‘Músicas do Mundo’: a viagem sonora da Juju Music
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- Música e CulturaKing Sunny Adé · Cultura Iorubá · Talking drums · Influência no Brasil
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Sala de Música, com Julão Marcelo Pôscoli. Oi, João Marcelo, boa tarde. Boa tarde, Tatiana, boa tarde, Nando, boa tarde, ouvinte. Tudo bem com vocês? Tudo ótimo. Tudo bem, e com você? Tudo bem? Como foi de fim de semana? Excelente.
Estava com os meninos, então sempre muito divertido.
A gente, Tatiana, a gente ouviu uma música nova, eu descobri, toquei lá no carro. Música nova da Doit com a Lady Gaga, Runaway. Sexta-feira, hein? Sexta-feira merece essa música. Muito legal, gostei muito. Temos surpresas pra sexta-feira, o senhor se prepare, sabia? Sexta-feira é aniversário desse programa, você receberá um convite em breve. Olha, que gostoso! Aliás, é uma intimação, né? É um convite que vai junto com uma demanda.
Ah, entendi, entendi. Vocês estão me vendo? Não. Não.
Gente, ó, juro, câmera desliguei e liguei de novo. Aê! Mas tava ligado, desliguei e liguei. É, realmente, o mundo está no barbante. A tecnologia é inexplicável às vezes, não é mesmo? Tecnologia, eu aprendi com um grande nome da tecnologia brasileira na década passada, que é assim. Tecnologia é um negócio de prometer, não é um negócio de entregar. É, aí é outra coisa, né? Aí é outro departamento e tal.
Olha, gente, eu queria falar um pouco de um gênero musical que eu conheci nos anos 80, com mais profundidade, através de um grande baterista brasileiro chamado Azael Rodrigues, que ele estava tocando uma célula no ensaio. Eu falei, cara, que legal isso, né? O que é isso? Ele falou, João, isso aí é juju music. É juju music, né?
Nunca mais esqueci, eu tinha 14 anos, estúdio de ensaio da Nigéria. Na época ele não falou nada na Nigéria. Ele falou, é tipo Afrobeat, sabe? Ah, sei e tal. Não sabia direito, mas o que é legal é que ele fez algumas células, né? E aquilo me marcou. E lembrei disso, né? Toda segunda-feira temos aqui um tema. E eu resolvi trazer aqui o Juju Music através de um nome muito importante dessa cena.
Inclusive, gravou um álbum em 82, chamado Juju Music, que é o King Sunny AD. King Sunny AD é a melhor maneira que tem de sentir como eu senti naquele momento. O que é a música Juju, a Juju Music? Seria legal a gente ouvir um pouco, aí eu falo mais entre uma e outra. Temos duas aqui. Essa primeira chama Syncrosystem.
Syncrosystem com King Sunny AD. Vamos lá. Syncrosystem
Transcrição e Legendas Pedro Negri
João, você consegue descrever pra gente que célula é essa que marca o Juju? Que pegada que é? Olha!
Nesse caso, eu queria começar essa viagem sonora com vocês. A gente pode continuar ouvindo essa mesma música. Tem um instrumento muito importante na Juju Music e em vários outros. A gente já falou muitas vezes dos chamados talking drums, os que chamam tambores falantes. Nesse caso, um muito popular na música Juju, que a gente está ouvindo um grave que faz pum, pum, pum, assim. É um tambor comprido.
E o coro de cima, do tambor de cima, e o coro do tambor de resposta ficam interligados por cordas. Normalmente, cordas de árvores, cipós e tal, coisa de cânhamo ou de algodão, enfim. E aí, quando você toca, você percute ali aquela membrana e você aperta.
tensiona essa membrana e o som fica mais agudo, mais grave. Então, isso é uma peça muito importante. Outra coisa que a gente ouve bastante...
São os chocalhos. Cochalhos foi bom, né? Bom dia, pessoal. Os chocalhos, né? Aí eu queria aproveitar uma experiência pessoal. Quando a gente foi gravar com o Paulinho da Costa, agora há 15 dias, 20 dias, uma faixa para a Elis, ele escreveu uma lista dos instrumentos que ele queria. Ele estava no Brasil, ele não estava com o equipamento dele.
