'Taxa das blusinhas' encarece compras internacionais e impacta consumidor final
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Luiz Gustavo Medina
Teco Medina
- Taxa das blusinhasImposto de importação · ICMS · Impacto no consumidor · Pressão do comércio
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O assunto é dinheiro, com Luiz Gustavo Medina. E aí, Teco? Oi, Sardenberg, boa tarde. Boa tarde, Muniz. Boa tarde aos ouvintes, tudo bem? Tudo bem, Teco. Boa tarde.
Teco, vamos falar da taxa das blusinhas, que está virando um assunto eleitoral, um assunto político eleitoral. Para lembrar que aos ouvintes, as importações, você faz essas importações, que as pessoas fazem importação direta, fazendo compra no site e faz a importação direta, quando o valor da importação era até 50 dólares, era isento de imposto.
Aí, por ações do governo Lula, do ministro Haddad e tal, houve a colocação do ICMS primeiro e depois do imposto de importação. Então, tem o imposto de importação de 20% e o imposto do ICMS de 17%. Tornou essa importação...
Praticamente impossível, né? Ficou mais caro, né? Ficou mais caro, exatamente, muito mais caro. E afetou as pessoas de renda mais baixa, né? Que se aproveitavam dessa vantagem de comprar até 50 dólares, que às vezes seria, digamos, 5 vezes 5, 25, até 250 reais. Lá na época era 6, né? Era até um pouco mais.
Até R$ 250 não paga imposto. E muita coisa, muita roupa cabe nesses R$ 250. Daí a ideia de taxa blusinha. Agora o Lula está dizendo o seguinte, que foi uma pressão do comércio varejista para introduzir a taxa das blusinhas e que ele também acha que é um absurdo.
É isso aí, Sallenberg. Eu acho que é um... Olha, dava para dar um semestre na faculdade só sobre esse assunto, viu? É puro suco do Brasil. E acho que vale a pena a gente jogar aqui algumas coisas só para o ouvinte. Depois, se ele quiser, a gente vai mais além nos próximos dias.
Primeiro, tinha uma frase emblemática da Janja, dizendo que as pessoas não iam pagar impostos. Quem ia pagar eram as empresas. E isso é uma grande bobagem. Só pessoas podem pagar os impostos. Quando você taxa uma empresa, ou os donos da empresa, as pessoas vão lucrar menos e elas vão ser prejudicadas. Ou se tiver poder de repasse, vão repassar e as coisas vão ficar mais caras.
Pelo fato das pessoas estarem incomodadas, já dá para ficar claro que não são as empresas que estão pagando o imposto. Quem está pagando esse imposto são os clientes dessa empresa. A segunda coisa importante é que é importante para a economia que os setores tenham isonomia. Essa queixa do...
do setor de vestuário, ela faz todo sentido. Você paga uma cacetada de imposto aqui no Brasil e vem um produto praticamente isento lá de fora. Era uma pressão, ao meu ver, justo. A questão, Sardenberg, é que quando você tem um gasto sempre crescente, sempre alto, nunca margem para manobra, sempre déficit primário, dívida subindo, essa isonomia, e a gente viu nesses últimos anos, ela é sempre feita aumentando o outro imposto.
Eu me lembro da gente ter dito aqui à época, olha, você pode dar isonomia cortando o ICMS do local, não tributando quem vem de fora, né? Mas os governos, eles fazem sempre o que parece mais simples, né? Então, ao invés de você dar isonomia melhorando a vida de todo mundo, você dá isonomia piorando a vida de todo mundo.
E aí, de novo, ficou caro. E fica caro sempre que você vai aumentando o imposto das coisas. As pessoas estão reclamando muito nessas pesquisas todas, onde elas estão insatisfeitas com a economia, é porque, evidentemente, as coisas estão caras, por diversas razões, não só por imposto, mas as pessoas estão percebendo que está difícil comprar coisas.
E uma dessas razões é porque os impostos de muitas coisas são muito altos. E essa história de isonomia que é importante precisa em algum momento ser feita pelo outro lado. E por fim, uma outra coisa também que eu acho que a gente vai ter que ter em algum momento essa conversa.
é que todo ano eleitoral, né, Sadenberg, todo ano de eleição presidencial no Brasil é um assunto econômico, né? Muita gente vai parar de investir daqui a pouco, muita gente vai esperar com um projeto para ver quem foi eleito, o que pretende fazer. Essas coisas, evidentemente, são ruins para o país de maneira geral, mas para a economia. E uma dessas razões é porque todo ano eleitoral, a gente começa o ano com uma certeza, virão medidas populistas.
E essas medidas populistas são gastos do governo que você não sabe se consegue desfazer lá na frente. O Lula não é o primeiro a ameaçar. Todos os últimos fizeram isso. Acho que o último que a gente pode lembrar do Bolsonaro, que ele manteve aquele auxílio da pandemia e aumentou o valor no ano da eleição.
E aí, você vai jogando sempre no ano de eleição essa dúvida. Primeiro, o que pretende fazer o próximo presidente com a economia? Dois, o que ele pretende fazer para se eleger? Que tipo de gasto, que tipo de populismo vai ser feito? Três, se é possível desfazer isso depois ou não? Porque a maioria das vezes não é e fica sempre pior a situação, às vezes, para o próprio presidente eleito, reeleito. Mas, às vezes, é para o próximo.
Então, a gente precisa arrumar algum jeito de fazer uma outra trava nisso, porque é prejudicial para o debate, é prejudicial para o país. Você vê que, assim, provavelmente se o Lula tivesse 20 pontos à frente nas pesquisas, esse assunto das blusinhas não estava na pauta de novo, mas está incomodando as pessoas e alguma coisa precisa ser feita. E aí o problema é que vai ser feita mais uma coisa errada, né? E uma coisa ruim, ao invés de você fazer uma coisa que poderia ser boa, né?
Agora, o papelão é o presidente Lula dizendo que foi uma pressão absurda das empresas brasileiras, que era contra a taxa das blusinhas e tal. Foi o próprio governo que aplicou, né? Foi o governo que aplicou, Sademberg, e a queixa injusta. E defendeu, né?
Não, e a queixa é justa. Você tem uma competição desigual aqui para quem vende aqui. A blusinha de lá é metade do preço da blusinha daqui. Não é porque o empresário daqui é malvado e de lá é bonzinho. É porque lá começa com 40%, 50% menos de imposto do que aqui.
Não só lá para produzir, mas quando esse produto chega aqui para ser vendido. Mas a gente chegou a falar isso na época. Quando você vai taxando as coisas sempre, os produtos vão ficando mais caros. Se os produtos vão ficando mais caros, as pessoas em algum momento vão reclamar dos preços.
Que é o que está acontecendo agora, não é só culpa desse governo, é o histórico do Brasil que vem sistematicamente fazendo isonomia, piorando a vida do amiguinho. E de novo, voltando ao começo da conversa, não são as empresas que pagam imposto, são sempre pessoas, de um jeito ou de outro, caem no bolso de alguém. E a maioria das vezes do cliente, do consumidor brasileiro que paga celular mais caro, tênis mais caro, vinho mais caro, carro mais caro e vai pagar blusinha mais caro.
Teco Medina, obrigado Teco. Talvez a gente tenha que voltar a esse assunto ainda, porque o Lula disse que está estudando alguma medida para amenizar os efeitos da taxa das blusinhas. E a gente não sabe ainda o que é que está na cabeça do governo. Voltaremos. Voltaremos. Obrigado Teco, até mais. Até mais.
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