diplomáticos de que empresas chinesas fornecem material de uso duplo, alguns poderiam ser usados realmente para uso militar, principalmente equipamentos de infraestrutura tecnológica, agora entender o objetivo
A alegação publicada pela imprensa americana e também ontem, uma matéria no Financial Times, dizendo que satélites chineses comprados secretamente em 2024 teriam sido usados pelo Irã para atacar bases americanas no Oriente Médio, isso é novidade e não é admitido, não é reconhecido e confirmado pelo governo chinês, que sempre nega.
essas informações. O governo chinês afirma que as empresas fornecem equipamentos para uso exclusivamente civil. E, aliás, tem muitos motivos também para ser muito cauteloso sobre isso, né, o governo chinês. Primeiro, não tem interesse nenhum e tem uma cautela para evitar um confronto direto com os Estados Unidos. Segundo, para evitar...
sanções econômicas, até a compra de petróleo, que 80%, a maioria do petróleo exportado pelo Irã vem para a China, geralmente é feito por pequenas refinarias aqui da China, para não comprometer as grandes estatais de petróleo da China. Então, de fato, a China realmente tem muito cuidado para não ser, vamos dizer, flagrada fornecendo armas ao...
aos rivais dos Estados Unidos, não só o Irã, mas foi assim também, tem sido na guerra da Ucrânia, embora a Rússia seja um país parceiro, uma parceria forte com a China. Agora, o interessante, Tati, é que o próprio presidente Donald Trump praticamente confirmou
essas informações da inteligência americana, numa entrevista nessa quarta, dizendo que sim, a China tem fornecido armas ao Irã, e que ele pediu ao presidente chinês Xi Jinping, numa carta, que interrompa esse suprimento e o Xi teria, segundo o Donald Trump, concordado.
Não dá para saber o que tem de factual nisso, o governo chinês não comentou. Agora, só para concluir, eu acho que dois elementos entram nessa equação e tornam o cenário um pouco mais nebuloso. O primeiro é que a China mantém uma cooperação militar há anos, abertamente, com o Irã, inclusive realizando manobras conjuntas todo ano com o Irã e com a Rússia.
E, além disso, muitas das empresas chinesas que fabricam equipamentos como satélites, como apareceu nessa matéria do Financial Times, tem ligação com o governo e, mais do que isso, tem uma ligação com o exército chinês. Então, o que quer que o Irã esteja fazendo com os equipamentos de fabricação chinesa, dificilmente fica fora do radar de Pequim. Tati.
A China, no paralelo, vem mantendo uma atividade diplomática bastante intensa. Várias visitas têm acontecido a Pequim nos últimos dias. Que visitas são essas e como é que a guerra no Irã tem afetado, se é que tem afetado, a diplomacia chinesa, Nínio?
Tem afetado, e assim, mais do que atividade, eu diria hiperatividade, porque só na última semana e meia estiveram aqui, vamos lá, a princesa da Tailândia, o primeiro-ministro da Espanha, o príncipe de Abu Dhabi, o chanceler da Rússia, o presidente do Vietnã, então é muito intenso isso desde o começo do ano, isso não foi diferente nos últimos meses, mas tem informação de que os bastidores do cessar-fogo.
entre os Estados Unidos e o Irã, o chanceler da China teria feito 26 ligações e telefones com várias diferentes autoridades do mundo para articular e cessar fogo. No mês que vem tem a visita mais esperada de todas, que é a do Donald Trump, se é que vai acontecer. A visita do Donald Trump a Pequim, que estava planejada para o início desse mês e foi adiada por causa da guerra da China.
Se beneficiado diplomaticamente da guerra, se apresenta como uma potência responsável, estável, em contraste com os Estados Unidos, que se comporta de uma forma errática sob o comando do Donald Trump. Então, desde o começo do conflito, o governo chinês tem sido bastante crítico à campanha americana e agora subiu o tom com essa decisão dos Estados Unidos de bloquear o Estreito de Hormuzi.
para pressionar o Irã, o que de fato afeta diretamente a China, porque interrompe não só o fluxo de petróleo que chega aqui para a China, mas também o comércio em geral, que é fundamental para a economia chinesa. O presidente Xi Jinping falou pela primeira vez em público sobre o assunto, alertou que o mundo não pode voltar a ser, voltar à lei da selva.
É uma expressão que é forte, mas que é muito usada aqui pela diplomacia chinesa para criticar as ações dos Estados Unidos. Agora, para resumir, nessa crise, a diplomacia chinesa, que é sempre muito cautelosa em assuntos que não lhe dizem respeito diretamente, tem sido um pouco mais ativa do que normalmente. Tanto que Pequim, como eu disse, teve uma participação importante no cessar-fogo por convencer os iranianos a aceitar o acordo. E a tendência é que a influência chinesa cresça com...
essa guerra. A questão é até que ponto os chineses vão estar dispostos a se envolver e correr risco para usar essa influência, Tati. Perfeitamente. Marcelo Ninho, conosco diretamente da China, toda quinta-feira no nosso CBN pelo Mundo. Obrigada, Ninho. Até a semana que vem. Obrigado. Até a próxima, Tati.