Estudo mostra que sedentarismo começa no berço, e pais têm papel central
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Luiz Fernando Correia
- Infância e SaúdePesquisa da Universidade de Montreal · Atividade física na infância · Recomendações da OMS · Impacto do sedentarismo
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Doutor Luiz Fernando Correia, bom dia. Bom dia, Milton. Bom dia, Marcela. Bom dia, ouvintes. Bom dia. Doutor Luiz Fernando, vamos falar aqui sobre o sedentarismo. Que ideia é essa? Sedentarismo começa no berço? Pois é, Milton. E parece que os pais têm um papel central nisso. Afinal de contas, 80% dos adolescentes do mundo são sedentários.
E aí uma pesquisa feita pela Universidade de Montreal mostrou que esse problema pode começar muito tempo antes. Não é na escola, não é na adolescência, mas por volta dos dois anos e meio de idade. Foram quase 1.700 crianças acompanhadas por mais de uma década. E os pesquisadores identificaram três fatores simples que moldam o comportamento das crianças e futuros adolescentes. Brincar ativamente com os pais, limitar o tempo de tela.
e garantir um sono adequado. E o mais impressionante, nesse grupo acompanhado, menos de um em cada dez, ou seja, menos de 10% das crianças conseguiu cumprir essas três recomendações nos dez anos de acompanhamento. E isso fez diferença no final. Cada hábito saudável desses adotado logo na primeira infância, Milton, gerava cinco minutos a mais de atividade por dia na adolescência.
Isso pode parecer pouco, mas se a gente for somando cinco minutos por dia, todos os dias, ao longo de anos, falando de adolescentes, isso significa melhor condicionamento físico, menor risco de obesidade, menor risco cardiovascular e, principalmente, criar um padrão de movimento nesses adultos jovens.
Ou seja, o estudo traz uma mensagem clara. O fator mais forte é o tempo ativo, ou seja, atividade entre pais e filhos. Não é botar a criança para brincar e ficar sentado no celular olhando outra coisa. É brincar junto. Isso muda a forma com que a criança percebe o movimento.
deixa de ser uma obrigação. Não é aquela coisa, vou levar a criança para o parquinho, vou soltar lá e ele que se vire. Não, deixa de ser obrigação, passa a ser um prazer. Essa interação com a família motiva a criança, vai virar hábito de maneira mais fácil.
Um outro ponto relevante nessa pesquisa, pelo menos no Canadá, as meninas são mais vulneráveis ao sedentarismo. Aos 12 anos, apenas 14,9% das meninas eram fisicamente ativas, contra 24,5% dos meninos. Ou seja, para elas, a intervenção precoce ainda é mais importante.
A Organização Mundial da Saúde tem uma recomendação para crianças pequenas em termos de atividade, pelo menos três horas de atividade física por dia, no máximo uma hora de tela, isso aí é inquestionável, inclusive existem recomendações que criança não deve ter hora de tela tão cedo, e pelo menos 11 horas de sono. Mas o que a gente vê aqui na prática, a lógica, a rotina das famílias, bota isso mais longe.
Então, a ideia é mudar essa lógica para uma prevenção, porque já fica mais difícil corrigir o sedentarismo implantado já na adolescência. Tem que começar cedo, na primeira infância, não precisa de tecnologia, não precisa de academia, precisa de rotina da família. A mensagem da pesquisa é hábitos familiares constroem o estilo de vida das crianças e isso começa muito cedo, Milton.
Se você quer que seu adolescente seja ativo no futuro, brinque com ele enquanto ele é seu filho pequeno hoje, limite as telas e respeite o sono. Muito obrigado, doutor Luiz Fernando Correia. Um bom dia. Bom dia para você, Milton, Marcela e todos os ouvintes. Bom dia, doutor.
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