O 'socorro' de Galípolo: 'Banco Central está definhando', diz Míriam Leitão sobre crise no BC
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- Crise no Banco CentralGabriel Galípolo · Autonomia orçamentária · Fiscalização de instituições financeiras · Sofisticação do sistema financeiro · Fraudes financeiras
Dia a dia da economia, com Miriam Leitão. Miriam.
Boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Guilherme. Boa tarde, ouvintes da Rádio CBN. Boa tarde, Miriam. Miriam, em sua coluna no Globo, você lembrou de um assunto, tocou de um assunto crucial para a economia brasileira, que é a situação do Banco Central. O Banco Central que está com falta de pessoal, com falta de tecnologia, falta de verbas, e num momento em que o sistema financeiro é cada vez mais sofisticado, que usa...
diversos instrumentos tecnológicos, inteligência artificial, e você tem um Banco Central que não consegue acompanhar isso ainda, né, Miriam? Exatamente, você resumiu, o Banco Central está vivendo esse drama, e o que me chamou a atenção para fazer essa coluna foi a fala do presidente Gabriel Galípolo na CPI do Crime Organizado, que ele falou, já pedi ajuda, já pedi apoio, agora eu peço socorro.
Falei, bom, o Banco Central pedindo socorro, deixa eu entender melhor isso. E eu fui conversar para saber todos os detalhes. A primeira coisa que aconteceu foi que aumentou muito o número de instituições financeiras. Nos últimos 10, 15 anos, aconteceu uma proliferação das fintechs, a gente acompanhou isso. E outros arranjos que são acompanhados pelo Banco Central e cartões de crédito, e, enfim, aumentou muito o número de instituições. Então, só isso já dava...
uma pressão sobre o Banco Central. Mas, além disso, tem um outro problema, é a sofisticação, como você disse, Sardenberg, aumentou muito a sofisticação das operações exatamente porque você tem inteligência artificial, você tem todos os avanços tecnológicos permitindo esse avanço, e isso é bom.
Mas tem uma outra parte mais sombria, que é a ligação, às vezes, de crime organizado com fintechs de fachada, como a gente viu na Operação Carbono Oculto. Então, a tudo isso ele tem que estar prestando muita atenção. O Banco Central tem 3 mil funcionários e tem...
600 funcionários na fiscalização. Então, é pouco para a quantidade de instituições que precisam ser avaliadas. São quase 2 mil instituições financeiras. E os bancos centrais dos outros países, Estados Unidos, tem 23 mil pessoas no Federal Reserve.
E a Índia tem 13 mil pessoas, foi esses 13 mil trabalhadores, funcionários. Então, os outros países têm mais gente e mais possibilidades de orçamento, mas, principalmente, tem um outro problema que aprisiona o atual Banco Central, que é o fato de que ele tem algumas despesas que ele faz por um tipo de orçamento e outras despesas por outro orçamento. Tem o orçamento fiscal.
mas tem despesas que eles fazem pelo orçamento monetário. O orçamento monetário é o resultado, às vezes, o resultado até da operação da carteira do Banco Central. O que o Banco Central está propondo é que ele tenha autonomia.
inclusive orçamentária, para que ele se financie com os recursos, com parte dos recursos da própria administração das carteiras, por exemplo, só de reservas tem 360 bilhões de dólares. Então, ele pode se financiar com isso. E ele está se oferecendo nesse projeto que está no Congresso há 10 anos.
ele se oferece para ser fiscalizado por todo mundo que queira fiscalizar, desde o Conselho Monetário Nacional até o Senado Federal, a quem ele presta contas quando vai indicar algum diretor e presidente. Enfim, ele não quer... Eu ouvi uma seguinte frase, a gente não quer gastar um centavo fora da luz do sol, mas a gente precisa de mais liberdade administrativa, financeira e essa autonomia...
essa autonomia daria, esse complemento dessa autonomia daria a ele mais possibilidade de enfrentar o momento presente, a situação que está. Nesse momento, por exemplo, uma coisa que me contaram, eles não podem pagar adicional noturno, mas lá eles têm que ficar de fiscalização o tempo todo, 24 horas por dia, até porque de madrugada é que as fraudes aparecem. Então...
elas acontecem mais de madrugada, então o Banco Central está vigilante, inclusive na madrugada. Enfim, está tendo muita apontadoria, saída de pessoas, e a frase que eu ouvi, o Banco Central está definhando. Então, o que o Banco Central pede é que o Congresso aprecie e vote a proposta que está há 10 anos por lá, há várias administrações, de complementar a autonomia do Banco Central.
Passando por uma autonomia administrativa e financeira. Está certo. Miriam Leitão, obrigado, Miriam. E até amanhã. Até amanhã. Até amanhã, Guilherme. Até.