Divergências sobre urânio ampliam impasse entre EUA e Irã
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Marcelo d'Agosto
Cristina Pecequilo
Tati
- Conflito Irã-EUAPrograma nuclear do Irã · Estreito de Ormuz · Negociações EUA-Irã · Iniciativa de Donald Trump · Pressão econômica sobre o Irã
- Relações Israel-EUAConflito Israel-Líbano · Hezbollah · Marco Rubio
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CBM pelo mundo, com Cristina Pessequilo. Cristina Pessequilo, boa tarde.
Oi Tati, boa tarde, boa tarde feia aos ouvintes. Bom, quero, vou direto, quais foram os principais pontos de desacordo entre Estados Unidos e Irã? Por que a questão nuclear é sempre um ponto sensível, né? Sim, esse foi o grande nó das negociações do fim de semana no Paquistão.
que foram conduzidas, mediadas por esse país e contaram com a presença do vice-presidente J.D. Vance e também de autoridades iranianas. A questão do distrito de Ormuz é muito importante.
Mas os Estados Unidos estão colocando na mesa que se o Irã não abrir mão do seu programa de enriquecimento de urânio e se ele também não fizer uma abertura, ou seja, mostrar onde está o urânio que enriqueceu até hoje, não haverá acordo nenhum. Há, inclusive, um certo cronograma proposto para que o Irã abdique de enriquecer urânio. O Irã propôs...
Cinco anos sem enriquecer urânio, sem desenvolver nada relativo ao seu programa nuclear. Enquanto isso, os Estados Unidos propuseram uma moratória de 20 anos. Ou seja, tem uma grande diferença aí. Outros países como a Rússia se ofereceram.
para receber o urânio, que já está enriquecido no Irã, mas não se chegou a nenhuma conclusão. E também não se chegou a nenhuma conclusão com relação ao tratamento que o Irã vinha dando ao Estreito de Ormuz, inclusive, falando-se que eles estão cobrando pedágio pela passagem dos navios.
Agora, Cris, eu queria te ouvir um pouco sobre essa iniciativa de Donald Trump de anunciar esse bloqueio ao Estreito de Hormuz. Esse bloqueio está funcionando? Está dando certo esse plano? Então, cada um está dizendo uma coisa. O Irã diz que não está funcionando, que o trânsito de navios continua normalmente. Os Estados Unidos, por outro lado, afirmam que é um sucesso, como a gente sempre sabe.
do presidente Trump, ele sempre vai dizer alguma coisa positiva sobre o seu governo, mas o que nós estamos observando, pessoal, é o seguinte, nós temos águas internacionais e nós temos as águas que são administradas junto com os portos pelos países da região que estão no Estreito de Hormuz e que possuem portos nessa região. O que o Trump disse? Nenhum navio entrando ou saindo desse Estreito de Hormuz.
que tiver como destino portos iranianos, terá livre passagem. Então a Marinha dos Estados Unidos está numa posição que é numa posição de impedir o trânsito desses navios iranianos ou que tenha qualquer relação com o Irã.
Por outro lado, eles garantem que navios de outros estados localizados no Golfo e com outras bandeiras estão passando. Então, há uma divergência muito grande sobre isso e os Estados Unidos, como eu tinha dito, dizem que nenhum país é obrigado a pagar nenhum pedágio para os Estados Unidos, para o Irã, para passar.
Então, o que vai acontecer? A gente tem que observar os trackers, existem sites que acompanham a entrada e saída de navios do Estreito de Hormuz, e nós estamos vendo que alguns navios efetivamente estão passando, mas não são navios com direção ou saída dos portos iranianos, mas fica em dúvida o que efetivamente Trump espera.
conseguir com isso. É mais uma pressão econômica para o Irã, o Irã vem resistindo e outros países vêm se colocando como preocupados com toda essa disputa regional, inclusive lembrando que nós temos ainda minas dentro do mar.
no Estreito de Ormuz, que talvez nem o Irã saiba mais onde elas estão. Agora, tem uma expectativa sobre uma nova rodada de negociações, Estados Unidos e Irã. A expectativa é que isso aconteça ainda essa semana. Existem também algumas movimentações paralelas nesse sentido da Europa, da China. Que contexto é esse? O que a gente pode esperar para essa semana, Cris?
É um contexto muito complexo, Tati, Feu, Vins. Por quê? Porque existe a posição americana, a gente já sabe que o Trump tem as convicções dele, inclusive até brigando com o Papa, como que a gente vai discutir com alguém que briga até com o Papa? Então é complicado, mas o que acontece? O Trump anunciou, assim como o J.D. Vance,
que novas negociações podem ser retomadas, alguns falam que não seria mais em Islamabad, mas talvez na Turquia, na capital turca, em Istambul.