Ele quis gravar aqui, portanto, tudo dele está lá no armazém dele em Los Angeles. Aí ele criou uma lista para mim, para eu ligar para o Márcio Fortes, que é um dos maiores percussionistas do Brasil. O Paulinho, a gente já tinha feito essa operação juntos, para trazer os instrumentos. O Paulinho escreveu ali chocalhos.
agudos, e aí tem lá queria um chocalho com cabaça ou seja, quando a gente fala do assunto chocalho
É uma mesa e cada um tem um volume sonoro, uma altura, uma força, perdão, uma altura, que é a afinação. Tem uma textura, ou seja, se é uma cabaça com miçangas é um som, se são miçangas com uma peça metálica é outro som. Então, só nesse mundo dos chocalhos e do talking drums, com vários tamanhos, nossa senhora, realmente... Só que ele trouxe...
como ele concebeu isso no momento que já existiam os sintetizadores e tal, o som eletrônico, tem essa união que fica com uma sensação sempre retrofuturista. Parece uma coisa super tradicional, como é, né? O Juju é uma coisa que começou nos anos 20, né? A partir de algo da cultura, da percussão da cultura iorubá, né? Iorubá e...
Ao mesmo tempo soa contemporâneo, porque a gente compra os bancos de sintetizadores hoje, houve a música da Doite com a Lady Gaga e houve esses mesmos timbres de sintetizadores setentistas, entre aspas, velhos, tradicionais, analógicos.
Essa é uma boa fusão que ele faz. Eu separei mais uma música, do Tatiana Ouvinte, Ori Oloo, que também traz bastante dessa célula. Agora, a levada, quando a gente tocar agora, vocês vão ver. Tem uma cadência rítmica que a gente pode ouvir e ir pontuando. Vamos nessa. Kingsane Ade.
Essa guitarra fazendo arpejo também é uma pedra... Legal! Saindo da percussão e dos dedizadores, essa guitarra sempre tem um fio condutor importante. Mas esse tambor é muito legal. Agora eu tô precisando de atenção. Parece que tá debaixo d'água.
É engraçado você falar isso, Nando. Sabe por quê? Porque o cara que trabalhou em muitas faixas do Drake, né? Que chama 40, 40. Ele é canadense e tal. Ele também começou na TV como o Drake. E ele criou um som que eles chamam de bateria subaquática. Eu comprei o banco de sons dele. Vocês verem aqui, eu mostro. Olha lá, subaquatic drums. Que é esse som meio que parece que tá debaixo d'água, né?
Posso só falar mais uma coisinha? Claro, claro. Vou tentar te imitar aqui.
Os Yorubá são um grande grupo etnolinguístico da África Ocidental, principalmente da Nigéria e Benin, com mais de 40 milhões de pessoas. Sua cultura rica em tradições de orixás influenciou profundamente o Brasil, especialmente no candomblé e na Ubanda.
A língua yoruba é tonal, possui diversos dialetos e é amplamente falada no contexto religioso e cultural afro-brasileiro também. Passou de ano. Demais. Não, lendo, né? É tipo tocar a música do bar, né? Eu só tô lendo o que tá escrito ali. Espero que não esteja lendo muito mal. Então é isso. King Sunny Adé, se você gostou. Inclusive, ele tem coisas com o de bango, né?
que tem o samba macossa, de onde o Michael Jackson tirou Mamacê, Mamacá, Mamacú, Mamacê. Eles dois trabalharam juntos. É uma discografia muito interessante.
Tem um sabor novo, parece que você tá entrando numa nova fase da vida porque você ouve um som que é familiar, mas ao mesmo tempo tem um frescor de uma descoberta. É isso. Gostei demais, João. King Sere Adê, o rei da Juju Music. Viva Juju. E é o seguinte, amanhã a gente vai fazer um Gosto Sim, em homenagem ao dia de hoje, que é o dia do beijo. Então amanhã é beijo pra todo lado, meu amigo. Não vale a música da Ivete Sangalo, porque a gente já tocou hoje aqui.
Tá bom. Tá bom? Pense nisso. Ainda bem que você avisou. Maravilhoso. Porque eu tinha certeza que era a música que você ia trazer. E também não pode o Prince, vai. Isso, é. Eu vou tocar no começo. Maravilhosa, é uma obra-prima, né? Revolucionária, mas já o que eu sou suficientes… Bessa Memúti, o Vale? Chega, senão a gente vai acabar com as opções dos ouvintes também. Mas é bom, porque a gente coloca a régua um pouquinho pra cima, né?
É, Bessa Memúti também acho que é manjada, né? Manjada, manjada, também não vale. Se tiver em português, a gente beija-me, beija-me muito. Pode ser assim, hein? Você pode vir cantar amanhã, João. O que você acha? Ah, querida, essa coisa eu já decidi em 83, que eu não faria. Tarde demais, Tatiana. Se eu soubesse que ia ser tudo isso que tem hoje, eu teria tentado. É, então. Bom, tá. Um beijo, até amanhã. Até amanhã, João. Beijoca. Obrigado, ouvinte. Até amanhã. Até amanhã. Bora, bora.
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