E aí, o que aconteceu? O Trump novamente bateu de frente com a OTAN e há uma declaração do primeiro-ministro britânico, acompanhado pelo presidente Macron, de que o eixo franco-britânico, ao lado de outros países europeus, teria marcado já uma reunião para observar
alternativas à ação militar norte-americana que vem ocorrendo com esses bloqueios de navios. Então, uma coalizão de países europeus estaria disposta a optar por sanções econômicas contra o Irã ou outras alternativas para resolver a situação. Mas o mais concreto também foi essa posição da China de apresentar um ponto, quatro pontos para a negociação de um cessar-fogo na região.
que vai retomar um pouco aquilo que eu havia mencionado. A questão da soberania dos países envolvidos no estreito de Hormuz e na própria guerra, o trânsito de águas internacionais.
e uma proposta, que a gente não sabe muito bem o que é, de uma estrutura de segurança mais duradoura para a região. Isso foi falado numa visita do encontro bilateral do Xi Jinping com o presidente do Emirado dos Árabes Unidos. Então a gente tem aí várias movimentações ocorrendo e o Trump caminhando sozinho nessas suas ações unilaterais.
Cris, outro assunto, estão em andamento também discussões, negociações entre Israel e Líbano em Washington. É a primeira vez desde 1983 que os dois países não se encontram pessoalmente para falar sobre os conflitos. Qual é a sua expectativa, Cris?
A minha expectativa é um pouco baixa ainda, ainda que nós tenhamos a notícia de que... É muito tempo de conflito para uma reunião só, né, se resolver. É, eu acho, mas eu acabei de ler, né, antes de entrar aqui no ar com vocês, que a primeira rodada de negociações acabou, né? Então a gente não sabe muito bem como é que se configurou, mas eu diria que essas duas negociações da semana, elas são muito importantes, porque elas marcam o encontro diplomático direto entre beligerantes.
E no caso de Israel-Líbano, uma certa tentativa de desvincular essas negociações do conflito com o Irã. Então, qual é a nossa expectativa? Que alguns passos possam ser iniciados nesse encontro direto Israel-Líbano, mas a gente sabe também que alguns dos principais envolvidos não estão presentes, que é o Hezbollah, e que Israel tem propostas extremamente controversas, que buscam a presença do exército israelense mais fortemente na fronteira. E aí
onde ele já vem fazendo a guerra, e também em regiões próximas ao Rio Litane para tentar fazer o desarmamento do Hezbollah. Então fica um ponto de interrogação, mas aí eu gostaria até de falar do Marco Rubio. O Marco Rubio falou uma coisa muito importante.
no início dessa reunião, que essa é uma reunião que é preparatória e que nós devemos entender toda essa movimentação diplomática como um processo. É que no mundo de hoje a gente quer que as coisas acabem rápido, até porque está tudo muito ruim, o mundo está entrando em crise.
Mas é um processo, não é uma solução rápida. Perfeito. Para a gente se despedir, Cris, conflitos históricos existem porque eles não foram solucionados, certo? Se fosse fácil, eles não seriam históricos. Quais são os principais obstáculos nessa negociação entre Israel e Líbano? Eu colocaria dois, Tati Feobins. Eu colocaria primeiro o Vesbola, que não reconhece.
essas negociações em andamento, ele não está sentado na mesa, e como a gente sabe, o Líbano tem um Estado que não necessariamente é o Estado que coincide com o Hezbollah. A maioria do Estado libanês, da população libanesa, hoje quer a paz, ela quer a estabilidade e não apoia o Hezbollah.
Só que o Hezbollah não quer se desarmar, não quer qualquer negociação. Então eu diria que esse é o obstáculo número um. E o obstáculo número dois é Israel. Eu acho que Israel é o grande obstáculo aí, porque para o Netanyahu se manter no poder, ele precisa de guerras acontecendo. E quando você coloca uma proposta que eventualmente vá levar Israel até mais presença militar...
dentro do Líbano, assim como ele já fez com relação à questão palestina na faixa de Gaza e na Cisjordânia, é o tipo de demanda que é o não começo de qualquer negociação. Então, seria um pouco esse o resumo e vamos ver o que vai sair dessa primeira rodada de negociações que foi anunciado.
agora que terminou, vamos aguardar Cristina Pessequilo conosco toda terça-feira no nosso CBN pelo Mundo, obrigada Cris, boa semana até a semana que vem, boa semana beijão pra todo mundo chegou a hora de deixar os carros da idade da pedra pra trás
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